10/09/2018 as 16:35

Economia

Em Aracaju, 25% das famílias estão endividadas

Dados fazem parte da 8ª Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo.


Em Aracaju, 25% das famílias estão endividadasFoto: André Moreira/Equipe JC

Apesar de pesquisas demonstrarem diminuição no número de famílias endividadas nas capitais do Brasil, esse ainda é fenômeno que acomete muitas pessoas. Dados divulgados pela pesquisa de 8ª Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, revela que 25% das famílias da capital sergipana têm a renda comprometida com dívidas.

De acordo com o especialista e dirigente do Departamento Intersindical de Estudos Sócio Econômicos e Estatísticos de Sergipe (Dieese), Luís Moura, o principal problema envolvido na questão é a quantidade de pessoas que, para além de endividadas, estão negativadas.

“Esse sim é um problema. O ideal é que você comprometa 33% da sua renda com dívida, se está acima disso, então o seu índice de comprometimento está levando você à inadimplência. A dívida não é um problema. Mas, a inadimplência sim. Porque ela é um problema que impede as pessoas de acessar crédito. Então, o cuidado que nós temos que ter é quanto ao nome negativado”, explica o economista.

Segundo Moura, no Brasil são mais de 60 milhões de pessoas negativadas. Em Aracaju, estima-se que cerca de 600 mil pessoas enfrentam o problema do “nome sujo”. Ele reitera ainda que a principal dívida das pessoas é com cartão de crédito, que apesar de haverem mudanças recentes quanto às regras do rotativo, não manifestaram diferenças significativas ao consumidor, os deixando ainda na bola de neve das dívidas.

“Essa questão está tomando uma proporção tão grande no Brasil que até teve um candidato que fez uma proposta de limpar o nome de todo mundo. A proposta que parece encantadora tem uma série de problemas. Porque ela primeiro vai beneficiar quem está com o nome negativo, e tem pessoas que está no nome negativo por conta do desemprego, mas, também tem pessoas que são devedores contumazes. E essas pessoas frequentemente estão negativadas”, disse.

O economista explica também que o principal motivo que leva às famílias ao endividamento é a renda baixa. “Quando você olha a renda média da população brasileira, chega a aproximadamente R$ 1.500 apenas. Do total, as pessoas comprometem parcela significativa com contas de energia, água, gás, gasolina etc, que têm tido aumentos sucessivos acima da inflação. Então, a parcela maior da renda dessa pessoa está sendo comprometida com coisas que são indispensáveis para a vida do cidadão. E são esses produtos que têm comprometido muito a renda do trabalhador. Então, como ele não pode abrir mão disso, prioriza esse pagamento, e vai deixando de pagar outros serviços que não serão cortados. A situação do brasileiro só vai melhorar com o aumento da renda do trabalhador”, afirma Moura.

Laís de Melo/Equipe JC