04/06/2019 as 10:00

Entrevista/Eduardo Prado

“SE tem dificuldade de encontrar o caminho do crescimento”

Não há previsão para o Brasil sair da crise em que se encontra. O governo federal aposta em reformas sendo puxadas pela da Previdência, que seria a principal. Em Sergipe a crise motiva desemprego e atinge principalmente os setores de petróleo e gás e a construção civil. O caminho para retomada do crescimento da economia sergipana passa pela melhoria do ambiente de negócios, aperfeiçoando os processos burocráticos e legais e fortalecendo as ações voltadas para a ciência, tecnologia e inovação, segundo o presidente da Federação da Indústria (Fies), Eduardo Prado. Ele expõe no JC avaliações que tem sobre a crise e seus reflexos. Veja a seguir os principais trechos da entrevista:


“SE tem dificuldade de encontrar  o caminho do crescimento”

JORNAL DA CIDADE - Têm sido muito evidentes esses efeitos da crise?
EDUARDO PRADO - Infelizmente, a crise que afeta o país tem se prolongado demasiadamente, reclamando aprovação de medidas, muitas das quais já propostas pelo governo e cuja demora torna mais forte o impacto sobre a economia, que não consegue reagir sem o lastro legal que tem na reforma da Previdência o ponto de partida fundamental para a retomada do crescimento. Sergipe não é uma ilha e junto com o resto do país está tendo muita dificuldade de reencontrar o caminho do crescimento, de forma sustentável ao longo tempo.

JC - Quais os setores mais afetados?
EP - A economia sergipana tem uma situação um pouco mais difícil que muitos outros estados, pela representatividade de dois setores fortemente afetados durante a crise: petróleo e gás e a construção civil. Estes dois setores ainda estão cambaleantes, exigindo que Sergipe busque força em outros segmentos, enquanto não houver uma retomada mais forte nessas cadeias produtivas.

JC - Muitas demissões?
EP - Os números ainda são ruins, em especial na indústria de transformação e na construção civil, que ao longo do primeiro quadrimestre deste ano (janeiro a abril/2019) geraram saldos negativos de 2.455 e 470 empregos, respectivamente.

JC - As indústrias pagam elevados impostos?
EP - Historicamente o Brasil tem uma carga tributária elevada e para dificultar ainda mais existe uma burocracia, que exige uma estrutura pesada (e cara) para as empresas conseguirem pagar corretamente seus impostos e cumprir todas as exigências legais.

JC - Há otimismo em relação à saída da crise?
EP - Com o início de um novo governo as esperanças se renovaram, havendo uma expectativa muito positiva por parte dos empresários. Mas para que estas expectativas se transformem em realidade as reformas estruturais precisam avançar, em especial, como disse, a da Previdência e a tributária, destravando investimentos mais robustos que só ocorrerão se houver uma maior segurança que as contas públicas estarão ajustadas no médio e longo prazo.

JC - Tem previsão para fim da crise? Quais as medidas tomadas para driblar a situação?
EP - A crise ainda vai levar algum tempo para ser superada, podendo a saída dela ser acelerada se o ambiente político, no nível nacional, apressar as medidas estruturais, conforme falado anteriormente. No nível estadual, o caminho para retomada do crescimento da economia sergipana passa pela melhoria do ambiente de negócios, aperfeiçoando os processos burocráticos e legais e fortalecendo as ações voltadas para a ciência, tecnologia e inovação. Este último item, em especial, tem potencial para possibilitar que Sergipe acelere o processo de atração de investimentos em setores portadores de futuros, com destaque para negócios de base tecnológica, permitindo uma pujante retomada da geração de emprego e renda para a população sergipana.