03/10/2018 as 17:27

Cruroplastia ajuda a remodelar a coxa após bariátrica

Devido ao grande número de cirurgias bariátricas no Brasil, se tornou cada vez mais frequente, nos consultórios de cirurgia plástica, pacientes pós-bariátricos em busca de correções após grandes perdas de peso. A maior parte se depara com a flacidez e o excedente de pele em região de coxas. O renomado cirurgião plástico Dr. Ricardo Araújo, que está de consultório novo no Horizonte Jardins Office, nos conta mais sobre o procedimento na entrevista abaixo. Confira!


Cruroplastia ajuda a remodelar a coxa após bariátricaFoto: Divulgação

Em uma das edições de setembro, tratamos sobre o aumento da procura por cirurgias bariátricas em Sergipe. E depois do procedimento, o que fazer com aquele resquício de gordura localizada e pele sobrando em locais indesejáveis? Por conta dessa questão estética, muita gente tem buscado fazer plásticas para se sentir melhor com o corpo e recuperar a autoestima.
Mas como melhorar o contorno das coxas? A cirurgia para correção é chamada de cruroplastia ou lifting de coxas. Essa técnica ajuda a remodelar principalmente a região interna da coxa, mas pode também ajudar a parte lateral e nas regiões do culote. O objetivo não é melhorar a perda de peso, mas sim o contorno corporal, por isso, a cirurgia deve ser vista apenas como um coadjuvante para minimizar o excesso de pele e gordura. Geralmente, pacientes que tem comprometimento com hábitos saudáveis, que incluem exercícios físicos e dieta regular, a durabilidade dos resultados se torna quase definitiva.
Na hora de selecionar pacientes, o médico avalia o grau de flacidez cutânea, presença ou ausência de lipodistrofia, qualidade da pele e, por fim, extensão da deformidade. Dessa forma, pacientes que apresentem deformidades em terço proximal das coxas são candidatos a lifting medial, dependendo do componente dermogorduroso, com ou sem lipoaspiração associada. Em situações assim, a cicatriz vai se posicionar na região inguinal.
Pacientes com flacidez cutânea que se estende até a metade ou terço distal das coxas são candidatos ao lifting vertical. Nesse caso, a cicatriz ficará na vertical indo da região da virilha até à região próxima ao joelho.
É necessário frisar que a lipoaspiração pode até mesmo ser contraindicada se o paciente apresentar grande flacidez e pouca elasticidade de pele. Sabe o motivo? O resultado de remover a gordura vai acabar piorando o aspecto da coxa, de forma a ficar ainda pior o enrugamento e contorno da pele no local.
A cirurgia, que tem uma média de duração em torno de 90 minutos, é realizada com raquianestesia. Existem algumas contraindicações para essa cirurgia, a exemplo de doença vascular nas pernas, especialmente linfedema (acometimento dos vasos linfáticos); e insuficiência arterial/venosa das coxas e pernas (membros inferiores).
É extremamente importante que se faça repouso relativo domiciliar por, no mínimo, cinco a sete dias. Deve-se lavar a região operada com água e sabão e manter sempre seca para evitar infecção ou fungo. Evitar abrir muito as coxas, pois os pontos ficam na parte interna da coxa e podem se abrir se forçar muito.
Os médicos orientam a utilização de malhas nas coxas para minimizar o edema e curativos frequentes, já que a principal complicação dessa cirurgia é o alargamento da cicatriz.

REVISTA DA CIDADE – Em que situações a cirurgia plástica nas coxas e braços é indicada?
RICARDO ARAÚJO
 - Existem duas indicações básicas: flacidez em excesso e/ou excesso de gordura nessas regiões.

RC – Quais são os tipos de procedimentos cirúrgicos para esses locais?
RA - Podemos fazer apenas lipoaspiração quando houver apenas gordura localizada sem flacidez. Caso tenha flacidez, retiramos o excesso de pele, é a chamada cruroplastia ou lifting de coxas, e braquioplastia ou lifting de braços.

RC – O objetivo é uma mudança no contorno corporal? Em quanto tempo o paciente pode voltar às atividades normais e perceber mudanças?
RA  - O objetivo é melhorar o contorno, claro, mas os pacientes que nos procuram sofrem com assaduras devido à dificuldade de locomoção por excesso de pele (batem uma coxa na outra). Isso dificulta muito as atividades diárias.

RC - Quais são os cuidados que esse paciente deve ter? É igual a outros pós-operatórios?
RA  - Os cuidados são semelhantes aos de qualquer pós-operatório. Destacamos que o ideal é não abrir muito os braços ou as pernas e usar malhas que ajudam a reduzir o edema local.

RC – Depois de quanto tempo esse paciente pode beber, fumar e fazer atividade física? Por quê?
RA – Ingerir álcool só após o termino do antibiótico, que ocorre em sete dias. Já fumar, o ideal é que seja após dois meses. O mesmo vale para a atividade física.

RC – Existem riscos como em toda cirurgia? Qualquer pessoa pode se submeter? Quais exames são pedidos?
RA - Os riscos são os mesmos de qualquer cirurgia. Qualquer pessoa pode fazer, desde que esteja em boas condições de saúde, com o peso correto e com os exames básicos atualizados, como os de sangue, teste ergométrico e scan duplex venoso de membros inferiores.

RC - É comum as pessoas chegarem ao consultório com grandes expectativas? O médico precisa alertar esses pacientes para que entendam as limitações dos próprios corpos?
RA - Sem dúvida, principalmente em relação à cicatriz, alertamos que a cicatriz pode ser grande a depender do tamanho da flacidez. Se a flacidez atingir o terço inferior da coxa, a cicatriz é grande, porém, se a colocarmos numa região mais escondida para que não fique visível e nos utilizarmos de cola cirúrgica, teremos o melhor resultado estético possível.

RC – Em Sergipe, quem mais faz esse tipo de cirurgia é o indivíduo que perdeu muito peso após dieta e após bariátrica? Adolescentes podem fazer?
RA - Sem dúvida, os pacientes que mais fazem são aqueles que perderam muito peso e ficaram com muita flacidez.
Os adolescentes podem sim fazer, desde que tenham muita flacidez, assaduras e dificuldade de realizar suas atividades.