18/02/2025 as 09:06

ENTREVSITA

Drª Clarisse Ribeiro fala sobre sua trajetória na advocacia

Filha do renomado advogado que dá nome ao escritório, Clarisse galgou uma trajetória respeitável no Direito

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DRª CLARISSE RIBEIRO

A entrevistada da semana é a advogada Drª Clarisse Ribeiro, que integra há quase 20 anos um dos maiores escritórios jurídicos de Sergipe: o Eduardo Ribeiro Advocacia, que neste ano completa 45 anos de atuação em todo o Brasil. Filha do renomado advogado que dá nome ao escritório, Clarisse galgou uma trajetória respeitável no Direito, inclusive ocupando os cargos de conselheira da Presidência do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE) e de Juíza do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE/SE). Conheça um pouco da trajetória de Clarisse Ribeiro.

JC SOCIAL - Fale um pouco sobre como a advocacia surgiu na sua vida.
CLARISSE RIBEIRO -
Eu nasci em uma família que vive o Direito e, ainda pequena, na escola, como também nos bancos da faculdade, era comum as pessoas citarem e elogiarem não só o meu pai – Eduardo Ribeiro -  com quem divido o meu dia -a -dia profissional no escritório, como a minha mãe – Socorro Ribeiro – e o meu Avô – Dr. Rochinha. O orgulho que sempre senti da caminhada profissional deles foi o meu maior incentivo para seguir na advocacia,  pois, desde cedo, eu tinha essa vontade de também ser reconhecida profissionalmente de forma positiva. No início ainda tentei fugir dessa vocação e cursei Psicologia na UFS ao mesmo tempo em que cursava Direito na Unit. No decorrer do caminho, entretanto, percebi que o amor pelo Direito e a busca em fazer Justiça fazia parte da minha essência e foquei exclusivamente na faculdade de Direito. Hoje sei que muito do que aprendi no curso de Psicologia me ajuda a entender a dor dos meus clientes.

JC SOCIAL - A senhora foi juíza do TRE entre 2020 e 2022. Como avalia a sua passagem pela magistratura?
CLARISSE RIBEIRO Confesso que ser escolhida para  integrar o Tribunal Eleitoral ao lado de grandes nomes do Judiciário Sergipano, sendo eu, ainda jovem - embora não tanto - mas extremamente consciente do papel da democracia para o desenvolvimento da sociedade, foi a realização de um grande sonho profissional e considero aquele período extremamente positivo, engrandecedor e marcante. Poder enxergar a Justiça por um ângulo ao qual não estava acostumada me fez amadurecer e ampliar a minha visão do Direito, inclusive, em relação ao papel do advogado e da sua relação com os Tribunais. 

JC SOCIAL - Para a senhora, qual o conceito de Justiça ideal?
CLARISSE RIBEIRO A justiça ideal seria aquela capaz de realizar, com presteza, efetividade e equilíbrio o seu ideal que é nato do ser humano em sua noção de igualdade e que as constituições democráticas consagram.

JC SOCIAL - Ser filha de Eduardo Ribeiro pesa? Quais os pontos positivos?
CLARISSE RIBEIRO Com certeza e, eu poderia passar o dia inteiro aqui só escrevendo o privilégio e os inúmeros pontos positivos que existem em ser filha de Eduardo Ribeiro. Além de ser meu pai, ele é o meu maior ídolo profissional, o meu grande parceiro de batalhas jurídicas e o meu melhor amigo. Este ano, nosso escritório completa 45 anos de história, dos quais atuo profissionalmente há mais de 20. Cheguei como estagiária logo no início da faculdade e hoje sou sócia e gestora da área cível. Tenho consciência de que ser filha dele sempre foi um privilégio para mim e, justamente por isso, sempre o abracei e me cobrei em dobro para cumprir com minhas responsabilidades profissionais não só para fazer jus à credibilidade que o nosso escritório alcançou, mas também para que ele, algum dia, pudesse sentir por mim, pelo menos um pouco de todo o orgulho que sempre senti da sua caminhada na advocacia que sempre foi muito bonita e, acima de tudo, respeitada. 

JC SOCIAL - Sobre a maternidade e a profissão, como faz para conciliar?
CLARISSE RIBEIRO Ser mãe próximo de completar 40 anos não foi algo que planejei, mas hoje sinto que faz toda a diferença. A maturidade que alcancei me dá segurança para lidar com os desafios que envolvem a maternidade e a profissão, equilibrando melhor esses papéis. Atualmente, consigo compreender melhor a hora de focar no trabalho e a hora de me dedicar à atenção da minha pequena Anatália.

JC SOCIAL - Recentemente, a advocacia sofreu mais um baque com a resolução do CNJ que permite o fim da sustentação oral. Como a senhora avalia essa situação e outras que ferem as prerrogativas da classe?
CLARISSE RIBEIRO A Resolução 591/2024 do CNJ enfraquece a advocacia e afronta as nossas prerrogativas de advogado. A sustentação oral é um momento essencial para a defesa dos nossos clientes em determinados julgamentos, pois é quando podemos expor e desenvolver claramente nossos argumentos e até abordar questões que possam surgir no calor daquele momento. Mudar esse formato para uma sustentação gravada fere mortalmente nossas prerrogativas e compromete a atuação das advogadas e advogados. Em posicionamento recente, o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, pediu que os tribunais estaduais mantivessem a sustentação oral presencial e acredito que o TJSE seguirá essa orientação. Ao mesmo tempo, nós, advogadas e advogados, devemos seguir atentos e unidos em favor das nossas prerrogativas. O direito negado a um precisa ser sentido e visto como uma responsabilidade de todos.