02/07/2018 as 09:37

Revista da Cidade

Degeneração Macular Relacionada à Idade é a principal causa de cegueira na 3ª idade

Segundo especialista, doença pode ter efeitos controlados se detectada precocemente.


Degeneração Macular Relacionada à Idade é a principal causa de cegueira na 3ª idadeFoto: Divulgação

A causa mais comum da perda de visão em pessoas acima de 60 anos é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), uma doença degenerativa da retina que provoca a perda progressiva da visão central. Apesar de causar danos irreversíveis, a doença pode ter alguns de seus efeitos controlados caso seja detectada precocemente.


Para alguns, a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) provoca uma espécie de “nuvem escura” na frente da vista. Para outros, mais parece um “borrão de tinta”. Os portadores de Degeneração Macular podem até discordar quanto à melhor metáfora para ilustrar o incômodo que sentem, mas concordam em um ponto: a doença, que atinge 30 milhões de pessoas em todo o mundo, quase três milhões só no Brasil, chega a comprometer a qualidade de vida.


“A Degeneração Macular é a doença oftalmológica de maior prevalência entre indivíduos acima dos 60 anos, sendo a causa mais frequente de baixa visão nessa faixa de idade. A doença prejudica tanto a visão de perto quanto a de longe, pois afeta a região central da visão. A estimativa é que 10% da população nesta faixa etária apresente algum grau da doença”, alerta o oftalmologista e presidente da Sociedade Sergipana de Oftalmologia, Dr. Gustavo Barreto.


A mácula é a parte da vista que capta os detalhes com mais clareza e precisão, e a que dá também a visão de cores. A DMRI é uma doença silenciosa, não causa coceira ou vermelhidão. Muitas vezes quando o paciente nota alguma diferença, a doença já pode estar avançada. “Na maioria dos casos, os portadores da doença relatam embasamento da visão, distorção das imagens ou alteração da percepção de visão de cores. Há quem reclame, também, de formação de moscas voltantes (floaters) e sensação de visão dupla. Ao contrário do Glaucoma que atrapalha a visão periférica, a degeneração macular prejudica a visão central”, explica Dr. Gustavo.


Conforme a DMRI progride, algumas manchas podem se formar no campo visual central. Na maioria dos casos, se um olho é afetado pela DMRI, o outro olho também irá desenvolver a doença. A extensão da perda da visão central varia dependendo do tipo de DMRI (seca ou úmida) e da rapidez para diagnóstico e início do tratamento.


Segundo Dr. Gustavo, a perda da visão geralmente ocorre aos poucos ao longo dos anos. As pessoas com DMRI seca não costumam perder totalmente a visão central, mas as tarefas que exigem visão perfeitamente focalizada podem tornar-se mais difíceis. A perda de visão central na DMRI pode interferir com atividades cotidianas simples, como a capacidade de ver rostos, conduzir, ler, escrever ou realizar atividades como cozinhar ou consertar coisas ao redor da casa. Por isso, o impacto da DMRI na qualidade de vida dos pacientes pode ser alto, caso a doença não seja diagnosticada e devidamente tratada.


Ainda não se sabe o que causa a DMRI, mas já se sabe que alguns fatores aumentam o risco para o desenvolvimento da doença. Entre eles estão: idade, predisposição genética, exposição à luz solar, hipertensão, obesidade, ingestão de grandes quantidades de gorduras e dietas pobres em frutas e verduras, tabagismo (cigarro).


Quanto mais cedo a DMRI for diagnosticada e tratada, maior será a chance de preservar a visão central. “Vale a pena ressaltar que o tratamento para a degeneração macular não é curativo, pois não irá promover a regeneração da retina. O objetivo principal é o retardo na progressão da doença. O tratamento pode ser feito com o uso de complexos vitamínicos ou medicamentos, e vai depender do tipo de degeneração macular que o paciente apresenta e é por isso que é tão importante a visita regular ao oftalmologista”, conclui Dr. Gustavo Barreto.

 

Dr. Gustavo é médico especialista em oftalmologia pela CBO e MEC, possui Residência e Especialização em Retina Clínica e Cirúrgica pela Unifesp/EPM. É doutor em Oftalmologia pela Unifesp/EPM. Tem Pós-doutorado em retina (estudo de células-tronco) na Universidade Harvard (EUA) com bolsa de pesquisa do CNPq. Além disso, é presidente da Sociedade Sergipana de Oftalmologia (Gestão 2018/2019).