07/05/2018 as 16:09

Saúde

Servidores do Samu vão parar 40% da frota

Condutores vão entrar em greve a partir de quarta-feira (9); reajuste salarial está entre as reivindicações.


Servidores do Samu vão parar 40% da frotaFoto: André Moreira/Equipe JC

Por Laís de Melo/ Equipe JC

 

Os condutores de ambulância do Estado de Sergipe paralisarão as atividades na próxima quarta-feira, 9, sem previsão para retorno. De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância (Sindconam), Adilson Capote, cerca de 40% das viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) serão paradas.

Segundo Capote, a categoria decidiu por greve diante de três itens de reivindicação que não vem sendo atendidos pelo Governo do Estado. Em primeiro lugar os condutores estão cobrando pelo reajuste salarial que não é dado aos servidores públicos de maneira geral há cinco anos. Os condutores pedem também o pagamento dos salários em dia. E por fim, cobram do Governo uma posição sobre o envio da lei para regulamentar os servidores da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS).

“O governo não deu nenhum dos reajustes salariais obrigados pela própria Constituição Federal. Faz cinco anos que os nossos salários estão congelados. Além disso, virou moda pagar o salário do servidor atrasado. Esse mês, por exemplo, o calendário de pagamento aponta para o dia 12 de maio”, explica, insatisfeito, o vice-presidente.

A indefinição quanto ao caminho que será dado aos servidores da FHS, extinta por decisão judicial com prazo até maio de 2019, tem preocupado os condutores de ambulância. De acordo com Capote, a categoria não entende o motivo de o governo não enviar logo o projeto de Lei para a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese).

“O governo fica dizendo para não nos preocuparmos. Mas, na prática, percebemos que é uma situação que está sendo protelada e não sabemos o que está por trás dessa protelação. Sabemos que a partir do dia 7 de julho nada poderá ser feito por conta do processo eleitoral. O governo tem que dar uma solução para esses trabalhadores concursados da FHS. É uma coisa que é tão simples, enviar uma lei para a Alese, mas, o governo não leva essa lei. O que tem por trás disso, ninguém sabe. O governo é quem tem que explicar. Estamos preocupados de chegar o período eleitoral e nada ser feito”, disse Adilson.

Atualmente o Estado conta com 59 ambulâncias. Segundo Capote, apesar de o Estado ter renovado 30 viaturas da frota do Samu, ainda assim, as 29 restantes continuam passando pelos mesmos problemas, apresentando constantes problemas, tendo que ficar paradas para conserto.

“Diariamente o governo deixa grande parte das ambulâncias paradas. O problema continua, nunca acabou. O governo comprou 30 novas ambulâncias, mas, na prática esse quantitativo não aumenta, porque tem uma parte que para todo dia”, revela.

De acordo com o assessor de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe (SES), Ferreira Filho, o órgão está ciente da greve dos condutores de ambulância e também dos três itens da pauta de reivindicação da categoria. Segundo Ferreira, a questão do reajuste salarial é algo que deve ser resolvido e conversado diretamente com o Governo do Estado, pois não se trata de uma decisão da Secretaria.

“Assim como os pagamentos dos servidores, a Secretaria obedece ao calendário de pagamento do governo. Governo quando dá aumento para servidor, dá para todas as categorias. Não seria algo específico para os condutores. Sobre a FHS, é bom deixar claro que não se trata de um processo veloz. É algo que precisa ser bem analisado até para garantir a segurança jurídica de todos e que eles tanto precisam. Há um prazo da própria Justiça Federal de até maio de 2019, não pode ser um processo feito sem validade, porque eles próprios necessitam”, afirma o assessor.