09/07/2019 as 08:05

Entrevista/Georgeo Passos

“É um governo caloteiro, que não paga servidores e fornecedores em dia”

O deputado estadual Georgeo Passos (Cidadania) comentou nesta entrevista para o JORNAL DA CIDADE como vem sendo a atuação na Assembleia Legislativa de Sergipe e, principalmente, os principais projetos. Sobre isso, ele, inclusive, frisou a “grata surpresa” da formação do G4 – grupo formado por quatro deputados – nesta legislatura. Ainda na oportunidade, o parlamentar afirmou que “hoje toda a sociedade sergipana sofre com o descaso do atual governo” e, por essa razão, continua desempenhando o papel de líder da oposição ao governo de Belivaldo Chagas (PSD) no parlamento. Além disso, expôs o cenário político de Ribeirópolis (onde possui domicílio eleitoral) para a eleição municipal do próximo ano.


“É um governo caloteiro, que não paga servidores e fornecedores em dia”Foto: Assessoria

JORNAL DA CIDADE - Como o senhor avalia a atuação neste semestre? O balanço do seu mandato foi positivo?
GEORGEO PASSOS - Em verdade, sempre desejamos mais. Nesse primeiro semestre, conseguimos avançar em várias frentes do nosso mandato. Tivemos essa inovação da formação do G4, apertamos nas fiscalizações que estávamos realizando desde o primeiro mandato, apresentamos projetos de lei, propostas de emenda à Constituição. Fizemos bons embates no plenário. Creio que saímos com saldo positivo. Lógico que no segundo semestre buscaremos corrigir as falhas que aconteceram para poder dar um retorno melhor para a sociedade sergipana.

JC - Quais principais projetos o senhor apresentou? Nesta legislatura, é possível afirmar celeridade no andamento dos projetos na Assembleia, por quê? E há transparência?
GP - Com relação aos nossos projetos, lembramos que temos várias matérias que apresentamos no primeiro mandato que não foram votadas ainda pela Assembleia. Vamos cobrar a tramitação dessas matérias, a exemplo da PEC da Ficha Limpa, dentre outros temas que ficaram engavetados. Nesta legislatura, temos a PEC que obriga a ida de todos os secretários de Estado à Assembleia para prestação de contas de suas atividades. Projetos de lei visando criar a semana de valorização da pessoa idosa, afinal de contas percebemos que a cada dia que passa o número de pessoas idosas aumenta e não temos ainda políticas públicas definidas para esse segmento da sociedade. Esse PL tem como objetivo isso: discutir, preparar e traçar, junto com o Poder Executivo, metas e ações para esse público. Temos também outra matéria que tem o intuito de auxiliar os servidores públicos vítimas de violência física e psíquica, afinal de contas, muitos servidores estão afastados para tratamento de saúde. A ideia é fazer uma prevenção e, para aqueles que estiverem afastados, que o Estado possa ajudá-los a retornar para suas atividades.

JC - Como considera e avalia a atuação do G4? E na Assembleia Legislativa?
GP - O G4 foi uma grata surpresa neste início de legislatura. Nos somamos e demos um ritmo acelerado a um trabalho sério de fiscalização – uma das tarefas do Poder Legislativo. Isso foi um gás novo, um combustível a mais na oposição. Uma forma diferente de trabalhar e que poderá nos render bons frutos no futuro. Dentro da Assembleia, apresentamos projetos e debatemos respeitando sempre a vontade do povo, mostrando que apesar do governo ter maioria podemos sim bater de frente, apresentando soluções para nosso Estado.

JC - Vocês do G4 pensam em ampliar o trabalho no próximo semestre? Como será feito?
GP - Com certeza nós entendemos que o G4, que é formado pela deputada Kitty Lima (Cidadania), deputados Samuel Carvalho (Cidadania), Rodrigo Valadares (PTB) e por mim, teve uma importante participação neste primeiro semestre na Alese. E no segundo semestre nós queremos sim ampliar as ações que desenvolvemos. Afinal de contas, a população hoje já nos dá um feedback bastante positivo. Mostra que confia muito neste grupo. Todos os quatro recebem muitas demandas e vamos ter que intensificar as fiscalizações bem como a propositura da resolução de problemas aqui em Sergipe.

JC - E a atuação como líder da oposição do governo? É fácil ou difícil fazer oposição a Belivaldo Chagas?
GP - Inicialmente agradecemos a confiança dos colegas que nos deram essa missão. Estamos apenas no nosso segundo mandato. Não é fácil ser líder e sendo da oposição temos uma missão muito complexa. Afinal, o governo tem sempre maioria ampla na Casa e aprova o que quer. A gente tem que ficar sempre motivado e motivando a nossa bancada para fazer a nossa parte. Foi o que tentamos fazer ao longo deste período que estamos na liderança. Lógico que fazendo uma oposição responsável, uma oposição propositiva. Não somos uma oposição do “quanto pior, melhor”. Esse não é o nosso foco enquanto liderança da oposição. Sobre o governo Belivaldo, como já dissemos várias vezes, não tem nada de novo. É um governo caloteiro, que não paga servidores e fornecedores em dia. E olhe que estamos falando de um grupo político que está há mais de 12 anos no poder, demonstrando que não fizeram o dever de casa anteriormente. Que não planejaram o Estado. E hoje toda a sociedade sergipana sofre com o descaso do atual governo – seja na área de segurança pública, saúde, educação, por exemplo. Nossas rodovias estão em estado muito precário. População cobrando muito. Iremos continuar com a nossa missão.

JC - O que está faltando no governo? Há como melhorar?
GP - Sempre há como melhorar. Porém, percebemos que faltou planejamento e seriedade para que o Estado de Sergipe não chegasse na atual situação em que está. Belivaldo vendeu na campanha eleitoral a ideia de que chegou para resolver, quando na verdade faz parte deste grupo que comanda o Estado há mais de uma década. Como é que chegou para resolver, se fez parte do problema? Faltou planejamento e ele é um dos responsáveis, pois foi vice de Déda, de Jackson Barreto e secretário de Estado em algumas pastas. Enquanto isso, Sergipe sofre com a falta de investimentos, com a economia travada, desemprego grande e a violência aumentando. É possível sim melhorar, mas não vemos isso como viável por causa da forma de administrar deste grupo.

JC - Sobre a eleição municipal, como o senhor enxerga o trabalho do partido Cidadania? Já há uma preocupação para o pleito? Terá candidatura própria? Quem poderá representar a sigla?
GP - Desde que o senador Alessandro Vieira assumiu a Presidência do Diretório Estadual do Cidadania que o partido está nessa fase inicial de reorganização. Já tivemos algumas reuniões do diretório inclusive com filiados e parlamentares visando traçar um plano de ação rápido, pois a eleição se aproxima. Percebemos que estamos tendo uma boa receptividade. Várias pessoas procurando se filiar e colocando o nome à disposição para serem candidatas no próximo pleito. A meta do nosso senador é termos candidatos em todos municípios sergipanos – candidato a prefeito e a vereador. A ideia é colocar à disposição da sociedade nomes que sejam avaliados. Que a sociedade faça também comparação com os demais. Não tenho dúvidas que o Cidadania terá um excelente resultado eleitoral no próximo pleito.

JC - Há pretensão de disputar o pleito agora? E no futuro? Por quê?
GP - Nesta eleição municipal, nós não iremos disputar nenhum mandato. Já temos, inclusive, candidato definido em Ribeirópolis, cidade onde tenho meu domicílio eleitoral. Não irei concorrer no pleito de 2020. Sobre o futuro, a política é muito dinâmica. As coisas acontecem numa velocidade muito grande. Vamos sim lá na frente colocar nosso mandato para avaliação do povo sergipano. Quem sabe, até disputando um outro cargo. Mas não é momento de falarmos disso. Temos é que trabalhar, pois temos menos de um ano do nosso segundo mandato. Mas somos soldados do Cidadania e estamos sempre à disposição do partido.

JC - Como está o cenário político em Ribeirópolis? Comente sobre como o senhor acredita que ficará a eleição.
GP - A eleição em Ribeirópolis sempre foi disputada. Se pegarmos o resultado dos últimos quatro pleitos vamos perceber isso. Os grupos se organizam e a cidade fica praticamente dividida. Mas o prefeito Antônio Passos vem fazendo a sua parte. Fazendo um belo trabalho, com esforço e dedicação. Honrando o compromisso, por exemplo, com o funcionalismo público e mantendo os serviços essenciais como saúde, educação, iluminação pública, limpeza urbana, melhorias em estradas vicinais – nesses pontos sendo inclusive muito bem aprovado. Com relação às obras, tivemos certa dificuldade. Mas nesta última semana, no dia 4 de julho, o prefeito assinou ordem de serviço para a realização de calçamento e drenagem de ruas em Ribeirópolis. Investimentos de quase R$ 500 mil obtidos através de emendas do deputado federal Laércio Oliveira e do ex-senador Eduardo Amorim. Tem vários outros contratos já assinados com a Caixa Econômica só esperando autorização para que o prefeito assine novas ordens. Não tenho dúvidas de que, pela experiência que tem, o grupo que temos na cidade e com esse trabalho que tem sido aprovado pelo povo iremos para uma disputa tendo como pré-candidato a reeleição Antônio Passos.











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