10/04/2018 às 15h56 - Mercado

Feriados: comércio varejista deve perder R$ 11,3 bilhões

Montante é 15% superior ao projetado no ano passado. Assunto divide opiniões.

Por: Grecy Andrade/ Equipe JC

O comércio varejista brasileiro deve perder R$ 11,3 bilhões em 2018 em decorrência dos feriados nacionais e locais. É o que estima a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Esse montante é 15% superior ao dado projetado em 2017. Sergipe, por exemplo, é um dos estados em que o comércio mais fecha em feriados, e o assunto divide opiniões entre a classe trabalhadora e os patrões. 

 

O presidente do Sindicato dos Lojistas do Shopping Jardins, Saulo Emídio, para uma melhor recuperação da economia, o empresário defende o fim do engessamento de horários do funcionamento do comércio. Ou seja, que os lojistas optem pela abertura das lojas em alguns feriados. Ele lembra que Sergipe é um dos estados que mais fecham lojas em feriados. 

 

“Ainda estamos sem convenção coletiva, e a abertura ou não das lojas no feriado depende dessa convenção. Quando abrimos no feriado, o funcionário ganha hora extra 100% mais uma gratificação. Sergipe só abre em cinco feriados e fecha o resto, já a Bahia, fecha em cinco e abre o restante. Então, o turista que vem a Sergipe vai à praia pela manhã e à tarde não tem o que fazer, ele quer ir ao shopping, mas está fechado. Por isso, acredito que devemos rever essa situação”. 

 

Saulo lembra ainda que a data-base do comércio é dia 1º de janeiro, mas, até o momento, a convenção coletiva não foi votada. “A convenção venceu no dia 31 de janeiro, a nossa data base é dia 1º de janeiro, já estamos no dia 9 de abril e com a reforma trabalhista, é preciso fechar outra convenção. Esse é um assunto delicado. Atualmente temos 350 assinaturas de funcionários do shopping que gostariam de trabalhar em alguns feriados, muitos reclamam que sem trabalhar nos feriados acabam perdendo de 10% a 12% de salário no final do mês, pois eles recebem hora extra dobrada, ajuda de custo mais comissão. Então, para muitos é mais vantajoso trabalhar em dia de feriado”, comentou.

 

Ainda segundo o presidente da Associação, é preciso entendimento entre classe patronal e trabalhadores. “É necessário entendimento e parceria mútua, pois abrindo no feriado ganha lojista, ganha trabalhador, ganha turista, e ganha o mercado como um todo. Mas se fechar, todo mundo acaba perdendo”, friso, 

 

Já para o presidente do Sindicato dos Comerciários de Sergipe, Romildo Almeida, dizer que o setor varejista perde porque não abrem as lojas em feriados é equivocado. “Só se ganha de um lado. Todos os países têm feriados, inclusive um dos mais capitalistas que é os Estados Unidos. Há países que têm mais e outros menos feriados. Então, sabe por que os trabalhadores não querem trabalhar em feriados? Porque eles não têm reajuste, ganham um piso mínimo, não recebem hora extra, os patrões querem pagar o dia trabalhado com banco de horas. Então, dessa forma não tem como o trabalhador ser a favor de trabalhar em feriados”, revelou. 

 

“Se o empregador quer a mão de obra, ele tem que fazer isso de forma respeitosa. Os governantes querem gerar emprego, mas só gera emprego contratando. Então, o empecilho é abrir sem pagar nada. É um piso miserável, uma jornada de trabalho excessiva. Infelizmente o Ministério do Trabalho não tem pessoal suficiente para fiscalizar tudo. Enquanto isso, vamos denunciando as questões mais graves e querendo a negociação coletiva que satisfaça o patrão, mas também os empregados”, reforçou Almeida. 

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