04/05/2018 as 09:46

Após desabamento de prédio, falta de moradia volta a ser lembrada

Firmo Santos - Coordenador do Fórum em Defesa da Grande Aracaju


Após desabamento de prédio, falta de moradia volta a ser lembrada

O déficit habitacional no Brasil, especialmente nas grandes cidades, é um problema para o qual os governos fecham os olhos. Durante muitos anos, a construção de habitação popular ficou esquecida. E o financiamento oficial era – e voltou a ser há dois anos – prioritário para quem pode pagar. Para os “remediados”, leia-se, os da classe média.

Porém, quase não se tem mais notícia de imóveis destinados às famílias com renda de zero a três salários mínimos. O Programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal, visava corrigir essa distorção. No entanto, a lentidão e as máfias dentro dos movimentos sociais vinham dificultando o acesso de quem realmente precisa. Vinham maculando o programa.

Aqui, em Sergipe, conheço pessoas que, para serem contempladas com um imóvel do “Minha Casa, Minha Vida”, tiveram que pagar uma “taxa” a determinados(as) mafiosos(as): R$ 6 mil, R$ 8 mil, R$ 10 mil... Denunciar? Infelizmente, os extorquidos não denunciaram por medo ou por achar a extorsão algo natural, algo normal.


Agora, com o desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, antiga sede da Polícia Federal, na região do Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, ocupado por pessoas que não tinham onde morar, o assunto volta timidamente a ser lembrado por alguns segmentos – a tragédia aconteceu na última terça-feira, dia 1º de maio. A grande imprensa lembra mais dos bandidos que transitam nos movimentos, cobrando “aluguel” de espaços em um prédio ocupado, mas falam muito pouco sobre a dureza do trabalhador pobre sem um teto nas grandes cidades.