12/04/2018 às 16h16 - Cultura

Coletivo Sala de Reboco: em busca de uma comunicação democrática e inclusiva

Fundado em 2014, o Coletivo Sala de Reboco busca colocar em evidência minorias que são negligenciadas.

Por: JornaldaCidade.Net

Em busca de um jornalismo sensível e inclusivo, foi fundado em 2014 o Coletivo Sala de Reboco, onde estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe (UFS) colocam em evidência grupos que normalmente são negligenciados pela sociedade.

 

Inicialmente, a produção se concentrava em grandes reportagens e ensaios fotográficos documentais. Em 2017, o coletivo produziu seu primeiro documentário. Sem qualquer vínculo com anunciantes ou organizações privadas, o Sala de Reboco financia sua produção jornalística de forma independente. Todo o conteúdo produzido é disposto no site e nas mídias digitais, circulando também fisicamente por meio de exposições e exibições itinerantes.

 

Loteamento Poxim

 

Durante 6 meses, o Coletivo acompanhou a rotina dos moradores que viviam e vivem no Loteamento Poxim “O Coletivo se reuniu para poder pautar a questão da desapropriação da comunidade do Poxim, que ficava ao lado da UFS, como estudantes passávamos por lá sempre. Era uma comunidade de pessoas muito pobres, que moravam ali sem um documento legal", conta uma das integrantes do Coletivo, Caroline Matos.

 

Após os seis meses de trabalho, ouvindo as histórias dos moradores que ali viviam, foi produzida uma reportagem especial contando essa história, juntamente com um ensaio fotográfico.

 

Foto: Divulgação/Instagram
Exibição do documentário Na Sala de Parto

 

Antes de você nascer eu já era depois

 

O segundo projeto do coletivo surgiu em maio de 2017, o "Antes de você nascer eu já era depois" surgiu quando o grupo começou a perceber que mulheres próximas a eles sofriam com a violência obstétrica. “Percebemos que muitas mulheres sofrem ou sofreram violência obstétrica. À medida que fomos conhecendo essas mulheres nós percebemos que isso era muito maior que apenas violência obstétrica. Claro que tinha todos esses danos, mas a pauta caminhava para um diálogo entre passar por isso na sala de parto, mas também de lidar com a maternidade, os conflitos e encontros de ser mãe e ser mulher, e tudo levou a expansão do trabalho”, afirma Dayanne Carvalho, também integrante do Coletivo. 

 

O Coletivo ouviu cerca de 14 mulheres que contaram suas experiências envolvendo o parto e a maternidade. “Nós ouvimos mulheres de São Paulo, Bahia e Sergipe, foram cerca de 14 mulheres, disso surgiu o documentário Na Sala de Parto”, revela Dayanne.

 

O documentário, reuniu cinco mulheres que puderam conhecer a história uma das outras para que pudessem perceber que elas não estavam sozinhas na situação. Em novembro de 2017, foi realizada a exposição "Antes de você nascer eu já era depois" como o trabalho completo, que conta com o documentário "Na Sala do Parto", as fotografias e perfis dessas mulheres.

 

Foto: Divulgação/Instagram
Projeto FOTOSENTIDO

 

FOTOSENTIDO

 

No seu projeto atual, o Coletivo busca fomentar uma comunicação mais democrática e inclusiva, oferecendo aulas de fotografia para adolescentes surdos. O projeto – desenvolvido em parceria com o Instituto Pedagógico de Apoio ao Surdo de Sergipe (Ipaese) – vai certificar 11 alunos no curso de Fotografia Básica. “A proposta é trazer a fotografia como ferramenta de comunicação e de leitura de mundo para esses jovens. Isso é muito importante porque é nesse aspecto que a gente passa a repensar também a comunicação, até onde ela é acessível, até onde ela é democrática e inclusiva”, frisou Dayanne.

 

As aulas tiveram início em setembro de 2017 e agora o Coletivo planeja realizar a exposição intitulada FOTOSENTIDO, com o trabalho desenvolvido por esses alunos. Quem tiver interesse em ajudar financeiramente a exposição pode realizar uma doação aqui.

 

Comunicação democrática

 

Para Dayanne, sua experiência no Coletivo é transformadora, mas o papel desse grupo vai além. “Para nós é uma experiência engrandecedora e transformadora também enquanto comunicadores, principalmente no sentido de repensar e redefinir as questões em que acreditamos, e lutar por uma comunicação mais democrática, mais inclusiva, mais acessível, que contemple todas as pessoas. Esse trabalho é muito rico nesse sentido”, conclui.

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