06/02/2018 às 16h12 - Saúde

Sergipe deve ter 5 mil novos casos de câncer

Para presidente de movimento, Estado não terá estrutura para tratar esse grande número de novos pacientes oncológicos previstos em pesquisa.

Por: Laís de Melo/ Equipe JC

De acordo com dados divulgados na pesquisa Estimativa 2018 – Incidência de Câncer no Brasil, realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, estima-se que em 2018 Sergipe terá cerca de cinco mil novos casos de câncer. A pesquisa ainda revela que as neoplasias poderão atingir 2.380 homens sergipanos e 2.550 mulheres. No caso do sexo masculino, o câncer com maior incidência é o de próstata, podendo atingir cerca de 700 homens. Já nas mulheres, é o câncer de mama que tem destaque na pesquisa, podendo acometer 550 das sergipanas. A incidência de câncer no mundo cresceu 20% da última década e o impacto se dá principalmente nos países de média e baixa renda, segundo o Inca. 

 

Foto: André Moreira/ Equipe JC
Obras do Hospital do Câncer seguem paralisadas; Estado não tem estrutura para atender pacientes oncológicos

 

Para a representante do Movimento Mulheres de Peito, Sheyla Galba, o dado é alarmante e o Estado não terá estrutura para tratar esse grande número de novos pacientes oncológicos previstos na pesquisa. Segundo Sheyla, a realidade das pessoas com câncer que dependem da saúde pública atualmente é bastante cruel. Muitos têm o tratamento interrompido porque as máquinas quebram e falta medicamento, entre outras coisas.

 

“Já faz 21 dias que a máquina de radioterapia do Hospital Cirurgia está quebrada. Uma máquina que é imprescindível para a pessoa com câncer. Cada dia que a pessoa deixa de ter o tratamento aumenta em 1% de chance de o tumor voltar de forma agressiva, ou seja, hoje os pacientes que dependem do tratamento no Hospital Cirurgia estão com 21% de chance de o câncer voltar. Então, com a estimativa de cinco mil novos casos para 2018, sabendo que o Estado não terá condições de atender a demanda, é como dar a sentença de morte para as pessoas”, lamenta.

 

Além disso, alguns pacientes estão com a quimioterapia também suspensa por falta de medicamentos. “Eu soube que tem dois tipos de medicamentos em falta no Hospital Cirurgia e tem uma paciente que precisa tomar quinzenalmente a quimioterapia, mas ela está desde o dia 12 de dezembro sem tomar”, conta a representante.  

 

Em 2017 o governador Jackson Barreto assinou nova ordem de serviço para a construção do hospital do câncer de Sergipe, após três anos em que havia sido dada a primeira ordem. A promessa era de que após várias paralisações e problemas que impediram o andar da obra finalmente o Hospital do Câncer seria erguido, mas quase um ano depois nada foi feito e a obra segue paralisada. 

 

Para Sheyla, que também representa as pessoas com câncer em Sergipe, o hospital não passa de um sonho. “Nós dizemos sempre que o projeto do hospital do câncer foi enterrado junto com o aterro. Para ser sincera, eu não vejo interesse dos governantes em colocar esse hospital para funcionar. Por isso que fazemos um apelo para as autoridades, para que deem uma atenção especial ao paciente oncológico urgentemente, ainda mais diante de dados como esses que foram divulgados”, ressalta. 

 

Segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (SES), a empresa responsável pelas obras não cumpriu com o contrato, portanto o Governo deve rescindi-lo. A Assessoria de Comunicação da SES informa que a parte de engenharia do contrato teve apenas 3% do projeto cumprido, sendo a empresa contratada a responsável pelo não andamento da obra. Após a rescisão do contrato o governo deverá tomar novas decisões sobre a obra, mas até lá tudo permanece parado e novamente sem prazos, pela quarta vez. 

 

Pelo projeto, o hospital do câncer deveria contar com 170 leitos, sendo 20 deles destinados à UTI (dez pediátricos e dez adultos), 30 consultórios para quimioterapia, seis salas de centro cirúrgico, ambulatório de todas as especialidades, centro de tecnologia para transplante de medula, dois aceleradores lineares, dois bunkers, radioterapia, braquioterapia, ressonância, tomógrafo e radiografia. Além disso, teria também setor de fisioterapia, enfermaria de emergência, consultórios para emergência, laboratório exclusivo para pacientes com câncer, farmácia oncológica, agência transfusional, lavanderia, cozinha, central de material de esterilização e almoxarifado próprios.

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