17/07/2026 as 09:27

ANÚNCIO

Emília restringe publicidade de bets em Aracaju

O anúncio foi feito durante a live semanal “Café com Emília”, transmitida pelas redes sociais.

COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, afirmou nesta quinta-feira, 16, que a expansão das plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, tem provocado impactos sociais e anunciado que a Prefeitura de Aracaju adotou medidas para impedir a publicidade desses serviços em espaços públicos municipais.

O anúncio foi feito durante a live semanal “Café com Emília”, transmitida pelas redes sociais. Na ocasião, a prefeita destacou que a decisão tem como objetivo reduzir a exposição da população às campanhas de incentivo às apostas e atuar de forma preventiva diante de possíveis consequências relacionadas ao vício em jogos.

Segundo Emília, a presença constante de anúncios de apostas em diferentes meios de comunicação, redes sociais, eventos esportivos e espaços urbanos contribui para a criação de uma percepção equivocada de facilidade de ganho financeiro.

“É o tempo todo. Elas estão na televisão, nas redes sociais, nos estádios de futebol, nos influenciadores e, muitas vezes, até no caminho que fazemos todos os dias pela cidade. É um bombardeio constante”, afirmou.

A prefeita comparou o atual cenário das propagandas de apostas ao período em que anúncios de cigarros eram amplamente divulgados. Para ela, assim como ocorreu com a publicidade do tabaco, é necessário estabelecer limites para proteger a população.

“Há alguns anos, a gente ligava a televisão e via propaganda de cigarro o tempo todo. Eram comerciais bonitos, pessoas felizes, artistas famosos, tudo parecia normal, até que a sociedade percebeu que aquilo fazia mal”, disse.

Durante a transmissão, Emília Corrêa afirmou que o uso compulsivo de plataformas de apostas pode gerar consequências como endividamento, problemas de saúde mental e conflitos familiares. Ela destacou que muitas pessoas acabam comprometendo recursos destinados a despesas básicas na tentativa de obter ganhos financeiros.

“O que começa como uma brincadeira pode acabar se transformando em um vício. E esse vício é uma doença que destrói famílias, compromete a saúde mental, provoca endividamento e rompe relacionamentos”, declarou.

De acordo com a prefeita, os grupos mais vulneráveis são os que podem sofrer maiores impactos, especialmente diante da promessa de dinheiro fácil associada às campanhas publicitárias.

“Pessoas começaram apostando pequenos valores e, quando perceberam, já estavam usando o dinheiro do aluguel, da feira, da prestação da casa, dinheiro que deveria estar comprando comida, remédio e material escolar”, afirmou.

A medida anunciada pela Prefeitura de Aracaju proíbe a publicidade de plataformas de apostas nos espaços que estão sob responsabilidade do poder público municipal. Emília ressaltou que a iniciativa não impede que cidadãos realizem apostas, mas estabelece limites para a atuação do município na divulgação dessas empresas.

“Nós não estamos proibindo ninguém de fazer suas apostas, suas escolhas. O cidadão é livre. O que estamos dizendo é que o poder público não pode ser agente de incentivo a uma atividade que tem provocado tantos impactos sociais”, explicou.

Segundo a prefeita, Aracaju é a primeira capital do Nordeste a adotar uma medida desse tipo. Ela citou que cidades como Rio de Janeiro e Belo Horizonte também já estabeleceram restrições relacionadas à publicidade de apostas.

Emília afirmou ainda que a decisão faz parte de uma política de proteção à saúde pública, com atenção especial a crianças e adolescentes, que estão cada vez mais expostos às campanhas relacionadas às bets.

“Estamos falando de saúde pública, estamos falando de saúde mental, estamos falando de proteger crianças e adolescentes, que hoje crescem vendo essas propagandas como se apostar fosse parte natural da vida”, disse.

Ao finalizar, a prefeita reforçou que a gestão municipal deve atuar na prevenção de problemas sociais e afirmou que o papel do poder público é proteger a população.

“Governar também é proteger. É perceber um problema antes que ele se torne ainda maior. A prefeitura existe para cuidar das pessoas”, concluiu.