05/11/2018 as 07:56

Entrevista

“O MDB precisa analisar seus erros”

O MDB viu sua bancada de deputados federais ser reduzida de 51 para apenas 34 parlamentares, a partir de 2019. E um deles será o sergipano Fábio Reis, que conseguiu a sua reeleição. Nesta conversa com o JORNAL DA CIDADE ele avaliou que a vitória de Bolsonaro foi uma resposta ao ciclo político-administrativo do PT. Ele ainda falou sobre o futuro do MDB no Estado e sobre os principais desafios que o novo governador de Sergipe e o novo presidente da República terão a partir do próximo ano. Confira a seguir.


“O MDB precisa analisar seus erros”Foto: Assessoria

JORNAL DA CIDADE - Como o senhor avalia o resultado das eleições no Brasil?
FÁBIO REIS - Em nível nacional, acredito que foi uma resposta do brasileiro ao ciclo político-administrativo do PT. Tanto que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, assumiu a figura do antipetismo e arrastou para si milhões de seguidores, inicialmente pelas redes sociais, para depois transformá-los em eleitores. Foi uma campanha onde muito pouco se falou sobre os problemas e desafios do Brasil, mas que se concentrou em ideologias e desconstrução da imagem dos adversários, principalmente no 2º turno.

JC - E em Sergipe?
FR - Já em Sergipe, mais uma vez os eleitores deram a vitória a um agrupamento que vem administrando o Estado com equilíbrio e responsabilidade, enfrentando a maior crise econômica da história do país, com a manutenção da qualidade dos serviços públicos e ainda atraindo investimentos. Belivaldo Chagas fez uma campanha limpa, sem ataques e propositiva, mostrando os avanços em seis meses de governo e suas propostas para os próximos quatro anos. Foi uma votação excelente nesse segundo turno, com a vitória em 74 dos 75 municípios, o que credencia seu novo governo com um grande apoio popular.

JC - Qual será o principal desafio do novo governador e do novo presidente?
FR - Equilibrar as contas, com o pagamento em dia das despesas, dos salários, sem criar novas dívidas e ainda atrair investimentos. Os efeitos da maior crise econômica do país ainda são visíveis e permanecem, com 14 milhões desempregados em todo o Brasil. O novo presidente da República e os novos governadores, incluindo logicamente Belivaldo Chagas, terão um desafio enorme pela frente, mas para isso terão que administrar com responsabilidade e coerência. Tenho absoluta certeza que Belivaldo tem essa consciência e fará um governo seguindo a linha que ele já implementou desde que assumiu: controlando todos os gastos, enxugando despesas, priorizando o que realmente é essencial.

JC - Como o senhor acha que o MDB deve se posicionar em relação ao novo presidente? O partido deverá apoiar Jair Bolsonaro?
FR - Essa definição ainda será discutida com os líderes nacionais do partido. O MDB tem compromisso com o Brasil. Foi uma eleição difícil para o partido. De uma bancada com 51 deputados federais, o MDB terá 34 parlamentares a partir de 2019. No Senado, de 18 teremos 12 cadeiras. Houve um encolhimento e o partido precisa entender as razões desse resultado, analisar seus erros e buscar uma nova forma de se comportar perante o cidadão, que deu o seu recado nas urnas. Então eu acredito que qualquer decisão precisa entender essa nova realidade. O que defenderei é o nosso compromisso em fazer com que o país saia dessa crise, que volte a crescer, a gerar empregos e ofertar políticas públicas de qualidade, sem sacrificar o brasileiro com mais impostos.

JC - Com a não eleição de Jackson Barreto para o Senado, como fica o MDB em Sergipe? Qual o futuro da sigla? Haverá mudanças no comando?
FR - Em Sergipe temos um grupo consolidado. E aqui, como em outros Estados do Nordeste, o MDB marchou junto com o PT, que hoje assumiu como protagonista de principal partido de oposição ao presidente eleito Jair Bolsonaro. É visível que o cenário de relacionamento entre os partidos em Sergipe é diferente do nacional e tudo isso será avaliado no momento certo. Como eu falei anteriormente, o MDB precisa assumir uma posição de compromisso com o Brasil, assim como em Sergipe, onde fazemos parte, com muito orgulho, do agrupamento liderado pelo governador Belivaldo Chagas, que sempre contará com o nosso apoio para alavancar o desenvolvimento do nosso Estado.

JC - Qual foi o balanço deste seu mandato de deputado federal que está concluindo?
FR - Positivo. Tivemos uma renovação de 50% da bancada sergipana na Câmara e os eleitores me deram uma nova oportunidade de mais quatro anos em Brasília. Acredito que se não tivéssemos trabalho e ações para mostrar dificilmente conseguiríamos a reeleição. Foram quatro anos fazendo do nosso mandato um canal de desenvolvimento e reivindicações de Sergipe em Brasília, sempre buscando atender aos interesses coletivos de todas as regiões.

JC - Quais são as suas metas para o próximo mandato?
FR - Dar continuidade a esse trabalho. Tenho um carinho grande pela educação e sei que quando investimos no ensino proporcionamos oportunidades para milhares de crianças, adolescentes e jovens. Vamos buscar as condições junto ao Governo Federal para atrair o maior volume de investimentos possível nos próximos quatro anos, melhorando as condições da educação básica, do ensino fundamental, médio e do acesso à universidade gratuita, em especial para os filhos das famílias mais carentes. Mas também não deixaremos de focar nas outras áreas importantes, como saúde, emprego, segurança e infraestrutura.

JC - O que achou do resultado da votação em Lagarto, no segundo turno? O senhor trabalhou pela reeleição de Belivaldo?
FR - O 2º turno consolidou o trabalho que fizemos desde a pré-campanha do nosso governador. Enquanto muitos nem acreditavam que Belivaldo chegaria ao 2º turno, uma vez que as pesquisas o apontavam com 3%, 4%, 5% das intenções de voto, nosso agrupamento em Lagarto sempre se manteve ao seu lado, sem duvidar um só instante de que o reconhecimento dos sergipanos viria no momento certo. É natural que existam os apoios de última hora e por isso não fizemos objeção ao voto do prefeito Valmir Monteiro. Mas também acredito que ele saberá que, passadas as eleições, tudo voltará como antes e em Lagarto o governador sabe quem são seus aliados dos momentos difíceis e não somente das horas fáceis.

JC - Qual o espaço que o MDB terá no próximo governo de Belivaldo Chagas?
FR - Belivaldo terá tempo para pensar em seu novo governo. A partir de 1º de janeiro de 2019 os sergipanos terão um governo 100% com o seu estilo. Ele mesmo disse na campanha que não teve nenhum interesse em mexer na gestão com o “carro andando” e, na minha opinião, fez certo. Por parte do MDB, como também do nosso agrupamento, Belivaldo terá toda a tranquilidade para montar um secretariado com pessoas da sua confiança, e caso precise da nossa contribuição, como já fizemos no governo Jackson Barreto, teremos todo o prazer em colaborar. Nomes como os do secretário de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, Rosman Pereira, e do presidente da Junta Comercial de Sergipe, George Trindade, que estão fazendo um excelente trabalho em suas respectivas pastas, mostram que temos um compromisso com indicações técnicas e qualificadas, que tragam soluções para os problemas do Estado.

JC - Você acha que Belivaldo precisa mudar sua equipe ou algumas diretrizes do governo?
FR - Tenho muita confiança na pessoa e no político Belivaldo Chagas. Não faria qualquer observação ao seu estilo de governar. Lógico que estamos disponíveis para colaborar e até aconselhar em determinadas situações, quando ele precisar dessa nossa colaboração. Sergipe está e ficará em boas mãos nos próximos quatro anos.

JC - Na busca de recursos para Sergipe, como será o diálogo com o novo presidente e seu novo ministério? Sergipe ficou sem um político forte junto ao novo presidente?
FR - Acho que até esse modelo de “político forte” junto ao presidente não é bom. A bancada sergipana de 11 parlamentares, independente das questões político-partidárias, deve trabalhar unida, buscando os interesses do Estado. Temos várias demandas em setores essenciais, diversas obras paralisadas à espera de recursos federais e outras que precisam ser iniciadas para colocarmos isso como prioridade ao futuro presidente Jair Bolsonaro e seus ministros. As eleições já terminaram e para trazer recursos e investimentos para Sergipe não colocarei as diferenças político-partidárias na frente dos interesses dos sergipanos. Esse é o meu compromisso.