12/01/2018 às 13h21 - Previdência

Maioria é contra a reforma

A reforma da Previdência deve ser apreciada na Câmara Federal nos primeiros dias de fevereiro.

Por: Laís de Melo/Equipe JC

A reforma da Previdência deve ser apreciada na Câmara Federal nos primeiros dias de fevereiro, mas até o momento a população brasileira não aceita as novas regras para a aposentada previstas. Num levantamento feito pelo Instituto Paraná Pesquisas divulgado na última quarta-feira, 66% dos brasileiros rejeitam a reforma previdenciária, enquanto 28% se manifestam favoráveis. Pelos dados divulgados, 6% não sabem ou não quiseram se posicionar. Em Aracaju, a população acredita que a reforma trará grandes consequências ao trabalhador.

 

O servidor público Jean Carlo intui que a reforma prejudicará diretamente o trabalhador brasileiro. “Eles não fizeram um estudo baseado na velhice para esse aumento de idade que estão colocando. O trabalhador vai continuar fazendo um serviço sem condições de trabalho. Só vem a prejudicar as classes operárias, que são as que mais sofrem”, acredita.

 

Da mesma forma pensa o alagoano Fábio Gomes, apesar de não ter ainda se aprofundado tanto no assunto: “Pelo pouco do que vemos na mídia, 49 anos para você ter o teto é uma coisa surreal. Vai ser algo inatingível, vai ter que começar a trabalhar bem antes da maioridade, então é algo que o governo está fazendo que a meu ver não vai trazer benefício nenhum para a população”, reflete Fábio.

 

Sem dúvidas sobre o posicionamento, Éder Rodrigues se manifesta totalmente contrário à reforma da Previdência na forma em que está sendo apresentada. “A justificativa do governo é que se continuar do jeito que está vai faltar dinheiro. Mas nós sabemos que todas as vezes que o governo precisa de dinheiro ele tira do trabalhador. Essa reforma vai, cada vez mais, dificultar para que a população tenha acesso à aposentadoria. Nós sabemos quem vai sofrer com isso, são as classes mais necessitadas. O trabalhador que passa diversos anos na ativa, e agora terá maior dificuldade para se aposentar, por isso sou totalmente contra”, afirma.

 

Já o aracajuano André Luis acredita ser preciso uma reforma previdenciária no país, pois, segundo ele, a população nacional cresce a cada dia, assim como o custo de vida aumenta. “Eu ainda não tenho uma ideia formada sobre a reforma. Fazendo um breve histórico das modificações das leis do nosso país, acredito muito que ela deverá acarretar em prejuízos ao trabalhador, mas ainda não tenho opinião formada no quanto ela será benéfica ou prejudicial à população”, disse.

 

As opiniões são diversas na sociedade quanto à reforma previdenciária. Existem os contrários, os favoráveis e os indecisos, mas para o estudioso e professor de Direito Previdenciário Hideraldo Moura não restam dúvidas de que a reforma vem de forma negativa para todos, sobretudo para os servidores públicos.

 

“A reforma, além de ser fora de tempo e se tratar de algo meramente político, e não técnico como deveria ser, traz grandes prejuízos aos servidores públicos. O presidente Michel Temer acredita que os servi- dores têm cargos de elite e ganham demais, mas isso é uma grande mentira porque os cargos que são de elite são os legislativos e judiciários que foram criados para agradar os políticos que o apoiam. Os servidores públicos já se aposentam mais tarde e contribuem muito mais do que o servidor da previdência, e não têm acesso ao Fundo de Garantia e demais serviços. Então ele está mentindo com relação a isso e quer acabar com os privilégios”, ressalta.

 

Segundo as explicações de Hideraldo, o fator previdenciário se trata de um multiplicador para desestimular as pessoas de quererem se aposentar mais cedo. “Quanto mais cedo se aposentar o fator previdenciário baixa o valor que a pessoa irá receber de benefício, automaticamente desestimulando a aposentadoria mais cedo”, frisa.

 

Para o professor, os trabalhadores que estão faltando pouco tempo para se aposentar não serão prejudicados com a reforma. “Eles não podem pedir a aposentadoria antes de ter o tempo necessário. Mas para quem está perto de se aposentar será necessário pagar o pedágio. Por exemplo, quem estiver faltando um ano para a aposentadoria terá que trabalhar esse ano e mais 30% dele, ou seja, permanecerá na ativa por mais alguns meses apenas”, disse.

 

Na opinião dele, o limite de idade mínimo estabelecido no projeto da reforma de 53 anos para as mulheres e 55 anos para os homens não é algo negativo. “O Brasil é o único país do mundo que aposenta alguém com 50 anos de idade e permite que ela continue trabalhando. Isso tem que ser corrigido. Ninguém deveria se aposentar com 50 anos e ainda ficar ocupando uma vaga de trabalho. Tudo bem que venha uma aposentadoria que demore mais, mas que seja mais atraente, que tenha um valor mais alto. Mas a proposta dessa reforma não traz isso, na verdade coloca o valor do benefício lá embaixo, e ainda rebaixa o valor para o servidor público”, lamenta.  

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