13/05/2019 as 10:01

Cultura

Maracatu Asé D’Óri ecoa o som do baque virado em Sergipe

Grupo promove oficinas gratuitas e semanais no Centro de Excelência Santos Dumont.


Maracatu Asé D’Óri ecoa o som do baque virado em Sergipe

 Por Gilmara Costa

Na semeadura do som, cultivo da coletividade e colheita de encantos, o grupo Maracatu Asé D’Óri multiplica o conhecimento da sonoridade entre todas as idades com oficinas regulares realizada mensalmente no Centro de Excelência Santos Dumont, localizado no Bairro Aeroporto. E num convite ao conhecimento percussivo a toda a população, o grupo se apresenta hoje, 11, no cortejo que acontece a partir das 16h, pela Avenida Santos Dumont, e depois, à noite, por volta das 20h, sobe ao palco da Reciclaria Casa de Artes, para a Ciranda de Maluco – A Festa, que conta também com shows de Escurinho (PB), Jaque Barroso (SE) e Radiola Jamaicana (PB).


“Desde 2017 que realizamos a oficina Maracatu na Escola e agora, nessa última semana, finalizamos uma oficina realizada em parceria com o Sesc no projeto Família na Praça, na comunidade do 17 de Março. Aos poucos, estamos ampliando nosso trabalho, ganhando visibilidade e convidando cada vez mais gente a se juntar ao grupo. Neste final de semana faremos o cortejo no Bairro Aeroporto e também participaremos de uma apresentação na Reciclaria”, disse Wendell Barreto, mais conhecido por “Bigato Pereira”, idealizador do Maracatu Asé D’Óri.


Promovida gratuitamente sempre aos sábados, na antiga escola estadual Santos Dumont, a oficina acontece às 16h, sendo que às 14h é realizada a oficina Baque Mulher, destinada exclusivamente às mulheres. “Essa oficina é realizada pela minha espoa Thálita. Tudo é gratuito, basta ter o desejo de aprender a tocar. Não é preciso ter nenhuma noção de música, todos nós estamos ali para aprender. Também não precisa ter instrumento, nós dispomos e quando eles quebram a gente mesmo conserta em coletividade. E a partir desse convívio e aprendizado, todos vamos despertando para o empoderamento, o respeito, para a nossa individualidade e para o coletivo também”, explicou Bigato Pereira.

Nascido em Aracaju, mas tendo fincado residência em São Paulo para estudos na área de Física, Bigato Pereira, que entre uma visita e outra à capital sergipana se dedicava ao conhecimento do maracatu, retornou de vez à cidade e agora compartilha do conhecimento percussivo com tantos outros. “Precisei sair daqui para então me despertar e encontrar o maracatu. Participei do Axé Kizomba, mas foi a partir das oficinas sazonais feitas aqui em Aracaju que me encantei, me envolvi e agora estamos nessa semeadura e também já colheita de reconhecimento e visibilidade, pois já estamos com convite para participar pela primeira vez do Aldeia Sesc e também para uma temporada pela França, onde acontece o Encontro de Maracatu, e também pela Inglaterra, de onde recebemos recentemente a visita de um jovem que participa de um grupo lá. Tem maracatu pelo mundo todo e aqui em Sergipe também”, afirmou.

O Tambor
“Costumo dizer que tambor é verbo e a gente é substantivo. A partir das oficinas, do conhecimento, a pessoa começa a despertar para o autoconhecimento e compreensão do fazer e viver. Hoje temos participantes de todas as idades, mas queremos atingir cada vez os jovens, pois os que já participam com a gente vão deixando, de maneira espontânea, sintomas problemáticos. Hoje temos jovens que consertam os instrumentos perfeitamente, se dedicam ao aprendizado e isso é importante”, disse Bigato Pereira.

Para Thálita de Faria Domingue, instrutora do Baque Mulher, a presença da mulher no maracatu de baque ainda é tímida, especialmente em Sergipe, mas com espaço e desejo de alcançar, cada vez mais, extensão. “Desde 2008 que existe esse movimento em Recife, com a mestre Joana, única mulher mestre de maracatu, e ele tem crescido no mundo inteiro diante da necessidade de discutir o feminino, o empoderamento e conhecer pessoas também, assim como lugares. E hoje existem grupos filiais em todo o mundo. Aqui ainda estamos numa fase inicial, estamos semeando, mas é bem legal e importante para o crescimento e conhecimento cultural, com reflexos que vão desde a nossa atuação profissional como enquanto ser humano, pessoa, mulher. A nossa ideia é conquistar cada vez mais crianças e adolescentes, trabalhando com esse público a educação não convencional e mostrando que a mulher pode e deve estar como e onde ela quiser”, explicou.











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