10/06/2019 as 09:42

Entrevista/Garibalde Mendonça

“A impressão que o MDB me deixa é a de que não tem mais interesse que seja um membro filiado do partido”

O deputado estadual Garibalde Mendonça (MDB), que já está no sexto mandato na Assembleia Legislativa de Sergipe, comentou nesta edição do JORNAL DA CIDADE como vem atuando nesta legislatura e opinou sobre a relação do governador Belivaldo Chagas (PSD) com o presidente Jair Bolsonaro (PSL). Além disso, confessou o sentimento de “exclusão” que observou do MDB sobre as tratativas referentes às mudanças no partido, das quais não participou das reuniões e nem das decisões. Nesta entrevista, o parlamentar também admitiu nunca ter descartado a possibilidade de disputar o comando da Prefeitura de Aracaju. Confira o conteúdo completo:


“A impressão que o MDB  me deixa é a de que não tem mais interesse que seja um membro filiado do partido”Foto: Divulgação

JORNAL DA CIDADE - Como está o MDB? Há algum desentendimento? Houve falta de diálogo na formação do novo comando dos diretórios estadual e municipal?
GARIBALDE MENDONÇA - Confesso que não sei. Não acho que seja desentendimento, o que houve foi exclusão de alguém que já tem cinco mandatos pela sigla em Sergipe. Não participei das reuniões e das decisões tomadas.

JC - Há ressentimento? Pensa em sair do partido no período que abrir janela?
GM - Ninguém ficaria satisfeito com o tratamento que me foi dado. Sair do partido é um processo que requer cautela, respeito ao meu eleitorado e muita segurança jurídica. Já com janela o caminho seria mais fácil. A impressão que o MDB me deixa é a de que não tem mais interesse que seja um membro filiado do partido. Até mesmo os diretórios que instalei em algumas cidades já estão sendo trocadas suas diretorias sem o meu conhecimento.

JC - Pensa em disputar a eleição municipal?
GM - Nunca descartei essa possibilidade de um dia comandar o município de Aracaju, mas sou homem de grupo e partidário, e não posso tomar uma decisão dessa sem consultar meu grupo, que me acompanha desde a primeira eleição. No MDB, por exemplo, é descartada essa possibilidade, já que o partido já tomou a decisão de apoiar uma candidatura de outra sigla.

JC - Como o senhor avalia a gestão do governador Belivaldo Chagas?
GM - Eu entendo que o governador Belivaldo Chagas tem um desafio muito grande à frente do Governo do Estado. Acho muito cedo alguma avaliação, mas tenho esperança de que fará uma grande gestão. Torço por isso.

JC - Por falar em Belivaldo, como o senhor avalia a relação com o presidente Jair Bolsonaro?
GM - Para mim demorou um pouco para dialogar institucionalmente com o Governo Federal, mas nunca é tarde. O Estado é maior que os seus governantes, então Belivaldo é governador e Bolsonaro presidente, logo, na minha opinião, os encontros que estão acontecendo entre os dois são bons para Sergipe. Entendo que Belivaldo está agindo com magistratura, separando as relações políticas das administrativas. Sergipe acima de tudo [risos].

JC - O senhor acha favorável para o Estado seguir a Previdência do âmbito federal ou é melhor criar uma própria? Por quê?
GM - Primeiro entendo que a reforma da Previdência é inevitável, porém, com algumas mudanças do texto original produzido pelo Governo Federal. É preciso manter as garantias dos trabalhadores, como dos que já se encontram aposentados. Isso é direito adquirido. Quanto aos estados, é necessário aguardar o desfecho do que for decidido nacionalmente, para que cada Estado avalie sua capacidade de sustentação com a Previdência local.

JC - Sobre a sua atuação na Assembleia, neste mandato quais são as suas principais bandeiras levantadas na Assembleia? Há projetos? Comente.
GM - Estando no sexto mandato depois de uma eleição com uma mudança significativa de parlamentares e eu continuar aqui pela escolha livre do povo me traz mais responsabilidade para ampliar e intensificar minha atuação legislativa. Nesses primeiros meses do ano já apresentamos projetos importantes, como o que proíbe a contratação condenado pela Lei Maria da Penha até que cumpra toda a sentença. Fizemos uma gestão junto ao Governo do Estado para rever a tributação do coco seco em Sergipe e já é uma realidade para os produtores. Estamos numa luta em defesa dos viveiristas da região citrícola, que estão passando por momentos difíceis em suas produções. Criamos a Frente Parlamentar em Defesa da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento, da qual sou presidente, e estamos presidindo a Comissão Parlamentar de Atualização dos Limites Intermunicipais, que já resolvemos os conflitos dos municípios de Japoatã e Tomar do Geru, enquanto estamos trabalhando nos interiores em conflitos de todo o Estado. Enfim, nosso trabalho tem sido intenso, mas, muito prazeroso, principalmente quando concluímos com resultado favorável para a população. No mais, quero agradecer pela oportunidade que me dispõem neste seleto espaço.