09/01/2018 às 13h32 - Economia

Três passos rumo a uma vida financeira saudável

Um dos passos enumerados pela economista Magali Alves é a organização.

Por: Laís de Melo/ Equipe JC

Alcançar o controle dos gastos, quitar dívidas e sair do vermelho é algo que qualquer pessoa deseja, mas essa não é uma tarefa tão fácil para alguns. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo, o percentual de famílias com dívidas, entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro, foi maior em dezembro de 2017, com índice de 62,2%, do que o mesmo período em 2016, que registrou índice de 59,0%. 

 

No último estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), a realidade sergipana em outubro de 2017 indicava uma média de 60% de famílias endividadas. Diante dos dados, a economista Magali Alves enumerou três passos para se ter uma vida financeira saudável em 2018, onde o principal deles é a organização. Era o que estava faltando para a consultora turística, Manuela Gallo, por isso no início do ano decidiu comprar um caderno onde passou a anotar todas as despesas e gastos que ocorrerão no decorrer do ano.  

 

“Minhas contas eram muito soltas. Eu não tinha controle de nada. Não anotava. Fazia uma conta básica de cabeça sempre. Todo mês entrava no cheque especial. Decidi então mudar isso em 2018 e comprei uma agenda onde anoto tudo o que gasto e tudo que tenho que pagar a cada mês. Estou conseguindo me controlar melhor e até agora não entrei no cheque especial”, conta a aracajuana. Manuela pretende comprar um carro em 2018 e para isso terá maiores obrigações financeiras. “Por isso mesmo que quero ter um maior controle e evitar alguma dívida”, disse. 

 

Segundo a economista, Manuela fez a escolha certa. A organização é o primeiro passo a ser dado por quem deseja manter uma vida financeira saudável, de acordo com Magali. “É preciso ter um registro de todas as contas. Tem algumas pessoas com mais facilidade com computador e faz isso em planilha no Excel. Mas, mesmo que não tenha essas condições, pode fazer normalmente com caderninho mesmo, anotando algumas informações financeiras, para se ter as previsões de gastos. Tem as despesas pontuais que vão ocorrer durante o ano e a pessoa tem que se prevenir ou pelo menos colocar isso de forma cronológica para saber qual a disponibilidade financeira durante o ano”, explica.

 

É importante saber quanto se ganha de fato. “A maioria das pessoas não tem esse tipo de controle, de saber quanto realmente recebe, qual a receita real. Em geral, se fala muito do valor bruto e esquece de fazer a avaliação do líquido. Quem é mais minucioso vai conseguir dizer quanto recebe por hora trabalhada, e aí é possível um controle financeiro bem maior”, ressalta a economista. 

 

Depois de iniciada a organização por escrito, o segundo passo é fazer a anotação mensal. “É preciso escrever separadamente o tipo de gasto que se tem durante cada mês. Tem aqueles valores fixos, como mensalidade de escola, aluguel, parcela de empréstimo etc. Tem os gastos variáveis, que tem todos os meses, porém, o valor varia, como conta de água, energia, supermercado. Mas o principal gasto que temos que fazer uma análise é o arbitrário, aquele que acontece às vezes, como uma saída ou uma compra de roupa que viu em promoção, que é o que faz com que muitos percam o controle das finanças. Essa é a melhor forma de visualizar como se está gastando dinheiro”, reforça Magali. 

 

Por último, o terceiro passo para uma vida financeira saudável é traçar planos e metas para 2018. “O que você quer atingir esse ano? Comprar um carro? Um apartamento? Podem até ser planos menores, como liquidar uma dívida. A partir daí, quando você começar a traçar os planos, vai ter que pensar em ações que vão te levar a atingir o objetivo. Terá que começar a pensar no gasto diluído no tempo. O quanto gasta por mês, o quanto você tem comprometido, para poder fazer a poupança, por exemplo”, explica. 

 

Segundo Magali, o ano de 2017 não foi um ano bom para a economia do país, porém 2018 se programa para ser um ano melhor. “Ainda assim, estamos com o pé no freio na economia. Então, devemos evitar de qualquer forma gastos abusivos. Evitar mais endividamento”, orienta a economista. 

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