05/04/2018 às 08h39 - Saúde

Hospital de Cirurgia continua sem radioterapia

Em dois anos quebrou mais de dez vezes. Dessa vez, quatro pacientes morreram pela falta do tratamento.

Por: JornaldaCidade.Net

Já passou o primeiro trimestre do ano e a máquina de radioterapia do Hospital de Cirurgia, utilizada para o tratamento de cerca de 40 pacientes com câncer, permanece quebrada. Hoje, 5, o equipamento completa 81 dias sem funcionar e não há previsão para a retomada. O problema é recorrente. Em dois anos quebrou mais de dez vezes. Dessa vez, quatro pacientes morreram pela falta do tratamento. 
 

De acordo com informações da Assessoria de Comunicação do Hospital de Cirurgia, o engenheiro técnico responsável pela manutenção da máquina chegou na terça-feira, 3, dos Estados Unidos com as novas peças. A instalação foi iniciada ainda na terça-feira e deve seguir para a fase de testes. Mas a pergunta que não quer calar é: por que o hospital não providencia outra máquina? 

 A assessora do hospital, Regiane Sá, conta que já foram feitos todos os trâmites para a aquisição de uma nova máquina de radioterapia, porém, ela ainda não foi trazida para o Hospital de Cirurgia pois precisa de uma sala específica que fará parte do novo complexo que está com a obra paralisada por falta de recursos financeiros. A obra é um investimento do próprio hospital, porém faltou dinheiro para a conclusão, o que significa que não se sabe quando uma nova máquina será instalada e disponibilizada aos pacientes oncológicos. 

A equipe do JORNAL DA CIDADE solicitou o orçamento do quanto já foi gasto para a manutenção do equipamento até o momento, porém, a assessoria precisou de um tempo para buscar essa informação com o setor financeiro do hospital para dar resposta na próxima sexta-feira, 6. Em agosto de 2017, a direção do hospital divulgou que havia gasto mais de R$ 17 mil para o conserto da máquina e ainda não tinha conseguido solucionar o problema, que iniciou no mês de julho do ano passado, conforme foi publicado pelo JC no dia 1° de setembro de 2017. 

A máquina tem mais de 30 anos de funcionamento. Nos últimos anos as quebras passaram a ser constantes e os problemas apresentados são sempre em peças diferentes. Dessa última vez, segundo a assessoria do hospital, o engenheiro técnico identificou problemas em peças que precisaram ser substituídas e ao retornar para fazer a instalação das peças adquiridas no Brasil foram identificadas novas peças queimadas, porém, essas necessitaram ser compradas fora do país. 

Enquanto isso, cerca de 40 pacientes com câncer sofrem a angústia de não ter o tratamento. O câncer, como já foi dito por muitos médicos, é uma doença que não pode esperar e a cada dia sem o tratamento aumenta 1% a chance de voltar de forma mais agressiva, o que significa que os pacientes estão com mais de 80% de chances de piorar. 

Em entrevista ao programa de TV Balanço Geral, a presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Sergipe, Shirley Morales, contou que pelos dados do sistema de regulação dos pacientes do Sigal há três semanas os pacientes que ainda não tinham dado início ao tratamento já somavam 365 de demanda reprimida.  

“Isso é inadmissível. Dos cerca e 40 pacientes que estavam para tratamento no Hospital de Cirurgia, quatro morreram por falta dele. O que a Secretaria da Saúde argumenta é que ocorrem problemas técnicos e questões de engenharia. Só que cada dia sem o tratamento implica na parada do processo, e as vezes eles têm que começar tudo novamente. E cada dia que passa é uma vida em jogo. A secretaria alega problemas técnicos, e a gente precisa de solução”, disse Shirley em entrevista. 

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