28/06/2018 as 13:59

Saúde

Faltam medicamentos para pacientes renais

Pacientes renais crônicos reclamam da SES pela falta de medicamentos essenciais para tratamento


Faltam medicamentos para pacientes renaisFoto: Jadilson Simões/Equipe JC

Há cerca de um mês acabaram os estoques dos remédios Ciclosporina e Azatioprina no Centro de Apoio à Saúde (Case) do Estado de Sergipe. Esses medicamos servem para imunossupressão, evitando a rejeição de órgãos em pacientes renais crônicos, o que torna a falta deles bastante delicada aos que precisam. A denúncia é da Associação dos Pacientes Renais Crônicos e Transplantados de Sergipe.

Segundo o presidente da associação, Lúcio Alves, esses medicamentos são fundamentais para o tratamento dos pacientes, e no caso da não utilização pode gerar a perda do órgão. “Nós estamos a todo tempo cobrando e denunciando a falta desses remédios. Paciente está sem medicação e a gente fica o tempo todo tentando viabilizar, mas, são remédios difíceis de serem encontrados. Às vezes a gente consegue”, relata Lúcio.

Ele acrescenta ainda que a informação dada pelo Case foi a de que os medicamentos já foram solicitados à Secretaria de Estado da Saúde. “Isso está refletindo nos pacientes. A problemática dos renais é grande, e essa é mais uma luta. Próxima semana tenho uma reunião com o secretário e os nefrologistas, para discutir a linha de cuidado com esses pacientes”, ressalta o presidente.

A Associação dos Pacientes Renais Crônicos vem fazendo diversas denúncias a respeito da falta de assistência às pessoas doentes. Uma delas teve repercussão nacional: a inauguração do Centro de Nefrologia no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), sem estar realmente pronta para ser entregue. De acordo com Lúcio, a realidade do Centro ainda não é o que parece.

“A situação no Huse permanece a mesma. O que melhorou foi a acomodação dos pacientes de lá. Mas, ainda temos 31 pacientes na fila aguardando vaga nas clínicas. Eles já tiveram alta no Huse, estão lá só para fazer hemodiálise, porque não conseguem uma vaga nas clínicas”, revela.

Outra situação delicada é quanto ao funcionamento dos elevadores do Hospital. Segundo Lúcio, pacientes com parada cardíaca que precisam ser transportados para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) são levados na maca pela rampa.

“Até hoje não foi consertado, nem teve reforma dos elevadores. Já tivemos três pacientes com parada cardiorrespiratória, subindo a maca pelas escadas. Isso vai gerar uma tragédia a qualquer momento, com a morte de algum paciente”, disse, preocupado, o presidente.

Com todas as problemáticas, Lúcio reconhece que a mudança de gestor na pasta da Secretaria de Estado da Saúde trouxe melhoras para a discussão. “Melhorou a abertura de diálogo com o secretário. Eu pedi na audiência que se criasse a Comissão de Nefrologia, e agora vamos ter uma reunião na segunda-feira para pedir essa abertura para discutir a linha de cuidado dos pacientes renais”, enfatiza.

A assessoria da SES informou que o ciclosporina só tem o de 25mg e o de 100mg. Já o azatioprina, a empresa que fornece o medicamento avisou que chega na semana que vem. Sobre o elevador, a assessoria diz que a peça foi comprada pela empresa e por ser importada demorou muito a chegar, mas a empresa nos passou a informação que até amanhã resolveria.

Laís de Melo/Equipe JC