19/07/2019 as 08:57

MORAR BEM

Comprar pronta ou construir, o que vale mais a pena?

Decisão pode ser difícil, mas deve levar em conta as necessidades do comprador.


Comprar pronta ou construir, o que vale mais a pena?Foto: Jadilson Simões/equipe JC

“Construir casa tem que ter paciência e sangue frio, porque senão, fica doido”. Iniciar uma matéria com uma declaração desta, até assusta o leitor. Pois bem, vamos para outra frase: “Foi tão bom entrar no apartamento sem precisar fazer nada. A parte ruim foi quando percebi o quanto gastei”.


Apesar das declarações antagônicas, ambas refletem uma decisão difícil de ser tomada e que, em algumas vezes, pode gerar o famoso arrependimento. Isso mesmo. As personagens que ilustram a matéria têm em comum o desejo de realizarem o sonho das suas vidas. De que forma? Vejamos as escolhas de cada uma delas.


A primeira é a jornalista e advogada Palloma Figueiredo. Mãe de uma menina, ela e o esposo decidiram que o sonho de ambos deveria partir da premissa da felicidade da pequenina em primeiro lugar. E assim foi feito.


“A gente morava em um apartamento e a nossa filha nasceu. Era um apartamento antigo muito bom, mas não tinha com quem minha filha brincar e eu queria um apartamento e meu marido uma casa. Nessa busca, tudo muito caro porque foi antes da crise imobiliária”, relata Palloma.


E foi aí que teve início a sua saga. O casal decidiu alugar uma casa em um condomínio para experimentar a sensação de morar em uma casa, já que as experiências se formaram em torno de apartamentos. Fizeram o teste e a previsão se concretizou: a filha do casal se sentiu, literalmente, em casa.


“A gente começou a olhar casa, só que estava tudo muito caro. Foi quando a gente resolveu comprar um terreno. Compramos um terreno na planta, o condomínio estava lançando ainda, demorou 2 anos para ficar pronto e quando entregou, a gente logo começou a construir. Tudo levou uns três, quatro anos. A gente construiu a casa super-rápido, em 10 meses”, explica a jornalista-advogada.


Mas, para encarar o desafio de construir uma casa sem o auxílio de uma empresa, a jovem contou com a ajuda do pai, que é engenheiro e dispunha de tempo para ajudá-la. Ainda assim, ela contou com alguns percalços no caminho, como extrapolar o orçamento nos acabamentos e também um estresse com a pintura do imóvel. Porém, o seu objetivo foi alcançado. Segundo ela, com a decisão, a economia pode ter ultrapassado os 40%.


“Meu pai era engenheiro e eu já ia economizar nessa questão da administração da obra. Só aí, eu já iria economizar de 5 a 10%, porque é o que, normalmente, os engenheiros cobram para isso. Então, terceirizei um mestre de obras com a equipe dele, o que ficou mais barato do que contratando empresa de construção. Uma economia enorme. Uns 20, 30% de economia, ou mais. Depende do orçamento e do padrão da casa, mas a economia foi grande mesmo. Construir casa tem que ter paciência e sangue frio, porque senão, fica doido. Valeu a pena”, diz Palloma.


Já a professora Carla Santana, optou por diminuir o stress e colocar todos os seus pertences e mudar assim que recebeu a chave do apartamento.

Para ela, a comodidade foi o fator principal na hora da escolha.


“Não teria paciência para encarar uma obra de jeito nenhum. Tinha um dinheiro guardado e resolvi dar de entrada num apartamento e financiar o restante. Não me vejo passeando por diversas lojas pesquisando preço de material para casa”, revela a professora.


Apesar de tudo, Carla tem uma queixa a fazer. Segundo ela, se tivesse dinheiro e calma poderia ter feito o mesmo que Palloma. Desta forma, evitaria enfrentar um financiamento que, no fim das contas, pagará quase que o valor de dois imóveis.


“Foi tão bom entrar no apartamento sem precisar fazer nada. A parte ruim foi quando percebi o quanto gastei. Mas, não tinha alternativa. Era o que dava para fazer. Paguei mais caro no fim das contas por causa dos juros, mas acabou. Também, eu não teria paciência para enfrentar uma obra inteira. Deus sabe o que faz”, afirma Carla.


Para o arquiteto da Maynart Construções, Jerônimo Maynart, dá sim para economizar mesmo contratando uma pequena construtora. Ele também concorda quanto à comodidade em comprar um imóvel pronto para morar.


“Se formos comprar uma construção pronta, nos damos ao luxo de estar livre de todos esses problemas, em compensação, você vai pagar de 20 a 40% mais caro por um imóvel, onde esse percentual vai para os incorporadores e grandes construtores e você termina pagando mais caro. Como sugestão, eu digo que seria mais interessante contratar uma pequena construtora, onde ela elabora os projetos e faz um plano de trabalho para a execução dessa obra. Desta forma, você vai comprar um produto que está dentro daquilo que está dentro dos seus planos”, sugere o arquiteto.


Ele diz ainda que existem alternativas quando se contrata uma pequena empresa para tocar a obra e que pode ser interessante para o comprador do imóvel.


“Pode ser feito no sistema misto, onde o morador compra o material ou parte dele e a empresa entra com a mão de obra. Ou então, a empresa pode se responsabilizar por tudo e você se livra do processo todo”, explica Jerônimo.


Agora, a decisão está em suas mãos. Comprando pronto ou construindo do zero, o mais importante é a decisão de realizar o sonho da casa própria.