25/08/2026 as 05:51

SERGIPE/BRASILEIRÃO/FUTEBOL

Time feminino de Estância é a primeira equipe a chegar a uma final

Grupo contou com o apoio do Governo do Estado para conquistar o acesso inédito, e agora se prepara para a disputa do título  

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Pela primeira vez na história do futebol sergipano, um time do estado vai disputar uma final de Campeonato Brasileiro. O feito é da equipe feminina do Juventude de Estância, que chegou à final da Série A3 e enfrenta o time do Planalto-GO na decisão. A conquista inédita, jamais alcançada por nenhuma equipe masculina do estado, chega para consagrar a história do time, fundado há pouco mais de duas décadas. O clube do sul de Sergipe vive seu momento de maior brilho graças a um projeto que começou há pouco mais de dois anos. A equipe feminina, montada para estrear no campeonato estadual em 2024, enfrentou as dificuldades comuns à categoria nos primeiros passos. Mas o empenho do grupo, somado a um patrocínio inédito recebido do Governo do Estado, foi suficiente para que, em curto espaço de tempo, o time chegasse à decisão nacional e já garantisse o acesso à Série A2 no próximo ano.

O presidente do Juventude de Estância, Josué dos Santos, presente em todo o processo à frente do time do sul do estado, destacou que precisou recorrer a soluções menos tradicionais para montar o elenco e atingir o primeiro objetivo. "Um time que veio de rifa em 2024 e conseguiu ser campeão mesmo assim", relata o gestor.

O título abriu portas. Com ele, veio o maior patrocínio da história do futebol feminino em Sergipe até então — o Governo do Estado investiu R$ 100 mil para a equipe se planejar para 2025. E logo o nível subiu, com o bicampeonato estadual invicto e um rápido impacto no cenário nacional. E, mesmo com a inexperiência nesse nível de disputa, o efeito foi imediato. Logo no Brasileirão A3 de 2025, em que era calouro, o time de Estância fez a melhor campanha da história de um clube do estado na categoria.

Alice Sarah está no Juventude desde o início do projeto do futebol feminino, e também passou por cima de diversas essas dificuldades. "De lá para cá teve uma mudança imensa, é incomparável. Hoje nos veem com olhos melhores, conseguem nos oferecer uma ajuda maior, uma estrutura melhor", relata a volante da equipe.

E o que já apontava para um crescimento dentro das quatro linhas foi impulsionado pelo incentivo fora dos gramados. O secretário de Estado do Esporte e Lazer, Flávio Oliveira, enfatizou que o investimento deu um salto em 2026, com o valor do apoio subindo para R$ 120 mil destinados ao campeão estadual. "De lá para cá, a participação das equipes no Campeonato Sergipano aumentou e os resultados apareceram, frutos desse incentivo e dessa valorização. Com isso, as equipes se preparam melhor, sabendo que têm a tranquilidade de investimento de médio e longo prazo", afirma o secretário.

Na prática, esses recursos significam não só a sobrevivência financeira do clube, como também a ampliação do projeto. As novas condições geradas por esse novo olhar ao futebol feminino no estado geram mudanças como a possibilidade de alojar atletas, melhorar a estrutura e a alimentação, tornando as jogadoras mais próximas ao dia a dia do Juventude.
 
Das rifas ao acesso

Com o incentivo e o planejamento, o principal objetivo de médio prazo do clube foi cumprido. Após chegarem invictas às quartas-de-final, as meninas de Estância venceram as duas partidas contra o Prosperidade (ES) e alcançaram o acesso inédito do futebol feminino sergipano. Josué aponta que essa estabilidade propiciou um planejamento diferente. "Em 2026, a gente já veio com outra visão. Já sabíamos como contratar e valorizar as jogadoras", afirma o gestor.

Alice destaca que o apito final foi a realização do sonho. "Foi um momento gratificante, a gente não consegue nem mensurar ainda, olhando para o Juventude do início. De um time que vendia rifa para um time que subiu para a Série A2, que faz a melhor campanha da competição", destacou a jogadora, que agora se prepara também para disputar a final nacional — a primeira na história de Sergipe — após duas vitórias contra a Portuguesa (AP). E do Juventude de Estância, também, a artilheira da competição este ano: Laureen, até agora com 11 gols marcados.

E o acesso gera ainda um impacto indireto, que fomenta outras equipes femininas do estado. Com o Juventude de Estância na Série A2, Sergipe recebe outra vaga para um clube disputar a Série A3 em 2027, garantindo duas equipes locais disputando os campeonatos nacionais, aumentando o calendário do futebol sergipano e abrindo novas vagas nos elencos para jogadoras que sonham em disputar essas competições.

Estabilidade e valorização

Com a transformação do clube, vem também a mudança na vida de quem participa do projeto. Casos como o de Alice, que atingiu um dos maiores desejos de quem vive pelo esporte. "A gente começou pelo sonho. Em 2024, além de jogar no Juventude, eu trabalhava em uma loja de celulares. E hoje eu vivo só do futebol, com o que eu recebo por jogar", relata a jogadora sobre a profissionalização do futebol feminino no estado.

Para o presidente, isso é fruto do apoio financeiro e das metas atingidas pelo clube, e o progresso também impulsiona e recompensa as jogadoras de dentro de Sergipe, garantindo independência. "Hoje nós temos sete sergipanas. Jogadoras com propostas para sair do estado, mas que estão sendo valorizadas aqui. O projeto vai crescendo para que elas possam se sentir cada vez mais seguras onde estão", relata Josué. "Temos meninas que a gente paga mais hoje mensalmente do que ano passado por um trimestre inteiro, e agora nós vamos acompanhar o nível da Série A2 para não ficar para trás", conclui o mandatário.

Sergipe na rota do futebol feminino

Sergipe tem um calendário recheado de torneios femininos. Entre eles, o secretário do Esporte e Lazer destaca a Copa Serigy. "Essa competição é pensada justamente para fomentar o futebol feminino, envolvendo os 75 municípios. Isso tem feito com que mais meninas possam jogar, e temos mais talentos aparecendo com esse espaço e visibilidade", diz Flávio.

Além disso, a participação do estado em competições que envolvem outras federações também vem crescendo. Em novembro, Sergipe receberá a segunda edição da Copa Rainha Marta, competição que movimenta a categoria no Nordeste. Flávio Oliveira aponta que esses certames ultrapassam as barreiras do futebol, movimentando vários setores produtivos. "Tudo isso mexe com uma cadeia não só do esporte: economia, turismo, muito além do futebol, trazendo atletas de outros estados e ocupando a rede hoteleira com essas atletas", enfatiza.

Enquanto isso, Sergipe aguarda qual será a seleção que se hospedará no estado durante a aclimatação para a Copa do Mundo Feminina de 2027, disputada no Brasil. Com todos os requisitos da Fifa já preenchidos, Flávio Oliveira destaca que o ambiente do mundial gera um vislumbre do futuro. "Isso atrai o público, anima, cria sonhos. Toda atleta, quando começa a jogar, pensa nisso. O Juventude subindo dá esperança às meninas que estão começando, que querem disputar um campeonato brasileiro, querem estar nas melhores competições, disputar uma Copa do Mundo", conclui o secretário, apontando o novo papel de Sergipe no cenário do futebol feminino que rompe as barreiras do estado.