12/06/2019 as 10:23

Teatro

O ‘Belo, Beleza Pura’ por Luiz Magno

Integrante do Coletivo de La estreia na dramaturgia nos próximos dias 14 e 15, na sede do Imbuaça


Na contramão narcisista de achar feio o que não é espelho e a partir de vivências pessoas num lugar desse mundo de todos deuses que chamou de seu, o ator Luiz Magno Lima (e agora escritor!) estreia na dramaturgia com o espetáculo ‘Belo,Beleza Pura’ nos próximos dias 14 e 15, na sede do Grupo Imbuaça, às 20h. Com direção de Lindolfo Amaral e elenco do Coletivo de La, a peça é um apanhando de histórias sobrevividas da comédia real e dramática atualidade (ou vice-versa!) nossa de cada dia, numa caracterização de ‘dramédia’, como o próprio autor define.


“A peça é fruto de uma incursão muito pessoal num lugar que não era meu, mas me foi casa durante um tempo na vida. É uma colcha de retalhos, são várias histórias que eu vivi, seja como expectador ou participante ativo na cena, e que me propus a costurá-las pra tentar refletir sobre a diversidade, a profusão, sobre a complexidade que é cada indivíduo. Belo fala de muitos assuntos sérios, mas sem perder o rebolado e a graça, eu diria que é uma grande ‘dramédia’ (sic!), como a vida real é. Belo é leve, é divertido pacas... E é muito atual também”, revelou o autor.


Com a humildade necessária de quem se desafia pela primeira vez a um outro papel na encantadora arte de fazer teatro, Luiz Magno afirma que tem nos alguéns que observa a inspiração para a criatividade expressa em texto, roteiro e personagens. “Ainda não me acostumei com o rótulo de “autor”. “Minha inspiração maior é, e acho que sempre será, o material humano, gente. Eu amo gente. Amo ouvir histórias, amo ver gente em ação, amo ver gente sem que elas saibam que estão sendo vistas, é maravilhoso, melhor que qualquer novela. Nós somos muito doidos, Caetano está certo demais quando diz que de perto ninguém é normal. E depois das redes sociais então... E gente que se acha normal geralmente é muito chata”, contou.

Sobre o cuidado com o meio e mensagem no processo de criação, a dramaturgo disse que a atenção foi essencial em cada ato para que o ruído seja o menor possível entre palco e público. “Acho que essa adequação foi a parte mais difícil, e ainda é o que mais me deixa tenso, sobretudo porque o espetáculo tem um grande viés de comédia e, às vezes toco em temas delicados. Nós estamos vivendo num tempo muito delicado e de adaptações, não quero de maneira alguma que ele descambe pro vexatório, que alguém saia da peça se sentindo desrespeitado, diminuído. Submetemos o texto a várias leituras de mesa, com várias pessoas de teatro, fizemos apresentações pra escolas, e a maioria dos alunos nunca tinha visto uma peça na vida, fizemos rodas de conversas, com o elenco, mediados pelos professores, e o respostas tem me deixado muito orgulhoso. Tem chegado aos corações de um jeito muito leve e alegre”, declarou Luiz Magno.

Da cria Imbuaça
Cria das oficinas de teatro do Grupo Imbuaça, o Coletivo de La já caminha aos próprios passos, mas sob o olhar atento e de mãos dadas do ‘criador’, de maneira que a escolha para a direção do espetáculo ‘Belo,Beleza Pura’ é assinada pelo ator e diretor Lindolfo Amaral. “Armaria (sic!) do céu, sem ele não seria possível. Lindolfo é um bicho brabo de teatro, é uma vida de entrega e respeito à arte admirável. Grita quando é preciso gritar, traz paz quando ela se faz necessária, e o principal, nos mantem unidos em torno do que realmente importa. Teatro pode parecer fácil para quem vê de fora, mas é um trabalho árduo, e de muitas renúncias, inclusive. Só faz quem ama de verdade. Lindolfo é marido e amante do teatro, tem amor, tem paixão naquilo, e apesar de toda experiência, escuta nossas maluquices de atores juvenis, como se fossem descobertas científicas, e acata algumas, eu fico é besta. É mais que um grande mestre, um amigo muito querido”, afirmou o ator e dramaturgo Luiz Magno.


A reciprocidade de apreço e profissionalismo é verdadeira como revela Lindolfo. “Não é fácil dirigir um texto com o autor acompanhando diariamente. E quando esse autor é também ator, o cuidado é redobrado. O texto dramatúrgico é uma obra de arte, e como tal, deve ser tratado com muito cuidado e respeito. Alguns autores não gostam que corte o texto. Outros têm preferência por determinado personagem. Essas questões têm que ser tratadas com muita atenção para que não haja confronto de ideias. Luiz Magno é um grande parceiro, generoso, além de escrever muito bem. Trata questões sérias com leveza e humor. Isso permitiu que a montagem fosse tranquila. Essa estreia de Luiz Magno, no campo da dramaturgia, é o início de uma longa caminhada. Tenho certeza que “Belo, Beleza Pura”, foi o primeiro texto de uma série que virá. Sergipe acaba de ganhar um autor e o teatro agradece”, disse.