06/02/2018 às 16h35 - Cultura

‘Seu Flô’ será o grande homenageado do Carnaval 2018 em São Cristóvão

Florisvaldo Costa Pereira foi um apaixonado pela festa de Momo, sempre curtindo do primeiro ao último dia de folia.

Foto: Arquivo de Família/ Divulgação
“Não existe flor fedorenta, toda flor é cheirosa”, dizia 'Seu Flô'

 

Hoje, 6, a cidade histórica de São Cristóvão abre os festejos de Momo 2018, às 9h, na Casa do Folclore Zeca de Norberto, com a exposição ‘Flô: O Eterno Pierrô’, o grande homenageado do “Carnaval dos Carnavais” deste ano. Florisvaldo Costa Pereira ou Flô, como era conhecido por todos, foi um apaixonado pelo carnaval. Ao sair de casa, no primeiro dia de folia, prometia só voltar na quarta-feira de cinzas, e assim o fazia. 

 

Nascido na cidade de Laranjeiras (em 28 de julho de 1940) se instalou em São Cristóvão ainda criança com sete anos de idade, na companhia do pai Antônio, da mãe Alzira e dos irmãos Gevaldo, Eurides, Selmira e Maria das Dores. Trabalhando desde cedo para ajudar no orçamento de casa, Flô aprendeu com o amigo Hermes Pereira a arte de marceneiro, tornando-se um grande talhador. Na década de 70 foi eleito vereador, representando assim politicamente o povo da cidade que escolheu como sua.

 

Também conhecido por suas frases de efeito, Flôr adorava se perfumar e repetia sempre que alguém o questionava pelo excesso de perfume: “Não existe flor fedorenta, toda flor é cheirosa”. Foi com essa irreverência, carisma e elegância de um mestre-sala, que ele conquistou àquela que seria a sua companheira durante 50 carnavais, Ivanete Paiva Pereira, conhecida por Nininha. Com ela, Flô teve dois filhos: Flanklin Paiva Pereira e Ingrid Paiva Pereira.

 

“Desde jovem, ele sempre gostou de curtir o carnaval. Se hoje estivesse vivo, certamente, além de muito feliz pela homenagem, já teria ido à Aracaju para comprar o tecido e os adereços para a sua fantasia. Ano passado, no seu último carnaval, ele acompanhou os blocos sentado na frente de casa, e quando o último passou, ele me disse que naquele momento poderia morrer feliz”, confidenciou Ivonete Paiva Pereira.

 

Para a filha de Flô, acompanhar o pai durante o carnaval foi um hábito cultivado desde a infância. “Desde pequena acompanhava meu pai pelas ruas da cidade brincando carnaval. Para ele, a festa era feita de fantasia e marchinhas. Estou muito feliz e orgulhosa pela homenagem que o prefeito Marcos Santana está prestando ao nosso pai”, falou Ingrid Paiva Pereira.

 

Flanklin Paiva Pereira resolveu fazer uma homenagem marcando a pele com uma tatuagem da imagem do pai. “Fiz quando eles completaram 36 anos de casados. Tinha visto essa imagem que o professor Gladston Barroso fez e imediatamente tive a ideia de tatuar, ele merece”, afirmou.

 

Segundo o amigo de infância Erivaldo Mangueira Santos, Flô era um carnavalesco que amava a festa e se entregava empenhado em tudo o que fazia. “Fomos muito amigos, trabalhamos juntos na indústria têxtil, além de sermos conterrâneos. Flô era um cara que dominava o carnaval, será o eterno carnavalesco”, pontuou.

 

Carnaval dos carnavais 


O presidente da Fundação de Cultura e Turismo João Bebe Água, Gaspeu Fontes, destacou a importância do homenageado. “Ano passado eu e o prefeito Marcos Santana fomos visitar Flô e ele já estava bem debilitado. O prefeito, naquele momento, contou que ele seria o homenageado da festa em 2018. Infelizmente, a homenagem está sendo póstuma, pois o nosso desejo era que ele pudesse estar vivo, acompanhando tudo o que vem sendo feito em seu reconhecimento”, pontuou. 

 

“O que me chamou atenção no Flô, além de reconhecer a sua importância cultural para a cidade, foi a conexão que suas fantasias faziam com acontecimentos de relevância nacional. Para ele, carnaval era coisa séria, Flô tinha a preocupação de levantar a reflexão e fazer um debate, através das fantasias que confeccionava. Essa homenagem é mais que merecida para um personagem tão importante para o carnaval de São Cristóvão”, destacou o diretor de turismo da Fundact, Thiago Fragata.

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