30/07/2018 as 10:01

Revista da Cidade

43% dos homens brasileiros têm medo de envelhecer, aponta pesquisa

Quase metade dos homens brasileiros enxergam a velhice como uma ameaça.


43% dos homens brasileiros têm medo de envelhecer, aponta pesquisaFoto: Divulgação

Quase metade dos homens brasileiros (43%) enxergam a velhice como uma ameaça, é o que aponta uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) – São Paulo, em parceria com a Bayer. O que mais aflige esses homens é o medo de morrer (28%), a dependência de outras pessoas (18%), a falta de vida ativa (14%) e o desenvolvimento de doenças (11%).


Para esses homens, a velhice está mais associada à passagem do tempo. Embora estudos recentes comprovem que o envelhecimento comece aos 28 anos, a maioria dos entrevistados (86%) acredita que o envelhecimento se dá apenas depois dos 45 anos, sendo que 41% deles aponta que somente aos 60 anos o homem começa a envelhecer.


“Mesmo com receio de morrer ou perder a autonomia em função de doenças ou questões ligadas à idade, muitos homens ainda negligenciam alguns cuidados com a saúde, como a visita ao médico para realização de exames, ou a adoção de hábitos de vida mais saudáveis”, explica a Dra. Maisa Kairalla, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – São Paulo.


A pesquisa confirma a percepção da médica: quase metade dos entrevistados (49%) nunca fez exame de toque retal, importante para a detecção do câncer de próstata, e 43% deles não tem hábitos saudáveis ligados à alimentação e a prática de atividade física.


Os homens também associam o câncer com a chegada da idade: para quase 70%, as chances de apresentar o quadro aumentam com o passar dos anos. O medo de ter a doença assombra 64% deles. “O câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum na população masculina (excluindo-se o câncer de pele tipo não-melanoma). O diagnóstico é simples e o tratamento tem boas perspectivas. Quanto antes identificar a doença e iniciar a terapia indicada, mais chances de recuperação e manutenção da qualidade de vida”, complementa o Dr. Fabio Schutz, coordenador médico da oncologia clínica do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.


Para pacientes que em decorrência da doença apresentam metástase óssea, o que acontece em muitos casos, ou que tem o chamado “câncer de próstata resistente à castração”, ou seja, quando a doença continua evoluindo mesmo que ocorra a eliminação dos hormônios masculinos que alimentam o crescimento das células cancerígenas, o uso do cloreto de rádio (223 Ra) foi aprovado pela Anvisa em 2016, terapia que contribui com o aumento na sobrevida desses pacientes e melhora na qualidade de vida. É o primeiro medicamento radioativo aprovado no país.


A pesquisa foi realizada em oito capitais (Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Recife) com 2.400 homens acima dos 45 anos.



Principais dados da pesquisa


- 64% tem medo de ter câncer, 30% por já terem casos na família;
- 36% não tem medo de ter câncer, 64% deles por ter hábitos de vida saudáveis e visitar o médico com frequência;
- 70% dos entrevistados conhece algum homem que desenvolveu câncer ao longo dos anos, sendo que 35% afirmou que o câncer em questão era o de próstata, 17% de pulmão, 9% de estômago e 8% câncer de fígado;
- 77% sabe que o câncer de próstata é o mais comum em homens a partir dos 50 anos;
- 49% nunca realizou o exame de toque retal, 26% porque o médico nunca pediu, 24% não gosta ou acha pouco “másculo”, 22% não tem sintomas ou idade para realizar, 15% considera o exame de sangue suficiente, 13% não considera o exame necessário;
- 23% não tem conhecimento sobre como o câncer de próstata é tratado;
- 28% acredita que o homem nunca perde o desejo sexual.