20/05/2019 as 07:52

ENTREVISTA/MAÍSA MITIDIERI

“Acho que às vezes os deputados da oposição passam do limite na forma de criticar”

Nesta edição do JORNAL DA CIDADE, a deputada estadual Maísa Mitidieri contou que vem dando continuidade ao trabalho desenvolvido pelo pai, Luiz Mitidieri, na Assembleia Legislativa de Sergipe e, por essa razão, vem defendendo os interesses dos municípios sergipanos. Contudo, a jovem estreante no Legislativo já possui um diferencial da família por estar em prol das mulheres, principalmente no combate à violência. Ela também opinou sobre a atuação dos colegas do G4, da oposição, e acha que “as vezes passam do limite”. A parlamentar aproveitou para lançar um breve panorama político do PSD, inclusive defende que Belivaldo Chagas deve ter aproximação com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pelo simples fato de já ter acabado a eleição e “Sergipe precisa de recursos”. No que diz respeito à eleição municipal, Maísa assegura que o partido “irá com Edvaldo Nogueira (PCdoB). Pelo compromisso e comprometimento com a eleição de Belivaldo Chagas nós temos essa gratidão”. Além disso, ela também comentou que não está no projeto pessoal disputar o pleito do próximo ano. “Mas sou do grupo e vamos ver o que será definido mais à frente”, explicou. Confira o conteúdo completo:


“Acho que às vezes os deputados da oposição passam do limite na forma de criticar”Foto: Agência Alese

JORNAL DA CIDADE - Como a senhora está vendo a experiência no mandato?
MAÍSA MITIDIERI - É uma grande responsabilidade, até porque estou dando continuidade ao trabalho do meu pai. Já vinha acompanhando o trabalho dele tanto nos municípios como aqui na Assembleia Legislativa de Sergipe, mas estar aqui como deputada estadual tem sido uma grande experiência, um grande aprendizado.

JC - Quais as principais bandeiras que vem levantando na Assembleia? Já existem projetos? Quais são?
MM - Defendo os interesses do meu Estado, dos municípios, do povo sergipano. Já foram feitos alguns requerimentos, indicações na Assembleia buscando diversas melhorias, como nos casos de algumas rodovias, já fomos em diversos órgãos, secretarias, visitas ao governador, enfim, desempenhando assim o nosso papel.
Uma das nossas principais bandeiras são as mulheres, o combate à violência contra a mulher, o trabalho de conscientização delas da importância do seu papel na política, e hoje, estando como presidente da frente Parlamentar dos Direitos da Mulher, trabalharemos nesse sentido. Atualmente, faço parte de nove comissões na Assembleia e considero mais uma grande forma de crescimento legislativo e de um maior acompanhamento dos projetos de leis que tramitam na Casa. Esse primeiro ano considero um ano de analisar e buscar conhecer todo o processo legislativo, claro que sem deixar de lutar por Sergipe.

JC - Como a senhora enxerga a movimentação dos deputados integrantes do G4 na Assembleia Legislativa?
MM - Eles estão fazendo o papel deles como oposição. Fazer oposição é legítimo. Um direito de todos. Só acho que as vezes passam do limite na forma de criticar, mas aí é do juízo de cada um.

JC - A senhora pensa em alçar novos voos? Quais?
MM - Penso em fazer grande mandato e honrar os sergipanos. O futuro, a gente discute mais à frente juntamente com o nosso agrupamento. Acho muito cedo para discutir isso.

JC - Se o PSD pleiteia a Prefeitura de Aracaju, a senhora é uma opção para majoritária? Ou vice? Por quê? Há outras opções?
MM - Somos aliados do prefeito Edvaldo (PCdoB) e nunca colocamos nenhum tipo de condicionante. A vice será algo que só deve ser discutida ano que vem por todos os partidos aliados deste projeto e o PSD está inserido nesse contexto. Quanto a meu nome, não é meu projeto, mas sou do grupo e vamos ver o que o que será definido mais à frente.

JC - O que acha do PT indicar candidato próprio para a Prefeitura de Aracaju? O PSD apoiaria um candidato do PT? Ou pretende ficar ao lado de Edvaldo Nogueira, atualmente no PCdoB?
MM - O PT, assim como qualquer partido, tem o direito de lançar candidato, mas o PSD irá de Edvaldo Nogueira. Pelo compromisso e comprometimento com a eleição de Belivaldo Chagas nós temos essa gratidão.
w JC - A gestão de Edvaldo Nogueira o credencia a disputar, mais uma vez, uma reeleição? Por quê?
MM - Sim. Edvaldo pegou Aracaju arrasada e está fazendo uma grande gestão. Colocou a folha em dia, pagou os fornecedores em atraso, quase R$ 600 milhões, transformou nossa capital em um canteiro de obras. Edvaldo já mostrou ser um grande gestor.

JC - A senhora acredita ser bom para Belivaldo Chagas se aproximar do presidente Jair Bolsonaro (PSL)?
MM - Não é questão de ser bom ou ruim. Sergipe precisa de recursos. A eleição já acabou. Temos que descer do palanque e ajudar Belivaldo a fazer uma grande gestão. E nesse contexto, a aproximação do Governo Federal é necessária. Campanha tem que ser deixada para tempo de eleição. Agora é gestão!

JC - Sergipe deve apoiar o projeto de reforma de Previdência do Governo Federal, por quê? A senhora acha que Sergipe deve ter a sua própria previdência ou deve seguir o modelo apresentado pelo Bolsonaro?
MM - O Brasil precisa da reforma da Previdência e Sergipe também, isso é fato. Chegamos ao limite nesse quesito. No entanto, isso não pode ser pretexto para fazer com que os trabalhadores comuns, aqueles que mais precisam, paguem a conta sozinhos. Mexer na aposentadoria rural, no BPC, no abono salarial, é entregar a conta para os mais pobres. Enquanto isso, as grandes fortunas não são taxadas, e as maiores empresas do país são as maiores devedoras do INSS. Espero que o texto seja alterado na Câmara para que possa ser aprovado uma reforma justa.