10/09/2019 as 10:07

MÚSICA E CULTURA

Renantique em despedida do ‘Ensaios Abertos’

Concerto acontece na próxima sexta, 13, no Conservatório de Música de Sergipe.


Há 23 anos com musicalidade ininterrupta, o grupo Renantique Música Medieval e Renacentista faz uma pausa nas apresentações por aqui em virtude da busca por mais conhecimento pelo diretor Emmanuel Vasconcelos em Portugal. Mas, antes disso, num “até logo” já saudoso, o grupo se apresenta na série “Ensaios Abertos” do Renantique, no Conservatório de Música de Sergipe (CMS), no próximo dia 13, às 19h30. A série Ensaios Abertos consiste em abrir à apreciação do público um ensaio do Renantique a cada bimestre, sendo uma contrapartida ao CMS, pela cessão do espaço aos ensaios regulares do grupo.


“Este concerto é mais do que um Ensaio Aberto, é também um concerto de despedida, pois o Renantique, que nunca antes interrompera, ficará por um tempo em stand by, pois eu, o diretor do grupo, passarei um tempo em Espinho e Porto, em Portugal. O repertório escolhido para os concertos da série Ensaios Abertos é montado a partir de peças de programas anteriores, mas principalmente do repertório que está sendo montado no semestre ou ano, como por exemplo este ano que estávamos montando ‘FeminaMúsica: a mulher na música medieval’, um ensaio no qual, como falei anteriormente, o grupo mostra todo o processo de construção da performance daquela peça a ser apresentada”, explicou Emmanuel Vasconcelos.


Sobre a parceria firmada há dois anos com o Conservatório de Música de Sergipe (CMS), o músico e diretor do Renantique ressalta a contextualização de cada apresentação para o público a partir de iniciativas que vão além da execução de peças. “Com o caráter didático que o Renantique incorporou em seus concertos desde o início em 1996, fez com que o público não buscasse nos concertos do grupo apenas a música, mas todo o conhecimento contextualizado de forma interdisciplinar. É nessas séries, assim como na série ‘Concertos Didáticos nas Escolas’, que o Renantique proporciona não apenas a audição musical e a contextualização das obras, mas também todo o processo de montagem do repertório que está em construção, o que aproxima ainda mais o público do universo do movimento da Música Antiga, com os instrumentos de época e um repertório distante no tempo e no espaço”, explicou Emmanuel.


Numa explicação sobre a formação de músicos e público apreciador da música antiga – termo que se refere a repertórios, principalmente dos períodos da Idade Média, Renascença e Barroco, nos quais são utilizados instrumentos de época ou réplicas dos mesmos –, Emmanuel destaca que não foram criados novos grupos do gênero desde o Renantique. “Infelizmente não surgiu nenhum grupo com repertório desses períodos, Idade Média e Renascença, com instrumentos de época (cópias autênticas), desde o Renantique. Apesar de que, todos os anos, eu monto oficinas de música antiga, ministrando aulas de alguns instrumentos, pois é dessas oficinas e de convites particulares a pessoas interessadas nesse repertório que tenho conseguido manter os recursos humanos musicais do Renantique. Ainda vale lembrar que aqui nas terras do Serigy não há formação para esse estilo musical, nem nos instrumentos e nem no canto, pois todo o conhecimento e estudo técnico nos instrumentos da música antiga que adquiri foi em outros estados do Brasil em eventos internacionais nos quais vinham professores de outros países”, ressaltou.

Renantique
Grupo independente, o Música Antiga Renantique foi criado em junho de 1996, sob a direção artística de Emmanuel Vasconcellos Serra. Tal iniciativa está inserida no movimento de redescoberta da música antiga, com interpretação e cópias de instrumentos de época, Performance Instruída Historicamente (PIH), que tomou vulto na Europa, nos EUA desde meados do século XX e no Brasil por volta de 1950.


O Renantique possui a estrutura de um Broken Consort renascentista, no qual são combinados vários instrumentos de famílias diferentes (cordas, sopro e percussão), cópias autênticas de instrumentos da Idade Média e da Renascença, e vozes (soprano, alto, tenor, contratenor e baixo-barítono), utilizando-se antigas técnicas para a execução dos instrumentos e para a emissão das vozes.


A formação atual apresenta Adolfo Vega Nuñez (rabeca medieval e viola de gamba); Alexandre Santos de Azevedo (flauta doce, cromorno, cornamusa, saltério de dedo, viola de arame e coro); Dian Lucas Piedade Araújo (voz tenor e contratenor, flauta doce e percussão); Emmanuel Vasconcellos Serra (alaúde renascentista, viola de gamba, viela de arco, flauta doce, mandolina e direção artística) e Wanusa Almeida (voz soprano, saltério de arco e percussão).

 

 

| Reportagem: Gilmara Costa

|| Foto: Divulgação