10/08/2018 as 08:59

Impulso artístico e técnica de impressão elevam a fotografia ao status de obra de arte

Vale lembrar, ainda, que somente fotos não decoram um ambiente por si sós. É preciso pensá-las em conjunto com os móveis, iluminação, cores e acessórios.


A decoração de uma casa ou apartamento carrega nos ambientes a personalidade de quem ali habita. Em meio aos móveis, itens adquiridos em viagens, objetos pessoais e peças oriundas de herança familiar compõem o espaço que fazem uma residência se tornar um lar. Um dos artifícios que auxiliam na busca pela materialização da individualidade dos moradores é a fotografia. E elas não se limitam apenas a cliques pessoais ou de momentos em família.

                                                                        


Para o fotógrafo Gilton Rosas, registros fotográficos trazem vida ao ambiente, além de poderem ser apreciados durante horas, dias e meses, porque sempre algo novo pode ser observado. Quando esses registros são produzidos por impulso artístico e estético sem a preocupação de ser documental ou comercial, o “click” passa a ter status de obra de arte. “Fine Art é uma fotografia que requer um olhar mais atento e minucioso do autor. A pós-produção das imagens passa pelo estilo de tratamento e pela escolha certa do tipo de papel. Em particular, os meus são impressos em papel algodão de 310 gramas, pigmento mineral, impressora específica e um fechamento da moldura seguindo o padrão desejado. As obras têm tiragem limitada e são numeradas para lhes conferir raridade. Por isso, essas obras são tão valorizadas no mercado de artes”, afirma Gilton.

Conceito na prática
A jornada para a fotografia chegar a esse status não foi simples. Quando esses primeiros trabalhos foram feitos como arte, houve grande questionamento pelo processo mecânico pelo qual passavam, e a fotografia começou a adotar as convenções da pintura a óleo, combinando cenários, manipulação de imagem, composição com os modelos. Já no século XX, as Belas Artes se libertaram dessas convenções estéticas e começaram a buscar novas inspirações. Então, incorporaram a fotografia. “Foi a partir dos anos 1980 que a fotografia passou a receber este conceito e foi levada à decoração de ambientes, até então, dominados pela pintura. No nosso processo de trabalho, às vezes, a imagem perfeita está ali, pronta, e basta um “click” e alguns segundos. Outras podem passar muitos e longos dias. Dependemos da composição, da luz, do local, enfim, do que se quer realmente capturar naquele cenário”, pontua Gilton Rosas.


Na hora de ambientar o espaço, a parede onde as fotografias serão fixadas deve estar bem visível e sem outros detalhes decorativos, para evitar a concorrência de atenção e poluição visual. Corredores largos e paredes grandes são boas opções para inseri-las. Usar tamanhos diversificados prometem deixar o visual do ambiente mais dinâmico.


Vale lembrar, ainda, que somente fotos não decoram um ambiente por si sós. É preciso pensá-las em conjunto com os móveis, iluminação, cores e acessórios. Em contrapartida, não há regras rígidas sobre o uso: coloridas podem compor com fotos em preto e branco ou sépia, podem receber moldura, ou não, tudo depende do gosto e da necessidade de quem vai contemplá-la todos os dias.