19/06/2017 às 09h22 - Cidades

50% dos acidentes em SE têm relação com o álcool

De janeiro de 2016 até maio de 2017, exatamente 822 novas infrações desta natureza foram registradas no Detran.

Por: JornaldaCidade.Net

De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal de Sergipe (PRF), cerca de 50% dos acidentes ocorridos nas BRs do Estado estão relacionados com embriaguez ao volante. Nesta segunda-feira, 19, a Lei do Código de Trânsito Brasileiro que coíbe esse tipo de atitude, de número 11.725/08, a chamada Lei Seca, está completando nove anos de existência. De lá para cá, muitas mudanças ocorreram e a penalidade da lei foi se tornando cada vez mais rigorosa, para diminuir cada vez mais a prática de beber e dirigir. Pelo que consta no site do Departamento Estadual de Trânsito de Sergipe (Detran/SE), em nove anos de Lei Seca, cerca de 4.500 condutores foram autuados por dirigirem sob efeito de álcool ou qualquer outro tipo de substância psicotrópica. 


De janeiro de 2016 até maio de 2017, exatamente 822 novas infrações desta natureza foram registradas no Detran. Em apenas três dias da “Operação Corpus Christi 2017”, realizada pela PRF em locais e horários de maior incidência de acidentes e crimes, dois motoristas foram levados para a Delegacia por condução sob efeito de álcool. Segundo o assessor de comunicação substituto da PRF, Queiroz Souza, a Lei Seca é bastante positiva em sua essência, e foi responsável por uma redução no número de acidentes e mortes, porém, o consumo de álcool e a prática de dirigir embriagado em Sergipe são uma questão de hábito. 

“O problema da bebida no Brasil é questão de hábito, e como todo hábito, é difícil de ser controlado. É difícil fazer o pessoal entender que isso não deve acontecer. Hoje a PRF faz a perícia de acidentes fatais aqui no Estado, e é observado o álcool como fator correlacionado em quase 50% dos acidentes. Não como causa preponderante, mas como fator relacionado. Então ainda é forte o número de pessoas que bebem e dirigem”, salienta Queiroz. 

Dados do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv) revelam que em cinco meses de operações, realizadas entre janeiro e maio de 2017, de três mil testes de etilômetro realizados, foram emitidas cerca de 2.636 autuações, onde mais de 120 habilitações foram apreendidas. 

 

Sobre a Lei

Antes da Lei Seca, a ingestão permitida era de até seis decigramas de álcool por litro no sangue, o que equivale a dois copos de cerveja. Com a Lei, a tolerância agora é de zero teor alcóolico. O assessor explica que, com o aparelho do bafômetro, é possível medir a quantidade de ar que está saindo do pulmão do condutor, onde é possível verificar o teor. Quando apresenta um número até 0,29 miligramas de ar expelido por litro, o condutor responde à medida administrativa, onde o veículo fica retido até que outro condutor sóbrio e habilitado se apresente para seguir com o carro. O condutor autuado recebe uma multa de quase R$ 2 mil, e tem a carteira suspensa por 12 meses.

Quando o teor atinge ou excede 0,30 miligramas por litro, o condutor é encaminhado para a delegacia, onde ficará preso até o pagamento da fiança de valor estabelecido pela Policia Civil. “Houve um avanço jurídico onde hoje o policial, se percebo sinais de embriaguez, pode emitir uma notificação por embriaguez. Com os sinais, ou com um vídeo ou uma testemunha, o policial pode te dar uma notificação por embriaguez, sem o uso do bafômetro”, explica Queiroz. 

De acordo com a avaliação do assessor, em quase 10 anos de “Lei Seca” foi possível identificar mudanças na conduta dos motoristas, porém, os números de redução em acidentes e mortes são poucos em relação aos números nacionais. “Hoje, um único acidente na minha estatística me incomoda, porque partimos da premissa de que a maioria das ocorrências em BR ou em área urbana podem ser evitadas, e quando é causado por embriaguez, é uma situação plenamente evitável. Portanto, ter uma melhora nos números não significa que nos deixa em uma posição confortável”, disse Queiroz. 

Ele acrescenta ainda que não é por falta de conhecimento ou consciência dos condutores, os problemas que podem ser causados por questões de embriaguez. “Não falta para o brasileiro o conhecimento. Todo mundo sabe o que é certo ou errado. O pessoal não faz por falta de educação de trânsito e falta de uma cultura de grupo. Hoje as pessoas são individualistas. Fazemos um trabalho educativo em escolas onde tentamos mudar essa mentalidade. Mas, é importante frisar que a pessoa que bebe, pode ter certeza, que se ela não causar um acidente, pelo menos a forma dela dirigir já vai causar algum transtorno na pista”, reforça.

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