21/08/2019 as 10:23

Cultura

Pontos que levam a ‘Ignatia’

Tori lança novo álbum na próxima sexta, 23, no Centro Cultural de Aracaju.


Pontos que levam a ‘Ignatia’Foto: Bruna Noveli

É partindo do ponto consciente das mudanças, encurtando distâncias sonoras diante da ligação com outros pontos, que a sergipana Tori lança o álbum ‘Ignatia’, na próxima sexta, 23, no Centro Cultural de Aracaju, a partir das 19h. No disco, sete faixas que não se encerram em si, ora são se fazem um ponto continuando com a evidência instrumental, ora são reticências em letra curta de uma canção. No palco, Tori recebe a participação de Helen Brüseke e João Mário, e tem o show de abertura feito pela também sergipana Sandy Alê, que apresenta “Árvore Estranha”. O ingresso é grátis e a diversão garantida.


Na natureza, ‘Ignatia’ é planta, é medicamento homeopático, mais conhecido como fava ou feijão de Santo Inácio, de aliviar socorros emocionais. No ponto consciente de Tori, é disco acompanhado por uma vírgula para representar a busca pela abstração, inconclusivo e de perda de referência.

“Na homeopatia existem perfis das pessoas e após responder perguntas das mais esquisitas do mundo porque existem perfis a depender do seu perfil que você toma remédios e eu tomei ‘Ignatia’, que está ligado a momentos de mudanças, de perda, separação. É como se a ‘ignatia’ fosse uma personalidade de certa forma. Ao mesmo tempo, tem o livro ‘Sobre o Ponto’, da Eduarda de Aquino, que mostra que o ponto é a menor unidade, mas também se você explodir o ponto, ele se torna superfície inteira. O ponto é introspectivo, é conclusivo e também às vezes não. Essas ideias se entrelaçaram no disco”, explicou Tori.


No encontro dos ‘pontos’, Tori explica que a indicação do livro inspirador se revelou a partir da busca dela pelo traço concreto na capa do disco. “Foi o meu namorado que me apresentou o livro e quem apresentou o livro a ele foi a Helen Brüseke, que foi quem eu busquei para fazer uma espécie de quadro para o disco e foi então que ela me falou que tinha indicado o livro ‘Sobre o Ponto’ ao meu namorado. Eu fiz uma música sobre o ponto, inclusive, no show ela recita um texto inspirado no livro e somos pontos que se ligaram. Ainda no show, a ideia é rolar umas projeções e também estaremos comercializando camisas e o disco, que a capa vira um pôster, um quadro”, disse.


No processo de composição de ‘Ignatia’, a artista revela que seguiu um caminho diferente do comum, sem uma ordem conclusiva e pontuações finais. “Quando vou fazendo as músicas é muito comum que fiquem na ordem de composição, mas nesse caso de ‘Ignatia’ não foi. Acontece de ter o momento que penso: ‘Já tenho um disco, um conceito, algo do tipo’. Mas neste não pensei. Na hora de compor cada uma não pensei na ideia, geralmente vou fazendo e depois olho para elas e percebo o que elas têm em comum e nesse disco, a maior parte das músicas tem a contradição em comum, não são conclusivas, nenhuma coisa nem outra, não são coisas fechadas. E foi um processo mais demorado, principalmente quando comparado ao ‘Akoya’, em que num mês fizemos arranjos, gravamos e mixamos”, explicou Tori.


Ainda entre as diferenças e maturação de uma disco para outro, Tori fala sobre arranjos a mais no novo disco de letras a menos. “Akoya fiz no violão, eu pensava menos em termos de arranjo. Até hoje penso de uma forma esquisita em arranjo e em ‘Akoya’ foram composições a partir do violão. Acho que a questão do tempo também, ‘Akoya’ foi muito rápido, porque ele foi um disco de despedida eu estava indo fazer intercâmbio. Foi mais intuitivo, com a gravação de instrumentos ao vivo, juntos. E no ‘Ignatia’, estamos mais maduros, com os arranjos mais amadurecidos e mais concisos. Acho por eu saber da intenção. Já na questão das letras, enquanto ‘Akoya’ são mais longas, em ‘Ignatia’ mais curtas e partes mais instrumentais. Uma coisa comum em ambos é a escolha dos nomes do disco, pois sempre as pessoas descobrem palavras novas”, destacou.

Selo PWR
O disco da sergipana Tori será lançado pelo selo pernambucano PWR Records, criado e gerido por mulheres com base em Recife, e a ideia é fazer com que ‘Ignatia’ crie pontos reticentes em todo o Nordeste e no país. “Foi uma coisa maravilhosa ter o disco lançado pelo selo pernambucano PWR, que é encabeçado por mulheres que produz bandas com mulheres e que consegue fomentar artes de muita gente boa ao redor do Brasil e que muitas vezes são invisíveis. A gente está trabalhando uma turnê depois do lançamento pelo Nordeste e depois descer para outros cantos”, falou.

 

Por Gilmara Costa/Equipe JC