30/04/2019 as 10:53

Música

Acertos e contornos da ‘Taco de Golfe’

Banda lança no EP e divide o palco com o grupo soteropolitano Bagum


Acertos e contornos da ‘Taco de Golfe’

No clichê referencial entre esporte e a jovem banda sergipana ‘Taco de Golfe’, hoje, 27, tem addressing ball (no golfe é o momento em que a bola está posicionada para receber a tacada) no palco do Che Music, com o trio formado por Gabriel Galvão (guitarra), Filipe Williams (baixo) e Alexandre Damasceno (bateria), para o lançamento do novo EP “Erro e Volto”. E compartilhando partidas e sonoridade, tem show da banda baiana Bagum, a partir das 22h.

Gravadas e lançadas em formato ao vivo em premiere pelo site Hits Perdidos, as duas músicas inéditas, “Erro” e “Volto”, são um convite ao experimento, desfrute e desbrave de caminhos sonoros, com a virtuosidade e energia característica do grupo que tem na performance a ratificação de impressionar olhos, lábios e mãos. Segundo Alexandre Damasceno, o processo criativo se fez necessário e urgente. “Foi o momento culminante de um sentimento de que precisávamos nos desligar de nossa rotina, pelo menos por alguns instantes, e ver o que poderíamos criar; em um certo isolamento, encontramos um paliativo para aquela urgência auto imposta que envolvia o processo de produção da banda até então. Foram poucos, mas intensos dias, e o resultado está nessas duas músicas em formato ao vivo”, afirmou.

No enfretamento do perfeccionismo e seguros das ‘tacadas’ improvisadas, sem as amarras das cobranças internamente geradas individualmente, o trio ao próprio tempo incerto de cada desaguou instrumentalmente as probabilidades de ‘erros’ e as possibilidades de voltas. “A palavra errar traz essa coisa do incerto, do desconhecido. E parte do indivíduo essa decisão de errar ou não; no caso, a gente tem esse ponto de partida, algumas ideias já preconcebidas, mas para onde levá-las, como conectá-las, é uma incógnita. Caminhamos no ar por um tempo, e depois voltamos em terra firme, com algo que ficamos satisfeitos e que apresentaríamos ao público”, explicou Alexandre.

E foi assim que, após o lançamento nas plataformas, a percepção do perfeito em ‘Erro’ e ‘Volto’ alinhou o caminho do ‘certo’ na companhia de um coletivo com ‘tacos’ específicos e essenciais. “A gente gostou muito de como as músicas ficaram, principalmente do trabalho de captação e montagem do áudio e do vídeo. Foi algo meio improvisado mas que superou demais nossas expectativas; Anderson Kabula na captação de áudio, mixagem e masterização; Bruna Noveli na direção das imagens e João Henrique na montagem do vídeo, equipe incrível!”, garantiu.

Bagum
A sobre dividir o palco com a banda soteropolitana Bagum, Alexandre Dasmaceno destaca as conquistas e trocas entre bandas instrumentais do Noredeste. “Falar do encontro com a Bagum, em Salvador é falar de outra coisa incrível, o dia em que conhecemos e conversamos com o gigante Letieres Leite, maestro e compositor da Orkestra Rumpilezz e um dos maiores músicos do mundo atualmente. Na ocasião, ele dividiu o palco com os meninos baianos para fazerem três músicas, e foi no mínimo catártico! Há um tempo não assistíamos uma apresentação tão boa. A Bagum tá (sic!) fazendo um trabalho bastante relevante e é mais um grupo a mostrar a força da música instrumental nordestina”, enfatizou.


Alexandre ainda revela as possibilidades de mais compartilhamento de palcos pelo Brasil afora. “A gente está muito feliz de ter sido uma das quatro bandas selecionadas a apresentar um showcase, no final de maio, na Formemus Instrumental, em Vitória (ES), um dos maiores eventos de formação de mercado musical do país. A partir disso, estamos com a ideia de aproveitar a descida (iremos de carro) para fazer shows no Sudeste e talvez no Sul. Tomara que o planejamento dê certo!”, destacou.

Para Pensar
Ao próprio tempo, o grupo tem a consciência de cada passo e a maturidade de reconhecer o começo sonoro que trilha. Após o disco ‘Folge’ (2018) e agora com o EP, a certeza é do latente empenho de produzir e da necessidade de descobertas que resultam de uma busca diária pelo acerto sonoro. “Acho que a gente ainda tá muito no comecinho, nosso alcance ainda é pequeno, mas ao mesmo tempo em que 600 pessoas nos ouvindo mensalmente no Spotify é quase nada, comparado a outros artistas até do meio undeground, são 600 pessoas nos ouvindo mensalmente! Isso é muito incrível, se a gente parar pra pensar. Acredito que um próximo álbum só no próximo ano mesmo, mas nossa mentalidade é de estar sempre produzindo. Já estamos mexendo com novos riffs (risos)”, disse.