11/04/2018 às 16h26 - Cultura

Fica, vai ter Banquete!

Grupo Caixa Cênica apresenta evento em formato laboratorial com o diretor Sidnei Cruz

Por: Gilmara Costa/ Equipe JC

Foto: Divulgação
Grupo Caixa Cênica em fase de montagem de ‘Us Vaca’

 

Todo espetáculo tem seu fim. E ainda que o ecoar das palmas anuncie as reverências dos atores e fechar das cortinas, há uma continuidade do processo nos bastidores para que, em breve, um novo palco, outro início, mais um fim e agradecimentos recomecem. E para chegar a esse momento, o fim de todo o espetáculo no palco, o início se dá através de pesquisas, teorias, formatos, experiências e absorções, num ciclo viciante de arte e realidade para colocar em cena o artista real. É nesse processo de criação que se encontra o Grupo Caixa Cênica e que apresenta o evento ‘Preparação do Banquete: Processos Criativos na Cena Contemporânea”, no próximo dia 14, às 16h, na sede do grupo, localizada no Loteamento Nova Liberdade, nº 80, próximo ao final de linha do Bugio. 

 

Dentro da programação do IV Festival de Artes Cênicas, a atividade é gratuita e faz parte do ‘ruminante’ projeto ‘Us Vaca’, em fase de desenvolvimento e que tem previsão de estrear no próximo ano. “É mesmo um Banquete, em que convidamos o público a preparar o alimento, oferecer e compartilhar, alimento o físico e o espírito também. Esse evento faz parte do nosso projeto ‘Us Vaca’, que iniciamos ano passado, num processo imersivo no interior do estado e, agora, a gente faz esse formato laboratorial, com a presença do diretor carioca Sidnei Cruz, com quem já trabalhei no espetáculo ‘Vulcão’. E esse evento é uma experiência com o público, uma forma de explorar as nossas percepções e dos participantes sobre essa realidade que nos rodeia, desse momento político, econômico e socialmente contaminado em que vivemos”, explicou a atriz Diane Veloso. 

 

Segundo ela, questionamentos como a atuação profissional do ator em Sergipe, de ‘ser’ brasileiro, entre outros, serão postos à mesa, num verdadeiro compartilhar de análises e reflexões. “Não há um ensaio, uma cena definida. A proposta é cozinhar a muitas mãos, alimentar-se e conversar. Tudo isso com a participação ativa do público. Estamos num processo de maturação de questões como a de ser artistas em Sergipe, da relação do homem com animal, o que fazer da arte. Enfim, uma série de abordagens que contribuirão para a montagem do nosso projeto ‘Us Vaca’. É um experimento envolto e influenciado por esse momento complexo que vivenciamos”, disse. 

 

Durante a preparação do ‘Banquete’, enquanto as mãos se dedicam ao alimento, mentes e vozes irão fazer ecoar pensamentos sobre a cena contemporânea, além de ‘ruminar’ o Manifesto Antropofágico, manifesto literário escrito por Oswald de Andrade. “Iremos começar com essa preparação do alimento e apresentaremos comidas sem carne, justamente com o intuito de refletir sobre a relação homem e animal. A carne animal enquanto produto mercadológico. E então, por isso, iremos preparar cuscuz com caldo e macaxeira e vinhos. Enquanto isso, o Sidnei vai falar sobre a cena contemporânea, o Manifesto Antropofágico e também faremos uma leitura dramática do livro ‘Canivete’, de autoria do Sidnei Cruz, que será lançado lá também”, destacou a atriz Diane Veloso. 

 

A Caixa 


Atualmente formado pelos atores Audevan Caiçara, Diane Veloso, Jonathan Rodrigues, o Grupo Caixa Cênica contabiliza oito espetáculos em 15 anos de história. No ano passado, depois de circular pelo Prêmio Myriam Muniz, com passagem por Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Salvador (BA), o Caixa Cênica participou do 24° Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga (FNT), no Ceará. 

 

Sidnei Cruz


Formado em Direção Teatral pela UniRio, Sidnei é poeta, dramaturgo e produtor cultural. Dedica-se ao Teatro desde o final dos anos 70, tendo feito parte de grupos como Os Poetas Marginais, ao lado de Wally Salomão, Chacal e Cacaso, do grupo Leões de Circo, com a diretora Alessandra Vannucci e o ator Julio Adrião, e é também um dos fundadores, ao lado do povo da companhia Teatro de Anônimo e do Cordão do Boitatá, da Cooperativa e Espaço Casa Mercado 45, que há 10 anos vem ajudando a revitalizar o centro antigo do Rio. Foi responsável pela criação e curadoria do Palco Giratório do Sesc desde seu nascimento até 2007.

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