20/07/2018 as 08:23

Saúde

Huse atende 35 casos de AVC por semana

Neurologista explica que o AVC, conhecido como derrame, é dividido em dois tipos: hemorrágico e o isquêmico.


Huse atende 35 casos de AVC por semanaFoto: Divulgação

Popularmente conhecido como derrame”, a sigla AVC significa Acidente Vascular Cerebral. De acordo com o médico neurologista Marcelo de Oliveira Ribeiro Paixão, responsável Técnico da Neurologia do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e médico no Hospital Universitário da Universidade Federal Sergipe (HU-UFS), tem esse diagnóstico o paciente que apresentar alguma perda focal e súbita de uma função neurológica como, por exemplo, a fraqueza de um braço ou perda da capacidade de falar. No Huse, são atendidos em média 35 casos novos de AVC por semana. A doença tem ainda afetado cada vez mais os jovens, principalmente por conta do sedentarismo e obesidade.


O neurologista explica que o AVC é dividido em dois tipos: hemorrágico e o isquêmico. O hemorrágico é quando há um rompimento de alguma artéria cerebral provocando sangramento intracraniano. O isquêmico representa cerca de 85% dos casos de AVC. Este é resultado da oclusão súbita de algum seguimento arterial, desencadeando isquemia de uma região encefálica. Diante da possibilidade do diagnóstico de AVC, este paciente precisa ser levado prontamente a um hospital para ser examinado por um neurologista e fazer a tomografia de crânio. Assim, pode-se confirmar o diagnóstico de AVC e proceder o tratamento.


“Infelizmente, temos atendido muitos indivíduos jovens com AVC isquêmico e hemorrágico nos hospitais. Isso se deve, provavelmente, ao sedentarismo, obesidade e dieta rica em carboidratos e sódio. Acredito que todos nós temos algum familiar ou amigo jovem que já tenha um diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS) ou mesmo diabetes mellitus. Mais prevalente, ainda, são os casos de sedentarismo e sobrepeso. Que tal você se perguntar: Estou praticando regularmente alguma atividade física? Estou no meu peso ideal? Devemos sempre nos fazer estas perguntas. Afinal, nossas escolhas de hoje explicarão possíveis eventos futuros de AVC.


Paixão pontua ainda que existem outras causas mais raras de AVC isquêmico em jovens como uma anormalidade do coração chamada forame oval patente (FOP) e doenças do sistema de coagulação sanguínea, como as trombofilias. “Sempre investigamos estas patologias nos casos de AVC Isquêmico em jovens, porém, ainda assim, tenho notado que a maioria dos eventos continua a ser explicada pelas doenças comuns já mencionadas acima como HAS, diabetes mellitus e obesidade. O sexo masculino é o mais acometido, especialmente no grupo dos idosos. Os principais fatores de risco são hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus, fibrilação arterial, dislipidemia, sedentarismo, obesidade, tabagismo, etilismo e síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS)”, informou.


Sobre a importância de um breve atendimento, Marcelo Paixão explica que isso se faz necessário, no entanto, o Huse não tem as condições ideais necessárias para isso, mesmo tendo avanços de um ano para cá, o atendimento para este tipo de paciente ainda não se encontra dentro do esperado.


“No Huse ainda não temos condições ideais para o correto atendimento destes casos. Como mencionado, em uma matéria aqui no JORNAL DA CIDADE há cerca de um ano, nossa equipe da neurologia já vinha se estruturando para a montagem de uma Unidade de AVC. Este local padronizado representaria uma estrutura física e uma equipe multiprofissional para um perfeito atendimento agudo dos casos de AVC. Mas ainda não alcançamos tal meta, porém podemos comemorar o alcance de duas inéditas conquistas no SUS de Sergipe. Já somos capazes de oferecer terapia de reperfusão arterial endovenosa para os indivíduos que chegarem no Huse em até 4,5 horas do início do quadro clínico do AVC Isquêmico, através do uso da medicação Metalyse. Também, já está em funcionamento um Ambulatório de Neurovascular, para acompanharmos os pacientes após a alta hospitalar, garantindo o acesso ao neurologista para orientar a correta prevenção secundária do AVC”, revelou.

Incidência
O neurologista chama atenção para o fato de que, atualmente, no Brasil o AVC é a segunda causa mais comum de óbito, porém continua sendo a principal causa de sequelas neurológicas e incapacidades funcionais. “Assim, devemos enfatizar o enorme impacto na sociedade e na economia brasileira que a falta da prevenção primária provoca. A ausência de uma política pública séria que priorize investimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Sistema de Saúde da Família continuará ainda por muitos anos, infelizmente, a provocar milhares de óbitos e incapacidades neurológicas. A omissão do governo em não controlar a venda de alimentos ricos em carboidratos e em sódio também deve ser rediscutida.


No mundo, a cada segundo, um indivíduo sofre AVC. Enquanto que, a cada seis segundos, uma pessoa morre por causa de AVC. “Diante destes dados estatísticos e da breve revisão sobre o popular ‘derrame’, acredito que tenha ficado clara a importância da prevenção, assim como a urgência em se identificar e encaminhar pacientes com quadros de AVC ao hospital. Lembre-se: fraqueza súbita, distúrbio da fala súbita ou paralisia da face súbita, liguem para o Samu 192”, reforçou.

Grecy Andrade/Equipe JC