22/03/2025 as 11:10
ENTREVISTAEm seu segundo mandato, Breno reforça a necessidade de que o poder público trate as questões ambientais com seriedade e alerta sobre a urgência da revisão do plano diretor de desenvolvimento urbano.
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Nesta edição do Jornal da Cidade, a série de entrevistas com os vereadores de Aracaju continua. O espaço foi aberto para o vereador Breno Garibalde (REDE), que analisou, junto com a equipe de reportagem, a atuação que vem sendo feita na câmara de Aracaju. Em seu segundo mandato, Breno reforça a necessidade de que o poder público trate as questões ambientais com seriedade e alerta sobre a urgência da revisão do plano diretor de desenvolvimento urbano. Confira o conteúdo completo:
Por Mayusane Matsunae.
JORNAL DA CIDADE - Como o senhor avalia a evolução do seu trabalho do primeiro para o segundo mandato?
BRENO GARIBALDE – De forma muito positiva, e prova disso foi o nosso resultado nas urnas. Mais do que dobramos a quantidade de votos, e isso dobra também a nossa responsabilidade. Desenvolvemos um trabalho muito bacana no primeiro mandato, focando no que eu acredito: uma cidade que se desenvolva de forma sustentável, com planejamento adequado e que seja boa para todas as pessoas. Com acessibilidade, mobilidade ativa, uma cidade arborizada e humana. Foram mais de 600 proposituras apresentadas, mas gosto também de colocar a mão na massa, e fizemos diversas ações, como limpezas de praias e de manguezais, plantios, instalação de ecobarreiras e por aí vai. Isso rendeu bons resultados e agregou muita gente que acredita no nosso trabalho e se identifica com nosso mandato.
JC – Quais foram os principais projetos ambientais que o senhor conseguiu implementar até agora? E quais são os projetos futuros?
BG – Desde a minha chegada à Câmara de Aracaju, a preservação do meio ambiente sempre foi e continua sendo uma prioridade. Ações como o plantio de árvores em diversos pontos da cidade, limpeza de praias e coleta de recicláveis são constantemente realizadas. Além disso, diversos projetos de lei que visam à preservação dos nossos recursos naturais já são realidade em Aracaju. Entre eles, a lei que cria a política municipal de incentivo à energia solar, a lei que institui a política de mobilidade sustentável e de incentivo ao uso de bicicletas e a lei que estabelece normas e diretrizes para o uso sustentável de madeiras nativas, visando à conservação dos recursos florestais e à proteção da biodiversidade da nossa cidade. Outra iniciativa que prioriza a preservação do meio ambiente são as ecobarreiras, que são estruturas flutuantes com a função de barrar o lixo dos canais de drenagem da capital sergipana, evitando que ele chegue aos rios. O primeiro equipamento foi instalado por mim mesmo em junho de 2022. Desde então, a ideia tem dado certo, e a Prefeitura de Aracaju instalou diversas outras ecobarreiras. A arborização urbana também é uma das minhas bandeiras. Pensando nos diversos benefícios que as ações de plantio de árvores proporcionam, como estabilidade climática, conforto ambiental e melhoria da qualidade do ar, destinei minhas emendas impositivas para a ampliação do Programa Aracaju Mais Verde. Especificamente, ver o Centro de Aracaju arborizado é um dos meus maiores sonhos. Moramos em uma cidade do Nordeste, com um sol muito forte, e, mesmo assim, não somos exemplo no quesito arborização. A região central é um dos principais exemplos disso, e a gente precisa reverter esse quadro. Um centro arborizado, além de mais bonito, trará mais bem-estar para os cidadãos.
JC – Como o senhor avalia a efetividade das políticas ambientais municipais atuais?
BG – Nos últimos tempos, vivemos um descaso em relação à pauta ambiental. Não se desenvolveram políticas públicas de combate às emergências climáticas, arrancou-se mais árvores do que se plantou, e nunca foi colocado em prática um planejamento de despoluição de rios e retirada das ligações clandestinas dos canais de drenagem. Além disso, não temos uma política pública efetiva de reciclagem. Pagamos para enterrar coisas que poderiam virar renda para diversas famílias que dependem da reciclagem. Isso seria extremamente benéfico para a população, para as contas municipais e para o meio ambiente. Dito isso, não podemos dizer que avançamos. Avalio de forma muito negativa e fico extremamente preocupado.
JC – Qual é sua visão sobre o equilíbrio entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental na cidade?
BG – São duas coisas que têm que andar juntas. Não tem como falar de desenvolvimento urbano sem preservação ambiental. A gente precisa buscar exemplos que deram certo em outros lugares e parar de replicar modelos ultrapassados que já sabemos que não funcionam. Exemplo: mais viadutos e pontes para “desafogar” o trânsito, inclusive desmatando áreas de mangue. Também temos um exemplo na antiga zona de expansão, onde está sendo executada uma grande obra de macrodrenagem, que está acabando com o meio ambiente local e arriscando a perda do único rio limpo que temos, sem diálogo com a população ribeirinha que depende dele. Parece que, em Aracaju, o desenvolvimento é só asfalto e concreto. Não pensam de forma sustentável, mas existem caminhos para isso.
JC – Quais são os principais pontos do Plano Diretor atual que precisam ser revistos e atualizados?
BG – O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) é um instrumento fundamental para o desenvolvimento ordenado e sustentável da cidade. Em Aracaju, muitos pontos precisam ser revistos. Nosso PDDU é do ano 2000. Deveríamos estar discutindo a terceira revisão, mas não tivemos sequer a primeira. São 25 anos de atraso, e hoje somos a capital com o plano diretor mais defasado do país, o que gera crescimento desordenado e grandes impactos negativos na qualidade de vida da população aracajuana. Primeiramente, a participação popular é fundamental no processo de revisão do Plano Diretor de Aracaju. Fazer qualquer tipo de projeto sem participação das pessoas não dá certo. A cidade só funciona com ampla discussão, ainda mais sobre a lei mais importante do município, que é o Plano Diretor. Se, lá atrás, as comunidades tradicionais já tivessem sido ouvidas, muitos problemas poderiam ser evitados hoje. Regiões da cidade, como a antiga Zona de Expansão e o bairro Jabotiana, são claros exemplos da falta de planejamento, ocasionada pelo crescimento desenfreado da cidade. Hoje, Aracaju tem 48 bairros e mais de 600 mil habitantes, mas nosso PDDU foi pensado para uma população de 400 mil. É necessário e urgente um diagnóstico atualizado sobre as áreas de risco da nossa cidade. Infelizmente, a gente vive as gestões para resolver problemas, e muitos deles poderiam ser evitados com um bom planejamento de cidade. Outro ponto importante é o repovoamento do Centro da cidade. É uma região que tem toda a infraestrutura de saúde, educação e transporte, mas não há planejamento de moradia para aquela área. A gente precisa ocupar o Centro, fazer com que essa área seja novamente atrativa para moradia, turismo e comércio.
JC – Há boa vontade da gestão municipal em discutir e implementar o Plano Diretor? Por quê?
BG – Vejo boa vontade, sim, e espero que essa revisão aconteça da forma correta, ainda nesta gestão, com renovação do diagnóstico e ampla participação popular, incluindo as comunidades tradicionais. Já são quase 30 anos sem essa revisão, e quem perde com isso somos todos nós. A cidade está crescendo de qualquer jeito e as consequências são sentidas na saúde, na educação, no meio ambiente, em todas as áreas.
JC – Quais são os principais obstáculos que o senhor enfrenta para aprovar projetos ligados ao meio ambiente?
BG – Eu não encontro muitos obstáculos. A Câmara de Vereadores tem estado atenta à temática ambiental, e tenho conseguido aliados nessa luta. O grande problema é a efetivação dessas leis. Precisamos que o Executivo esteja alinhado e as execute.
JC – Como o senhor vê o futuro da cidade em termos de sustentabilidade nos próximos anos?
BG – Eu sou uma pessoa muito otimista e espero que a gente tenha um futuro bem melhor do que o presente, até porque, se continuarmos do jeito que está, não sobrará um ser humano para contar a história. O planeta vai continuar e se recuperar. A nossa luta é pela preservação da raça humana, especialmente da população mais vulnerável, que é a mais afetada.
JC – Quais pautas o senhor pretende priorizar daqui para frente?
BG – Assim como fiz em todo o meu primeiro mandato, continuo lutando por uma cidade que se desenvolva de forma sustentável, ouvindo as pessoas e respeitando os animais e o meio ambiente. Além disso, vou continuar trabalhando para a melhoria da mobilidade urbana da nossa cidade, buscando promover políticas públicas que incentivem a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente, visando um futuro mais consciente e equilibrado para Aracaju.
JC – Por fim, o que a população pode esperar do segundo mandato do vereador Breno Garibalde?
BG – Vou continuar honrando os quase oito mil votos que me elegeram como o segundo vereador mais votado de Aracaju, trabalhando com dedicação e transparência, ampliando o diálogo com a população e garantindo que a voz dos aracajuanos seja ouvida e representada na Câmara de Vereadores. Reafirmo meu compromisso em consolidar os avanços já conquistados e implementar novas ações que contribuam para o desenvolvimento sustentável e inclusivo da nossa cidade.