12/05/2017 às 08h48 - Sergipe

Zika leva mulheres a adiar maternidade

Em 2015 foram registrados 34.917 nascidos. Em 2016 a redução foi de quase 8%, o que representa cerca de 2.800 nascidos a menos”, declarou a coordenadora.

Por: JornaldaCidade.Net

Após quase dois anos do aumento de casos de crianças nascidas com microcefalia no Brasil, dados coletados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) mostram que há uma redução de quase 2.800 nascimentos no Estado se comparados os índices de 2015 e 2016. Há uma suspeita de que essa queda esteja relacionada ao medo da doença, que tem sido associada aos casos de infecção do vírus Zika.  De acordo com a coordenadora do Núcleo das Doenças Transmissíveis, Mércia Feitosa, há suspeita de que essa redução na quantidade de nascimentos em Sergipe se dê em função do maior planejamento familiar realizado a partir da epidemia do vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também está associado à microcefalia. “Possivelmente, a preocupação em não gerar filhos com microcefalia fez com que várias mulheres evitassem a gravidez nesses dois últimos anos. Em 2015 foram registrados 34.917 nascidos. Em 2016 a redução foi de quase 8%, o que representa cerca de 2.800 nascidos a menos”, declarou a coordenadora.

 Entre as evidências de que a gestante pode ter contraído o vírus Zika está o surgimento de manchas avermelhadas na pele. A partir daí, a gestante pode realizar um exame de sangue para confirmação. O exame só é solicitado a depender da manifestação clínica da gestante. Porém, o fato de a mãe ter Zika ou suspeita do vírus não significa, necessariamente, que terá um bebê com microcefalia.

 “Tivemos casos de mães que tiveram Zika e a criança nasceu saudável. A justificativa para isso se dá, possivelmente, a depender do período em que a gestante foi acometida pelo vírus. Ou seja, o risco maior de microcefalia acontece quando a mãe tem Zika e o bebê ainda está em fase de formação, por isso os três primeiros meses da gestação é o período mais crítico para a microcefalia nos recém-nascidos. Foi, inclusive, nesse período da gestação que os casos mais graves de microcefalia foram registrados em Sergipe”, acrescentou Mércia.

 

Orientações

As duas únicas suspeitas de bebês nascidos este ano com microcefalia em Sergipe foram descartadas. Porém, as mães devem estar atentas à importância do pré-natal, uma vez que a microcefalia também surge por outros agentes infecciosos, entre eles sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus, que pertence à família do herpesvírus, a mesma dos vírus da catapora, herpes simples, herpes genital e do herpes zoster.

 A identificação da microcefalia na criança se dá por meio de exames de diagnóstico, a exemplo da ultrassonografia da transfontanela, que pode ser feita após o nascimento ou até dois meses de idade. Pode também ser identificada através de tomografia feita após o nascimento do bebê.

 O recém-nascido com microcefalia possui, em média, até 31 centímetros de perímetro cefálico e a partir da identificação passa a ser acompanhado por especialistas dos centros de referência, onde serão realizados exames para confirmação do diagnóstico. A Rede Estadual de Saúde do Estado oferta acompanhamento com nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, neonatologistas e geneticistas no ambulatório follow up da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), mas também é possível encontrar atendimento no Hospital Universitário (HU) e em Centros de Especialidades Médicas, na rede básica. As crianças que ainda estão em processo de confirmação de diagnóstico também podem ser atendidas nesse espaço, que dispõe de acompanhamentos para reabilitação, a depender das necessidades dos bebês.

 

SES

Ao receber laudos médicos dos Centros de Referência, o Núcleo das Doenças Transmissíveis da SES avalia e traça perfis da microcefalia em Sergipe. Por sua vez, as notificações e as consequências do Zika vírus, e além dele, da dengue, chikungunya e casos de microcefalia em Sergipe são monitoradas continuamente pela SES, através da Sala Estadual de Situação, onde semanalmente as informações são atualizadas através do Informe Epidemiológico, que relata também as ações realizadas para o controle das arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti.

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