17/09/2018 as 11:22

Procura por cirurgia bariátrica tem crescido em SE: conheça riscos e benefícios

Em Sergipe, não é diferente. Devido à grande procura por bariátricas, muitas dúvidas surgem, todo mundo conhece alguém que já fez.


Por Lara Aguiar


No Brasil, quase uma em cada cinco pessoas é obesa (18,9%), um quadro que contribui para o aumento no número de cirurgias bariátricas no Brasil. Só em 2017, foram 105,6 mil, crescimento de 47% em relação ao ano de 2012, quando foram feitos 72 mil procedimentos. Os dados são da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Em Sergipe, não é diferente. Devido à grande procura por bariátricas, muitas dúvidas surgem, todo mundo conhece alguém que já fez. E por conta disso os resultados são bastante variáveis. Para esclarecer todas as questões sobre o assunto, conversamos com o gastroenterologista Rogério Rodrigues (Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e Especialista pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e AMB – www.drrogeriorodrigues.com). Confira na entrevista abaixo.

                                       

REVISTA DA CIDADE - Tem crescido bastante, a cada ano que passa, a quantidade de cirurgias bariátricas em Sergipe. Isso se deve, também, a algum número de casos bem-sucedidos?
ROGÉRIO RODRIGUES - De um modo geral, as cirurgias bariátricas aumentaram em todo o Brasil por variados motivos, como as melhorias das técnicas cirúrgicas e avanços tecnológicos, recuperação mais rápida por serem cirurgias videolaparoscópicas, entre outros fatores. Um dos reflexos do crescimento da obesidade no Brasil é a busca – cada vez maior – por tratamentos para redução de peso. A grande maioria dos casos são de boa evolução, lembrando que não se trata de uma cirurgia estética e sim para tratar a doença obesidade mórbida e doenças associadas, que envolve benefícios e riscos que são orientados previamente a todos os candidatos à cirurgia.

RC – Quais são os tipos de cirurgia bariátrica e qual delas o senhor considera melhor para a recuperação do paciente?
RR - Atualmente temos cinco técnicas cirúrgicas aprovadas pela SBCBM, sendo as duas mais realizadas: By pass gastrico em Y de Roux, sendo a técnica mais usada no Brasil, onde se diminui o estômago com grampeador cirúrgico e se faz um desvio do intestino fino para passagem da comida e secreções diminuindo a absorção da comida além da restrição da quantidade, com um emagrecimento cerca 80% excesso de peso além do controle de doenças como diabetes, hipertensão e síndrome metabólica etc; a outra técnica mais realizada é a Gastrectomia vertical ou Sleeve Gastrectomia, onde retira-se uma parte do estômago deixando somente um tubo gástrico, sendo a perda de peso semelhante à anterior. Todas as técnicas têm recuperação semelhante por serem por videolaparoscopia. Normalmente os pacientes retornam ao trabalho em duas semanas e atividades físicas como musculação após 30 dias. No entanto, a melhor técnica a ser realizada depende da avalição da equipe que atende o paciente.

RC – Antes da cirurgia ainda se exige uma reeducação alimentar para que a pessoa não tenha uma mudança brusca na rotina após o procedimento? Por quanto tempo? Existem casos em que não há mais necessidade da cirurgia, porque a pessoa conseguiu emagrecer só com a mudança de hábitos?
RR - Antes da cirurgia o paciente necessita de avalição multidisciplinar com nutricionista, psicólogo, cardiologista, endocrinologista, sendo necessário reeducação alimentar antes e após a cirurgia, o prazo varia para cada profissional, porém em média dois a três meses. Vale ressaltar que o paciente deve se conscientizar que a cirurgia é apenas um auxílio para a mudança de vida e hábitos, sendo necessário ter disciplina e seguir orientações da equipe. Pode sim ter casos que o paciente consiga a reeducação alimentar e pode não precisar mais da cirurgia, porém grande parte dos pacientes que procura o cirurgião já tentou vários tratamentos sem sucesso para o emagrecimento.

RC – Por que muitos pacientes voltam a engordar após meses da cirurgia? Em alguns casos é muito mais difícil obter resultados favoráveis?
RR - Cerca de 15% dos pacientes podem ter um reganho de peso além do esperado por fatores técnicos, metabólicos e psicológicos. Normalmente a cirurgia tem um perda peso que dura até a estabilização de peso por dois anos, importante ressaltar o acompanhamento multidisciplinar e adequar hábitos mais saudáveis, pois, não adianta operar e continuar nos hábitos errados, principalmente com alimentos hipercalóricos como refrigerantes, bebidas alcoólicas etc. A grande maioria dos pacientes felizmente tenta equilibrar os hábitos alimentares, atividades físicas e acompanhamento adequado e a recidiva nesses pacientes é muito melhor controlada.

RC – Como é a vida pós-bariátrica? Com quanto tempo a pessoa pode voltar a fazer exercícios físicos? Há limitações para o resto da vida?
RR - A vida pós bariátrica é normal. As atividades físicas são liberadas após 30 dias, inclusive a musculação sem restrições. Aliás, as limitações são muito menores das que ocorriam na obesidade mórbida e doenças associadas, muitos pacientes não necessitam mais medicações para diabetes, colesterol, pressão alta, além da melhoria na mobilidade, doenças ortopédicas, apneia do sono etc.

RC – Como o paciente deve levar o seu dia a dia para que a cirurgia traga o resultado almejado? Metade do trabalho é da cirurgia e a outra metade depende do paciente?
RR - Tem que procurar adequar uma vida normal e procurar hábitos saudáveis, alimentação regular durante a maior parte do tempo, fazer uso de vitaminas que são recomendadas e tendo uma vida normal. Importante seguir as orientações médicas e nutricionais, aos poucos os pacientes não terão restrições alimentares e físicas da cirurgia, podendo retornar a fazer todas atividades. Grande parte do sucesso no tratamento deve-se ao paciente aderir as orientações da equipe que o acompanha.

RC – Nos casos mais interessantes, em que além da paciente ter emagrecido bastante e estar com saúde (como é o caso da paciente Cristiane Rangel), o que existe no dia a dia dela que difere de boa parte dos operados? O que o senhor diria para quem operou e pretende perder os quilos extras e permanecer magro? Quais as dicas?
RR - Na grande maioria dos casos como dito, tem que seguir as orientações alimentares, fazer algum tipo de atividade física, usar as vitaminas recomendadas, retornar aos profissionais para as revisões programadas. No início até os dois anos as revisões são a cada quatro a seis meses e após dois anos somente anuais. Seguindo estes passos todos terão um resultado adequado, no geral o paciente terá que seguir uma dieta equilibrada, atividades físicas regulares e acompanhamento. Vale lembrar que obesidade é uma doença crônica, e, como todas, o tratamento e controle é para o resto da vida.