09/05/2018 as 08:25

EPIDEMIA

SE registra 1.056 casos em 16 meses

Até o início do mês de maio, foram registrados 185 casos em gestantes e 76 em bebês.


O Brasil, segundo o Ministério da Saúde (MS), enfrenta uma epidemia de sífilis. Para se ter uma ideia, em 2017, em Sergipe, foram notificados 477 casos da doença em gestantes e 318 em bebês – chamada de sífilis congênita, que é quando acontece a transmissão da enfermidade da mãe para o feto. E somente este ano, até o início do mês de maio, foram registrados 185 casos em gestantes e 76 em bebês. Diante do cenário, o infectologista da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Marco Aurélio, faz um alerta para a população quanto à necessidade do uso do preservativo nas relações sexuais e também da importância do teste rápido, que detecta a sífilis. 

                                             

“O número de casos de sífilis tem aumentado desde 2007 e isso é extremamente preocupante. Os dados mostram que a população, de uma maneira geral, não tem priorizado o uso do preservativo nas relações sexuais e que muitas gestantes não têm feito o teste rápido da sífilis durante o pré-natal na Atenção Primária, o que tem ocasionado também o crescimento da sífilis congênita. Como a sífilis é na maioria dos casos assintomática, a preocupação é maior ainda porque muitas pessoas têm a doença e não sabem. Por isso, fica o alerta para todos e a SES tem intensificado as ações de prevenção e controle da doença no Estado”, disse.

Ainda de acordo com ele, o ideal é que as gestantes façam o teste rápido da sífilis no primeiro e no último trimestre da gestação. Além disso, Marco ressalta a importância dos homens também fazerem o teste durante o pré-natal das suas parceiras. “As gestantes precisam fazer o teste rápido durante o pré-natal, assim como seus parceiros, para que a sífilis seja tratada o mais rápido possível, evitando a transmissão da doença para o feto. Inclusive, a sífilis pode causar aborto, parto prematuro e a má formação do feto”, explica.


Municípios prioritários
Este ano, o MS lançou o projeto Sífilis Não, que identificou as áreas de maior risco da doença no Brasil e em Sergipe, dois municípios, que são Aracaju e Nossa Senhora do Socorro, foram dados como prioritários e estão recebendo uma atenção ainda mais especial para a prevenção e controle da sífilis. Em Aracaju, este ano, foram notificados 42 casos de sífilis em gestantes e dez congênita. Já em Socorro, foram 29 e 15, respectivamente. 

“A sífilis deve estar nas pautas dos gestores municipais e também nas dos profissionais da saúde em todo o Estado e prioritariamente em Aracaju e Socorro, por concentrarem a maioria dos casos da doença em Sergipe. A SES tem reforçado as ações junto às maternidades e a Atenção Primária dos municípios, e ampliado as testagens rápidas, mas é fundamental que toda a sociedade se conscientize sobre a importância do preservativo e do teste rápido da sífilis, principalmente no pré-natal”, comenta o infectologista. A doença é de fácil diagnóstico e tem cura.