08/11/2017 às 16h21 - Saúde

LIRAa auxilia no planejamento e organização de ações de combate ao Aedes aegypti

O principal intuito é evitar os períodos epidêmicos das doenças transmitidas pelo mosquito.

Por: AAN

Para tratar qualquer enfermidade ou a causa dela é preciso estudo e análise do comportamento da mesma. Basicamente é para realizar este estudo que foi criado, em 2002, pelo Ministério da Saúde, o Levantamento Rápido do Índice do Aedes aegypti  (LIRAa), trabalho que auxilia significativamente os governos de cada município na organização e planejamento de ações para combater o mosquito que é responsável pela transmissão de três graves vírus: dengue, zika e chikungunya. 

 

Nesse sentido e para garantir uma maior eficácia das análises, Aracaju foi a primeira cidade do país a realizar o levantamento seis vezes por ano, quando o Ministério apenas exige que seja feito de duas a três vezes por ano. A partir de 2008, com a intensificação dos trabalhos de coleta feitos a cada dois meses, a capital, ano a ano, tem conseguido diminuir os índices de infestação e também os de casos notificados das três doenças. 

 

Através da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o principal intuito em Aracaju é evitar os períodos epidêmicos das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, que acontecem muito no final e começo de cada ano. O primeiro LIRAa tem início na primeira semana de janeiro e o trabalho é realizado durante cerca de sete dias. Logo depois dele, outros cinco são realizados durante o ano nos meses de março, maio, julho, setembro e novembro.  

 

Foto: Marco Vieira

 

A diretora da Vigilância em Saúde (DVS) da SMS, Taíse Cavalcante, explicou que, com o resultado do levantamento, é possível programar as ações de intensificação nos bairros para os dois meses seguintes, nos locais onde houve aumento de foco. “O LIRAa permite ver a infestação e também em quais locais esses focos foram encontrados. Cada bairro tem uma característica diferente. Com o levantamento, é possível  ver qual a característica de cada bairro para que possamos saber quais orientações devemos passar e para que possamos otimizar o trabalho em conjunto com a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), a SMS e a Secretaria Municipal da Educação (Semed)”, disse.  

 

A coleta 


A cada dois meses, diversas equipes de agente de saúde são deslocadas para todos os 44 bairros da capital. Durante uma semana, cerca de 200 agentes se dirigem a residências para um trabalho simples, mas de extrema importância.

 

De acordo com o supervisor geral de campo, Givaldo Henrique de Jesus, as equipes recebem uma espécie de ficha, contendo as casas em que as equipes devem ir e fazer a coleta do material. “Assim que chegamos às residências, fazemos uma vistoria em todo o imóvel, nos locais em que há a possibilidade de encontrarmos foco, seja reservatório de água, como lavanderias, caixa d’água, ou em algum recipiente pequeno que as pessoas deixem no quintal, até mesmo na frente das casas, nas calçadas. Havendo larva, fazemos a coleta e enviamos para o laboratório”, contou Givaldo. 

 

Ainda segundo o supervisor, o trabalho é desenvolvido por amostragem, feito o sorteio dos quarteirões em todos os bairros de Aracaju, como também completou a diretora do DVS ao esclarecer como a feita a escolha de cada residência. “É um estudo, um percentual, onde a gente consegue trabalhar 40% de cada bairro. Não é uma escolha aleatória, é um sistema de informatização que a gente alimenta e é ele quem sorteia quais serão os quarteirões que serão trabalhados. É um teste estatístico baseado, justamente, nos últimos levantamentos”, destacou Taíse. 

 

Após a coleta, o material é enviado para o laboratório do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para confirmar se a larva que foi coletada é um Aedes aegypti. “Daí, os que forem positivos, são encaminhados para o Laboratório Central de Sergipe (Lacen) para ele fazer o controle de qualidade. Com cerca de 15 dias a gente já tem o resultado que é levado para o Governo do Estado que consolida de todos os municípios e envia para o Ministério da Saúde”, relatou Taíse Cavalcante. 

 

Foto: Sergio Silva

 

2017


A intensificação dos trabalhos voltados para o combate do Aedes aegypti tem surtido efeito em Aracaju, sobretudo nos últimos anos. Neste ano, até o momento, nos cinco LIRAa realizados, a capital ficou classificada em médio risco. O Ministério da Saúde avalia os municípios com base em três critérios, classificados de 0 a 5% de índice de infestação predial (IIP): baixo risco, de 0 a 0,9%; o médio alerta ou risco que vai 1 a 3,9%; e o alto risco ou risco de surto, acima de 4%.

 

“O máximo que Aracaju ficou foi em julho, com 2,1% de infestação, que foi um momento de chuva, então já era esperado. Neste ano nós não tivemos nenhuma área com alto risco. Tivemos uma variação de baixo e médio risco, sendo que, em setembro 60% dos bairros estavam em baixo risco. Se um vírus chegar num local que tem índice de 4% ou mais, por exemplo, ali podemos ter um surto ou epidemia da doença se não tivermos um controle”, destacou Taíse. 

 

A diretora do DVS ressaltou que este ano foi atípico justamente por causa da chuva que se intensificou além do período comum. “A chuva em si vai favorecer o aumento do número de focos porque a problemática maior de Aracaju são os depósitos que armazenam água, como as lavanderias que, na realidade, durante todo o ano, a gente tem um percentual acima de 50% aonde a gente encontra os focos. As pessoas têm o hábito de armazenar água sem necessidade e esse é um dos grandes riscos”, ressaltou. 

 

Ciclo do mosquito, transmissão e colaboração 


Um dos pontos que Taíse Cavalcante mais alertou foi para o ciclo do mosquito e, consequentemente, a atenção que a população deve dar aos cuidados para prevenir as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, antes do nascimento da larva. Uma larva do mosquito vai se desenvolver, no mínimo, no período quente, em sete dias. No período frio, a larva se desenvolve mais lentamente. Para virar um mosquito adulto, a larva leva de 20 a 30 dias, é o tempo que a população tem de eliminar o foco e assim impedir que a larva vire um mosquito adulto.

 

“O ciclo de transmissão das doenças do Aedes inicia sempre em novembro, então, estamos terminando o ciclo de 2017 e iniciando o de 2018. Se a gente considerar o período de crescimento de um mosquito adulto transmitir a doença, o paciente começa a apresentar os primeiros sinais e sintomas na segunda semana de novembro, lá para o primeiro dia de janeiro já posso ter pessoas doentes em Aracaju. Enquanto ciclo, encerramos 2017 dizendo que tivemos um controle, já que Aracaju, neste ano, diminuiu em 82% os casos notificados das três doenças transmitidas pelo mosquito. Mas, os cuidados não podem diminuir. Temos que chamar a atenção das pessoas que esse é um problema sério, um dos vírus transmitidos pelo mosquito é o responsável pela Microcefalia”, frisou a diretora do DVS.

 

Taíse Cavalcante afirmou que muitas comunidades colaboram com a prevenção, mas que o alerta não pode deixar de existir. “Não podemos culpar a população por todos os casos das doenças, afinal, é um conjunto de fatores que influenciam. O trabalho de prevenção é o mais importante. É aquela máxima, ‘melhor prevenir do que remediar’. O momento de se conscientizar é agora, até porque o verão está chegando e é quando o mosquito se desenvolve mais rápido e, consequentemente, acontece a transmissão mais rápida das doenças. As pessoas ficam esperando o fumacê, mas o fumacê não faz parte do trabalho de rotina da dengue. Ele só é utilizado quando começa a ter algumas emergências e os casos começam a subir e agente precisa eliminar os mosquitos que estão naquele momento, ou seja, ele é o nosso último recurso e não o mais indicado. Torno a ressaltar que o mais indicado sempre será a prevenção”, salientou.  

 

O supervisor de campo, que tem um contato mais direto com a população, também fez o apelo. “É importante que as pessoas assimilem as informações que a gente passa porque essas informações e a colaboração é o que vai ajudar a reduzir, cada vez mais, o índice de infestação e, consequentemente, o índice de casos notificados das doenças ligadas ao Aedes”, completou Givaldo. 

Comentários

comments powered by Disqus