26/06/2018 as 15:39

Saúde

Lotação na MNSL é causada pela desassistência das regionais

35% das pacientes deveriam ser atendidas em outras unidades.


Lotação na MNSL é causada pela desassistência das regionaisFoto: Ascom/SES

O não funcionamento das maternidades regionais do Estado de Sergipe tem sido um dos principais motivos da superlotação nas Maternidades Nossa Senhora de Lourdes e Santa Isabel, ambas localizadas na capital aracajuana. A situação foi relatada durante audiência pública na manhã desta segunda-feira, 25, no Ministério Público Estadual (MPE). Segundo dados da M.N.S.L., 35% das pacientes desta unidade são de risco habitual, ou seja, poderiam ser atendidas em unidades de menor risco, mas, não acontece. Na visão dos gestores municipais e estaduais, a desassistência básica acarreta diretamente às duas maternidades citadas, chegando a constatar alta taxa de mortalidade materna e perinatais.

No Hospital e Maternidade Santa Isabel o número de partos no mês de abril foi de 988, em maio subiu para 1.080, e em junho já atinge a faixa de 770, números de demanda considerados elevados para a rede. De acordo com o superintendente da M.N.S.L., André Nascimento, são vários os fatores que influenciam diretamente na sazonalidade de superlotação das maternidades estaduais e filantrópicas, sendo o principal deles o não funcionamento dos regionais.

“Se as outras maternidades do estado funcionarem dentro do que está previsto para cada uma delas, isso com certeza vai ajudar para que a maternidade só receba pacientes de alto risco para qual ela foi criada. Além também da estratégia de saúde da família, que são as mães que fazem o pré-natal, os municípios precisam cumprir os seus papéis e assumirem esse acompanhamento”, ressalta o superintendente.

Segundo André, a cada 10 partos na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, quatro são de risco habitual, o que representa 35% do atendimento deste hospital. “Isso acaba sobrecarregando a equipe, tendo atendimento muito maior do que previa, e gera maior consumo de materiais e equipamentos. Então devemos discutir em forma de rede, chamar todos os municípios e maternidades para discutir uma ação conjunta e fortalecer a rede materna, para que cada um tenha a sua responsabilidade”, acrescenta.

Das sete regiões do Estado de Sergipe para o atendimento às grávidas, a Grande Aracaju é a que mais demanda para a maternidade Nossa Senhora de Lourdes. Além de Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e toda a região centro-sul, como Estância e Lagarto, segundo cita o superintendente.

O secretário de Estado da Saúde, Valberto de Oliveira, acredita que um dos maiores problemas das maternidades do interior do estado é a falta de profissionais. Ele cita ainda o exemplo de Capela, onde a escala de médicos é de apenas dois dias na semana.

“Temos cinco dias sem profissional na unidade de Capela, então, nos outros dias não tem como, as pacientes vêm para Aracaju ou vão para outro regional, como Propriá e Itabaiana. Estamos em campo para solucionar essas questões. Sobre a falta de equipamentos na M.N.S.L., já foram comprados e assim que chegarem nós vamos distribuir. Reconhecemos que eles precisam desses equipamentos”, explica o secretário.

Para o secretário-adjunto da Saúde Municipal de Aracaju, Carlos Noronha, é preciso ser discutida a rota materna infantil e de regulação para conseguir diminuir a superlotação. “Isso é algo que precisa ser diminuído urgentemente, porque a desassistência está aí e nós temos cada vez mais mortes maternas e perinatais que são evitáveis. Quando a gente vê essa quantidade maior de mortes maternas, a gente percebe o nível do desenvolvimento local. Se tem taxa de mortalidade alta é porque as políticas públicas não estão sendo eficazes para poder barrar isso. Para mim, o foco do problema é a discussão da rota materna e de regulação para que a gente dê à nossa paciente, desde quando ela engravida, até quando for parir, uma assistência com estrutura”, disse.

Após a audiência, os promotores de justiça Francisco Ferreira Lima, Miriam Teresa Cardoso e Talita Cunegundes deram o prazo de 30 dias para que o Estado de Sergipe apresente um relatório com informações unificadas acerca dos dados estatísticos referente à temática. Além disso, o Estado deve também apresentar uma proposta de protocolo de fluxo de atendimento, encaminhamento de pacientes, disponibilização de materiais e insumos, sendo tudo isso estabelecido em conjunto com os secretários municipais de saúde.

“O pessoal pontua muito a questão da atenção básica, a exemplo daquela mãe que não teve o acompanhamento pré-natal adequado e acaba tendo um parto de alto risco por conta dessa deficiência. Então, percebemos que falta no estado um fluxo organizado de como essa paciente tem que ser tratada para que só chegue à Maternidade os casos efetivamente de alta complexidade, porque ela é referenciada para isso. Então, essas são as providências iniciais. O secretário de Estado vai sentar com os municípios para fazer um planejamento, tratar desse fluxo para que a partir disso as ações concretas possam ser tomadas”, explica o promotor de Justiça da Saúde, Francisco Ferreira.

Laís de Melo da Equipe JC