04/05/2018 as 09:24

Moradia

Casas contêineres vieram para ficar

Diferentes e sustentáveis, elas precisam de tratamento térmico e acústico para garantir conforto aos usuários


Desde o começo deste século, o conceito de “pensar fora da caixa” tem ganhado espaço cada vez mais relevante na sociedade. Como consequência, a cada dia que passa somos bombardeados por notícias que relatam inovações nas mais variadas áreas de conhecimento. E o universo da arquitetura não poderia ficar fora disso. Dentro desse contexto, a constante busca por materiais alternativos na hora de construir não para de crescer. E uma das sensações do momento é o uso de contêineres de transporte marítimo e ferroviário como estrutura de casas e escritórios.

                                     

A ideia agrada a diversos públicos. Os ecologicamente conscientes veem na novidade uma forma de contribuir com a natureza, uma vez que estarão reaproveitando um material com tempo de vida limitado, fadado ao descarte, muitas vezes, pouco controlado pelas autoridades. Quem deseja economizar também está vibrando com a tendência. Afinal de contas, uma obra com uma estrutura pré-fabricada como os contêineres tende a ser muito mais barata que aquelas realizadas com base nos sistemas construtivos tradicionais, como a alvenaria.


O mercado já apresenta várias empresas especializadas na comercialização e adaptação dos contêineres para esse uso alternativo. Os produtos podem até mesmo ser encontrados em market places online, tamanha a popularização.

Mas nem tudo são flores. Diferentemente dos tijolos, o aço que compõe os contêineres é um excelente condutor térmico. Isso significa que quem está dentro da estrutura fica muito mais exposto às variações climáticas, o que inclui calor e frio extremos. O aço dos contêineres também não colabora muito quando o tema em questão são os ruídos. Basta comparar o barulho produzido por uma chuva forte batendo contra um muro de alvenaria e contra chapas de aço para que se tenha noção do tamanho do problema.

Lã de vidro
É aí que entram os isolantes térmicos e acústicos. Com o tratamento adequado, eles podem trazer o mesmo conforto de uma casa de alvenaria, de acordo com o engenheiro Marcelo Dalmaso. Há anos, ele trabalha na adaptação dos contêineres para diversas finalidades e descobriu nos isolantes a solução ideal para aumentar o conforto térmico e acústico dos usuários. “Venho usando as lãs de vidro de 100 milímetros da Isover”, diz, citando a multinacional do Grupo Saint-Gobain.


Dalmaso conta que o fato de os produtos da Isover serem incombustíveis é uma outra vantagem da solução. “Eu mexo muito com solda para fazer as adaptações nos contêineres. Saber que o produto não pega fogo me deixa muito mais tranquilo”, diz. E a variedade de aplicações é enorme. Desde moradias, passando por escritórios até mesmo um pub. O engenheiro conta que inclui também nos projetos dele um trabalho chamado de sombreamento do aço, que consiste no uso de materiais alternativos do lado de fora suportados por grades de aço. “Madeira e outros materiais são posicionados a uma pequena distância da parede, suportados por grades de aço. Essa estrutura contribui com o isolamento”, diz.
Independentemente do processo utilizado, o fato é que o segredo para um bom conforto térmico e acústico está na lã de vidro, que é o material mais isolante e seguro do mercado, e que é o principal item para garantir a eficácia do sistema. E graças a esse esforço conjunto entre desenvolvedores de tecnologia e realizadores, o mercado de construções sustentáveis não para de crescer, beneficiando toda a sociedade.