31/08/2018 as 09:11

Saúde

Doença cardiovascular é a principal causa de morte entre diabéticos

De acordo com o Dr. Carlos Sousa, infarto e derrame são as principais doenças cardiovasculares e as principais causas de morte do mundo moderno.


Doença cardiovascular é a principal causa de morte entre diabéticosFoto: Jadilson Simões/Equipe JC

Pesquisas mostram que problemas cardiovasculares são a principal causa de morte em pessoas com diabetes tipo 2. E o que é pior: a doença cardiovascular em pessoas com diabetes mata mais que HIV, tuberculose e câncer de mama na população mundial. E até 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 morrem em decorrência de problemas cardiovasculares. Além disso, os custos com doenças cardiovasculares consomem a maior parte dos gastos com o diabetes, chegando a 42% do total.


De acordo com o professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e pesquisador, o cardiologista Antônio Carlos Sousa, o infarto e o derrame são as principais doenças cardiovasculares e as principais causas de morte do mundo moderno. Ele explica que há uma definição para o diabetes, que é um estado de morte cardiovascular precoce que pode cursar com cegueira e insuficiência renal.


“Ou seja, diabetes não é só açúcar alto. É uma doença que envolve as principais artérias do organismo. Sempre alerto que nenhum diabético morre de diabetes; diabético morre de infarto, derrame e insuficiência renal. O diabético tem que ficar atento que o risco dele é a morte cardiovascular. Uma vez diagnóstico diabético, é preciso ter um ‘jogo duro’ de controle não só da glicemia, como também de outros fatores de risco. Antigamente, o tratamento do diabético era quase que vinculado ao endocrinologista, mas hoje o indivíduo diabético, além do processo de baixar o açúcar, precisa controlar a pressão e o colesterol, pois reduzir o açúcar somente não vai impactar no processo de redução do risco da doença cardíaca”, explicou.


Ainda segundo o cardiologista, deve-se entender que uma pessoa diabética deve usar não medicamentos que baixam os níveis de açúcar, mas que baixem o açúcar e reduzam a doença cardiovascular. Sousa esclarece que a insulina em si é um remédio que baixa o açúcar, mas não reduz o infarto.


“Já existem três classes de remédio (metformina, inibidores do SGlT2 e agonistas do GLP1) que baixam o açúcar e reduzem o risco cardiovascular. Dessa forma, o tratamento moderno do diabetes deve conter um controle nutricional rígido, uma atividade física regular e medicação. Visando o controle dos outros fatores de risco; usando medicação para glicemia que também interfira na doença cardiovascular”, pontuou.


O que é mais importante, segundo Sousa, é que as pessoas tenham consciência que a diabetes é uma doença que tem risco cardiovascular enorme. E doença cardiovascular não se previne apenas baixando o açúcar. Há estudos que mostram que tratar a hipertensão do diabético é melhor que baixar a glicemia para reduzir infarto e derrame.


“Ou seja, é preciso tratar os fatores de risco. Além de adquirir hábitos saudáveis: alimentação saudável, prática regular de exercício físico, com a realização de exercícios aeróbicos todos os dias, pelo menos 40 minutos. Adquirindo esse hábito, já é uma maneira de controlar o peso. E mesmo o obeso e o diabético que fazem exercício, a insulina deles fica mais eficiente do que aquele que não faz”, concluiu o cardiologista Antônio Carlos Sousa.

Grecy Andrade/Equipe JC