15/03/2021 as 08:28

ENTREVISTA

Kitty Lima: ‘É preciso ter vontade política e sensibilidade para proteger sergipanos’

De acordo com a parlamentar, há condições do governo estadual arcar com a ajuda, pois “recebeu quase r$ 1 bilhão de ajuda fiscal da união

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Nesta entrevista para o Jornal da Cidade, a líder da oposição à gestão do governador Belivaldo Chagas (psd) na assembleia legislativa, deputada estadual Kitty Lima (cidadania), expôs a proposta que fez ao chefe do poder executivo para poder amenizar os impactos das medidas restritivas de combate à covid-19 nos setores produtivos de Sergip e– incluindo um auxílio de R$ 1 mil para trabalhadores que ficaram desempregados. De acordo com a parlamentar, há condições do governo estadual arcar com a ajuda, pois “recebeu quase r$ 1 bilhão de ajuda fiscal da união”. Além disso, falou sobre a liderança do grupo e do mandato. Acompanhe o conteúdo completo a seguir:

JORNAL DA CIDADE - Durante a sessão do dia 9 de março, na Alese, a senhora informou que foi feita uma indicação, pela bancada do Cidadania, para o governador com sugestões de soluções para amenizar os impactos das medidas restritivas de combate à Covid-19 no setor de eventos, entretenimento, bares e restaurantes. O que vocês sugeriram?
KITTY LIMA – Não dá pra você restringir a atividade econômica sem nenhum tipo de contrapartida, fazer isso é decretar o fim dos empregos e a falência das empresas. Por isso, estamos solicitando que o Governo do Estado isente ou reduza o ICMS dessas atividades, parcele todos os débitos de ICMS em 60 vezes; faça a isenção do IPVA de 2021 para veículos registrados na empresa, e até um carro que esteja no nome do profissional autônomo ou MEI que atue no segmento; Isente todos os débitos de contas de água de março de 2020 até final de fevereiro de 2021; e que distribua um auxílio financeiro para os desempregados do setor de eventos, entretenimento, bares e restaurantes em R$ 1 mil, a ser pago em duas parcelas (março e abril).

JC – Como foi o consenso entre os deputados? Há outros parlamentares na Casa que estão sugerindo o mesmo pacote de medidas? KL – A bancada do Cidadania concordou de imediato com essas solicitações. O deputado Gilmar Carvalho também propôs algo semelhante, o que nós estamos propondo não é nada de outro mundo. Medidas como essa estão sendo tomadas em outros estados, a exemplo do Ceará. Esperamos que a Casa aprove e se empenhe na luta pela implementação dessas medidas propostas por nós do Cidadania e pelas medidas propostas pelo colega Gilmar Carvalho.

JC – E com relação ao auxílio para os trabalhadores desse setor, como seria feito? Qual critério?
KL – O auxílio de R$ 1 mil deve ser dado aos trabalhadores que perderam seus empregos por causa da pandemia. Esse foi o setor que mais sofreu com a pandemia, são pais e mães de família que estão há um ano sem ter seu sustento assegurado e com o fim do Auxílio Emergencial do Governo Federal a situação ficou ainda pior. O governo deve fazer um cadastro dos trabalhadores do setor que estão desempregados, trabalhadores que comprovarão com a carteira de trabalho a atuação no setor e a liberação do auxílio poderá ser operacionalizada junto com o auxílio das pessoas que estão em situação de pobreza extrema.

JC – A senhora acredita que há possibilidade do governo arcar com isso? Tem receita? Como avalia as contas públicas?
KL – Há condições de arcar. O governo recebeu quase R$ 1 bilhão em ajuda fiscal da União, isso possibilitou o ajuste da folha, o governo tem declarado que as contas estão em ordem, naturalmente é possível buscar espaço no orçamento para contemplar quem mais precisa. Não é uma questão fiscal, é uma questão de prioridade política.

JC – Com relação ao critério econômico de Sergipe, no período da pandemia, o que de fato a senhora acredita que o poder público pode fazer para amenizar?
KL – O governo precisa chamar o setor produtivo para discutir tanto as medidas combate à pandemia quanto às ações de socorro as atividades econômicas mais afetadas. Abrir o diálogo é fundamental, e em segundo lugar, é preciso ter vontade política e sensibilidade para proteger os empregos e a renda desses sergipanos, por meio da intervenção do Estado, com isenções, negociações e concessão de auxílio.

JC – Sobre a liderança na oposição, faça um balanço da atuação. Quais as principais dificuldades encontradas? Como andam os trabalhos de fiscalização do grupo?
KL – Dificuldades sempre tivemos, não é fácil fazer política da forma diferente como fazemos. Fazer a defesa da população é uma missão nossa do Cidadania. Temos mantido a vigilância em relação aos atos do Executivo, a implementação de um gabinete compartilhado tem facilitado na requisição e no estudo das informações passadas pelo Governo do Estado.

JC – Por falar em grupo, além dos parlamentares do Cidadania, quem integra a oposição na Assembleia?
KL – Gostaríamos que mais pessoas integrassem a bancada da oposição. No início da legislatura apenas Cidadania e PTB se posicionaram dessa forma, outros partidos e parlamentares decidiram pela independência ou decidiram integrar a bancada governista. Estamos sempre abertos ao diálogo, não somos uma bancada fechada, mas até o momento não fomos procurados por mais nenhum parlamentar que queira integrar nossa bancada de oposição junto conosco.

JC – Como está o seu mandato? Faltando dois anos para o término, o que a senhora acha que ainda está pendente para ser feito? O que os sergipanos podem esperar?
KL – Nossa avaliação é que os dois primeiros anos foram de saldo bastante positivo e a pandemia nos ensinou bastante sobre a necessidade de que os governos estejam bem gerenciados e tenham planejamento para situações críticas. Infelizmente, não é essa a situação do Estado, podemos ver isso na questão da abertura de leitos e no progresso da vacinação em nosso Estado, por exemplo. Pelos próximos dois anos, esperamos aprovar mais matérias de nossa autoria, há muitos projetos da causa animal e de outros temas de grande relevância que estão com tramitação parada, infelizmente. Esperamos também que a execução das emendas seja realizada com sucesso e leve o benefício que tanto esperamos. Além disso, vamos continuar na cobrança e na luta pelo que é certo, não importa se desagrada governador, prefeito ou presidente, eu devo satisfação ao povo de Sergipe que me elegeu e o que eles podem esperar de mim é força, coragem e vontade de trabalhar para representá-los da forma que o povo sergipano merece.

|Por Mayusane Matsunae

||Foto: Divulgação