09/11/2017 às 15h52 - Saúde

Superlotação no HUSE: Principal causa é a falta de assistência básica

A desassistência na Atenção Básica é o maior vilão para quem precisa de atendimento ambulatorial mas é obrigado a recorrer ao Huse para ter acesso a uma consulta médica ou um exame.

Dor de garganta e de estômago, febre, diarreia, vômitos, tontura, dores no corpo e cortes pequenos. Estes são os principais sintomas da leva de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que chegam ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) todos os dias e são admitidos na Ala Azul. O Huse é referência na assistência hospitalar de alta complexidade, mas 85% dos seus pacientes são de baixa complexidade. “Isso quer dizer que estes pacientes recebem atendimento e têm sua alta em menos ou em até 24 horas. Ou seja, só ficam internados no hospital 15% dos usuários que aqui chegam”, explicou o coordenador do Pronto Socorro do Huse, Vinícius Vilela.

 

O Hospital de Urgência de Sergipe é porta aberta e atende pelo SUS, portanto não pode deixar de atender quem ali chega, mesmo que o caso seja de baixa complexidade, que poderiam ser resolvidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou nos postos de saúde. É a desassistência na Atenção Básica o maior vilão para quem precisa de atendimento ambulatorial mas é obrigado a recorrer ao Huse para ter acesso a uma consulta médica ou um exame.

 

O coordenador do Pronto Socorro é taxativo ao afirmar que a superlotação do Huse se deve a desassistência na Atenção Básica. Segundo ele, uma parte expressiva dos pacientes que são acolhidos da Ala Azul recorre ao Huse para fechar um diagnóstico. “Na rede não tem o exame, a ultrassom, a tomografia, e aí procuram o Huse e precisam ficar internados. O Huse hoje, especificamente a Ala Azul, está sendo uma opção para a população vir atrás de exames de imagem e laboratoriais. E como o Huse é porta aberta, tem que atender a todos”, observou.

 

Para se ter uma ideia da dimensão da superlotação do Huse provocada pela baixa resolutividade da Atenção Básica, no plantão desta terça-feira, 7, o Hospital de Urgência recebeu 379 pacientes. Destes, 93 foram destinados à Ala Azul Adulto e 103 na Pediatria, enquanto outros 20 foram atendidos no Ambulatório de Otorrino, 40 na Ortopedia, 46 na Sala de Sutura e apenas três foram internados na Ala Vermelha. Do total de atendimento, ou seja, 379, somente 33 ficaram internados.

 

Do total de atendidos 79 foram de Aracaju, 179 do interior do Estado de Sergipe e os demais de outros Estados, como Bahia e Alagoas. Do interior sergipano a maior demanda foi do município de Nossa Senhora do Socorro, com 63 pacientes, seguindo de São Cristóvão, com 32.

 

Dois meses sofrendo

 

Adailze Araújo dos Santos está em observação na Ala Azul do Huse nesta quarta-feira. Ela chegou ontem, no início da tarde, sentindo dores no corpo e na barriga, um quadro que se arrasta há dois meses, segundo informou. “Moradora do povoado Pedra Branca, em Laranjeiras, ela conta que tentou consulta na unidade de saúde mais próxima de sua casa, mas conseguiu. “Me informavam que só havia vaga para o médico em 30 dias. Então fui ao hospital de Laranjeiras, fui medicada e me deram alta após o efeito do medicamento. Logo depois tudo voltou, então vim ao Huse porque sei que serei bem atendida”, declarou.

 

Em menos de 24 horas de sua chegada ao Hospital de Urgência Adailze dos Santos fez exame de sangue, que acusou a presença de uma bactéria no organismo. A paciente será submetida a novos exames para que se chegue a um diagnóstico. “Mas já me sinto melhor”, disse.

 

Já Maria Fonseca de Melo é acompanhante de Antônio Batista de Melo, em observação na Ala Azul do Huse desde ontem à tarde. O paciente foi encaminhado por um médico particular depois que dois exames de raio X atestaram líquido no pulmão. “Primeiro fomos ao hospital de Canindé, onde meu irmão fez um raio X e com o resultado nos encaminharam a um médico particular, que nos encaminhou para o Huse. Confiamos que aqui teremos a assistência que precisamos porque não podemos continuar sendo jogados de um lado para outro”, opinou.

 

O social

 

O Huse está trabalhando para redirecionar pacientes de baixa complexidade que procuram os serviços, para saírem pelo menos com o encaminhamento. “O que a gente não quer fazer é liberar o usuário sem atendimento porque não é urgência nem emergência. A gente sabe que ele não vai ter porta e aí volta mais grave. Nós vamos correr atrás dos municípios para fazer essa fala e contrareferenciar. Isso não é responsabilidade do Huse, mas como somos o maior demandado dos pacientes de baixa complexidade então vamos tomar a dianteira. Não vamos fechar a porta jamais para estes pacientes porque o hospital tem o lado social e sabe que se isso acontecer a população vai sofrer muito”, declarou o coordenador do Pronto Socorro, Vinícius Vilela.

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