25/06/2018 as 15:03

Antidrogas

Saúde pública: tratamento para dependentes

Centros de Atendimento Psicossocial atendem a comunidade aracajuana de forma gratuita.


Saúde pública: tratamento para dependentesFoto: Silvio Rocha

No período do dia 19 a 26 de junho ocorre a Semana Nacional de Políticas sobre Drogas, que busca desenvolver ações de conscientização sobre o uso de drogas, assim como também auxiliar nas políticas de tratamento de dependentes químicos.

Segundo o Relatório Mundial de Drogas de 2016, produzido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, no ano de 2014, 247 milhões de pessoas utilizaram drogas. Dentro desse número, 29 milhões sofrem transtornos devido ao uso de drogas, mas apenas uma em cada seis pessoas que sofrem desses distúrbios faz algum tipo de tratamento.

Em Aracaju, existem opções de tratamento para dependentes químicos dentro da saúde pública durante todo o ano. Segundo a coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial de Aracaju (Reaps), Chenya Coutinho, as ações municipais voltadas para pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas e que necessitam de um acompanhamento de saúde devem ser ofertadas em todos os pontos da rede municipal de saúde.

Na rede de atenção primária ou básica, as Unidades de Saúde da Família realizam atendimentos preventivos e de promoção à saúde para toda a população. Nas situações que demandam atendimento especializado existem os serviços oferecidos pelos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps).

“Temos o Caps Ad III Primavera, que realiza serviço de saúde 24 horas voltado para adultos, homens e mulheres, que necessitam de cuidados de saúde voltado para uso problemático de drogas, e o Caps Infanto Juvenil III, que oferece serviço 24 horas voltado para crianças e adolescentes”, esclarece a coordenadora.

A coordenadora do Reaps acrescenta que o Caps é um local que está de “portas abertas”, quem busca pelo tratamento será atendido por diversos profissionais da área da saúde. “Nós temos um leque de opções para quem quer ser atendido e realizar o tratamento”, observa.

A inclusão social é um ponto fortemente trabalhado. “Nós buscamos a reinserção social dessas pessoas, apostamos nesse tratamento que não exclua os pacientes, para que eles continuem com um vínculo com a sociedade”, destaca a coordenadora. Além disso, a família do paciente também participa do tratamento.

Nas ruas

Existem também os serviços realizados de forma integrada com os Caps, atingindo toda a comunidade de Aracaju, como o Projeto de Redução de Danos, que segundo Chenya atua na prevenção ao uso de drogas no local da cena de uso.

Voltado para a população em situação de rua, o Consultório na Rua, um programa do Ministério da Saúde, leva atendimento médico até essas pessoas. Como seu público-alvo costuma fazer uso de drogas lícitas e ilícitas, o programa também trabalha com esse aspecto.

“Nós nunca chegamos em um grupo que está fazendo o uso de drogas falando diretamente do uso de drogas, chegamos com outros assuntos, falamos que somos da Secretaria Municipal de Saúde e que estamos ali para prestar serviços e orientações, e nos encontros posteriores é que vamos trabalhando a redução de danos”, explica Kamila Fialho, coordenadora do Consultório na Rua.

Atualmente, o programa conta com 270 pessoas em situação de rua que realizam algum tratamento com a equipe, não existe um número específico de quantos tratam o vício em drogas.

Para Kamila, o vínculo com as drogas atinge bastante a população em situação de rua. “Um dos principais motivos que levam essas pessoas a morarem na rua é o vício no álcool e outras drogas. Temos um número alto de pessoas em situação de rua que fazem o uso de alguma substância psicoativa lícita ou ilícita”, observa.

Dentro do Caps Ad III Primavera existe a Unidade de Acolhimento Adulto (UAA), que oferece residência para os usuários em situação de rua que realizam o tratamento. “Atendemos esses usuários que precisam se estabilizar, arrumar um emprego, então eles ficam nessa unidade durante no máximo seis meses para avançar no tratamento e organizar sua vida”, acrescenta Chenya.

Por ano, cerca de 1.300 usuários são atendidos nos serviços Caps Ad Primavera III, Caps Infanto Juvenil III e na UAA. (Estagiária sob a supervisão da jornalista Thamires Fonseca).