25/08/2026 as 05:51
SERGIPE/BRASILEIRÃO/FUTEBOLGrupo contou com o apoio do Governo do Estado para conquistar o acesso inédito, e agora se prepara para a disputa do título
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Pela primeira vez na história do futebol sergipano, um time do estado vai disputar uma final de Campeonato Brasileiro. O feito é da equipe feminina do Juventude de Estância, que chegou à final da Série A3 e enfrenta o time do Planalto-GO na decisão. A conquista inédita, jamais alcançada por nenhuma equipe masculina do estado, chega para consagrar a história do time, fundado há pouco mais de duas décadas. O clube do sul de Sergipe vive seu momento de maior brilho graças a um projeto que começou há pouco mais de dois anos. A equipe feminina, montada para estrear no campeonato estadual em 2024, enfrentou as dificuldades comuns à categoria nos primeiros passos. Mas o empenho do grupo, somado a um patrocínio inédito recebido do Governo do Estado, foi suficiente para que, em curto espaço de tempo, o time chegasse à decisão nacional e já garantisse o acesso à Série A2 no próximo ano.Com o incentivo e o planejamento, o principal objetivo de médio prazo do clube foi cumprido. Após chegarem invictas às quartas-de-final, as meninas de Estância venceram as duas partidas contra o Prosperidade (ES) e alcançaram o acesso inédito do futebol feminino sergipano. Josué aponta que essa estabilidade propiciou um planejamento diferente. "Em 2026, a gente já veio com outra visão. Já sabíamos como contratar e valorizar as jogadoras", afirma o gestor.
Alice destaca que o apito final foi a realização do sonho. "Foi um momento gratificante, a gente não consegue nem mensurar ainda, olhando para o Juventude do início. De um time que vendia rifa para um time que subiu para a Série A2, que faz a melhor campanha da competição", destacou a jogadora, que agora se prepara também para disputar a final nacional — a primeira na história de Sergipe — após duas vitórias contra a Portuguesa (AP). E do Juventude de Estância, também, a artilheira da competição este ano: Laureen, até agora com 11 gols marcados.
E o acesso gera ainda um impacto indireto, que fomenta outras equipes femininas do estado. Com o Juventude de Estância na Série A2, Sergipe recebe outra vaga para um clube disputar a Série A3 em 2027, garantindo duas equipes locais disputando os campeonatos nacionais, aumentando o calendário do futebol sergipano e abrindo novas vagas nos elencos para jogadoras que sonham em disputar essas competições.
Estabilidade e valorização
Com a transformação do clube, vem também a mudança na vida de quem participa do projeto. Casos como o de Alice, que atingiu um dos maiores desejos de quem vive pelo esporte. "A gente começou pelo sonho. Em 2024, além de jogar no Juventude, eu trabalhava em uma loja de celulares. E hoje eu vivo só do futebol, com o que eu recebo por jogar", relata a jogadora sobre a profissionalização do futebol feminino no estado.
Para o presidente, isso é fruto do apoio financeiro e das metas atingidas pelo clube, e o progresso também impulsiona e recompensa as jogadoras de dentro de Sergipe, garantindo independência. "Hoje nós temos sete sergipanas. Jogadoras com propostas para sair do estado, mas que estão sendo valorizadas aqui. O projeto vai crescendo para que elas possam se sentir cada vez mais seguras onde estão", relata Josué. "Temos meninas que a gente paga mais hoje mensalmente do que ano passado por um trimestre inteiro, e agora nós vamos acompanhar o nível da Série A2 para não ficar para trás", conclui o mandatário.
Sergipe na rota do futebol feminino
Sergipe tem um calendário recheado de torneios femininos. Entre eles, o secretário do Esporte e Lazer destaca a Copa Serigy. "Essa competição é pensada justamente para fomentar o futebol feminino, envolvendo os 75 municípios. Isso tem feito com que mais meninas possam jogar, e temos mais talentos aparecendo com esse espaço e visibilidade", diz Flávio.
Além disso, a participação do estado em competições que envolvem outras federações também vem crescendo. Em novembro, Sergipe receberá a segunda edição da Copa Rainha Marta, competição que movimenta a categoria no Nordeste. Flávio Oliveira aponta que esses certames ultrapassam as barreiras do futebol, movimentando vários setores produtivos. "Tudo isso mexe com uma cadeia não só do esporte: economia, turismo, muito além do futebol, trazendo atletas de outros estados e ocupando a rede hoteleira com essas atletas", enfatiza.
Enquanto isso, Sergipe aguarda qual será a seleção que se hospedará no estado durante a aclimatação para a Copa do Mundo Feminina de 2027, disputada no Brasil. Com todos os requisitos da Fifa já preenchidos, Flávio Oliveira destaca que o ambiente do mundial gera um vislumbre do futuro. "Isso atrai o público, anima, cria sonhos. Toda atleta, quando começa a jogar, pensa nisso. O Juventude subindo dá esperança às meninas que estão começando, que querem disputar um campeonato brasileiro, querem estar nas melhores competições, disputar uma Copa do Mundo", conclui o secretário, apontando o novo papel de Sergipe no cenário do futebol feminino que rompe as barreiras do estado.