13/04/2018 às 09h03 - Educação

Diagnóstico da rede de ensino é preocupante

Estado perde cerca de 150 mil alunos e R$ 140 milhões em recursos.

Por: Laís de Melo/JornaldaCidade.Net

Sergipe perdeu 149.756 mil alunos matriculados nas escolas públicas estaduais nos últimos anos, o que resultou, consequentemente, na perda de recursos federais para a educação. Entre os anos de 2012 e 2017, o Estado perdeu mais de R$ 140 milhões de recursos do Governo Federal para a educação por causa das perdas de alunos matriculados durante esse período. Os dados foram apresentados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica de Sergipe (Sintese), que expôs um diagnóstico preocupante da rede de ensino público do estado durante coletiva com a imprensa na manhã desta quinta-feira, 12. 

O relatório do Sintese mostra gráficos com dados do IBGE, onde Sergipe aparece com queda de 46,11% no número de matrículas nos últimos 10 anos. Para a presidente do Sintese, Ivonete Cruz, a queda de matrícula está relacionada ao fechamento de escolas e turnos. 

“Sergipe passa por um processo de fechar escolas sem discussão com a comunidade, e também fechamento de turnos. Muitas escolas em Aracaju fecharam o turno noturno sem discutir com a comunidade para onde iam esses estudantes. Outro problema grave da política de Jackson Barreto foi de entregar prédios do estado para os municípios. Em São Cristóvão, por exemplo, cinco escolas grandes foram passadas para o município. E para piorar não há política de chamada pública. Porque se o jovem não está na escola, é preciso o estado procurar saber onde estão esses jovens e crie uma política de incentivar eles. Mas, o estado não faz”, explica Ivonete. 

O problema pode ser ainda pior com a implantação do ensino integral nas 42 escolas estaduais, segundo Ivonete. “É preciso rediscutir esse método como está sendo implementado o ensino por tempo integral em Sergipe. Nós tivemos uma reunião com o novo secretário da Educação nesta quarta-feira, 11, e nós propusemos que ele crie uma comissão com a participação do Sintese para discutir o método. Nós temos debate e clareza que a educação em tempo integral é importante para a formação dos alunos, mas, nossa grande discordância é da forma como está sendo implementada. Se continuar assim, futuramente o número de matrícula vai cair ainda mais”, afirma. 

O Sintese estampou uma foto do ex-governador Jackson Barreto com um nariz de “pinóquio” na coletiva. A comparação foi feita por conta da apresentação de “fake News” sobre queda de receitas por parte do ex-chefe do executivo. Segundo o sindicato, o governador descumpriu o artigo 212 da Constituição Federal ao não aplicar 25% na educação durante o mandato. Em 2015 o percentual aplicado na educação básica foi de 22,51%, em 2016 foi 18,83% e em 2017, 24,38%. Com isso, deixou de ser aplicado na educação mais de R$ 560 milhões. 

“Ele destruiu a carreira do magistério. Professor estadual do nível médio ao mestrado está ganhando o piso. A remuneração de todo mundo é o piso. Ele criou um descompromisso e desrespeito à nossa carreira e isso é muito grave. O governo passa a ideia de que tudo isso é porque não tem recurso, e nós mostramos que isso é mais “fake” criado pelo governo, porque tem dinheiro”, disse Ivonete. 

A categoria aguarda agora pum posicionamento diferente do novo governador Belivaldo Chagas e também do novo secretário da Educação, professor Josué Modesto dos Passos Subrinho. 

“Que o novo governador sente com a categoria, e que o secretario estabeleça uma política de discussão, porque o ex-secretário só sentou com o Sintese uma vez. E que a gente mantenha uma situação dialogada e que também seja de proposta. Porque o cenário é muito grave na perda de matricula, modelo de ensino integral, e é grave no debate da nossa carreira. Chegamos ao limite. A gente espera que o governo apresente propostas concretas”, afirmou Ivonete. 

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