24/01/2019 as 09:28

expectativa 2019

INCA: 600 mil novos casos de câncer

No brasil e em outros países de terceiro mundo, os casos de câncer têm aumentado e a mortalidade também


INCA: 600 mil novos casos de câncerFoto: Jadilson Simões/Equipe JC

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), para este ano são esperados 600 mil novos casos de câncer. O câncer de pele não melanoma, o mais frequente do país, deve chegar a 165 mil novos casos diagnosticados. Já no âmbito da saúde da mulher, o câncer de mama terá 59 mil ocorrências, enquanto que o de colo de útero, 16 mil. O câncer de intestino em mulheres também alcançará a marca de 19 mil casos, nos homens, 17 mil. Para os homens, a neoplasia na próstata terá um aumento com o registro de 68 mil pessoas. O segundo lugar é o câncer de pulmão, com 18 mil pacientes.


Sobre o breve diagnóstico e o tratamento, a médica mastologista Paula Saab frisa que a medicina no país se divide em duas: a pública e a privada. E está nessa divisão o grande problema do tratamento e diagnóstico da doença no País. Segundo ela, da suspeita da doença até o diagnóstico se passam meses.


“Na grande maioria das vezes, fazer um diagnóstico num período aceitável é quase impossível no Sistema Único de Saúde. Um estudo feito no Rio de Janeiro mostrou que há um atraso de cinco meses entre ir a um especialista e faze o diagnóstico. Então, essa é uma realidade que impede muitas vezes a chance de cura do paciente, que o impede de ter esse direito”, chama atenção.


Ainda segundo a médica, apesar do Brasil ter a lei 12.732/2012, que trata sobre a Lei dos 60 dias, a lei diz que primeiro o tratamento oncológico no SUS deve se iniciar no prazo máximo de 60 dias a partir da assinatura do laudo patológico ou em prazo menor conforme necessidade terapêutica do caso registrada no prontuário do paciente. “Mas o que os estudos mostram não condizem com o que é estabelecido por lei“, lamenta.


Sobre o câncer de mama, que é o mais comum entre as mulheres, Saab alerta que estudos mostram que além dos fatores genéticos, a obesidade, sobrepeso e o sedentarismo são fatores que influenciam no aparecimento da doença. “Por isso, é muito importante manter os hábitos saudáveis. Além disso, há outros fatores de risco como: menstruação precoce; menopausa tardia; mulheres que não amamentaram nem engravidaram, pois quanto mais estímulo hormonal ela tiver, mais será a chance de ela ter o câncer de mama”, alerta.


A médica comenta ainda que a mídia tem tido um papel muito importante e tem chamado a atenção da população sobre o diagnóstico precoce. “A maioria dos pacientes sabem o que tem que fazer, mas o problema realmente é a falta de acesso, a dificuldade de diagnóstico e muitas vezes acabam desistindo de fazer os exames. Vale destacar que a gente tem uma tendência de aumento de câncer nos países de primeiro mundo, mas também a diminuição da mortalidade. No brasil e em outros países de terceiro mundo, os casos de câncer têm aumentado e a mortalidade também. Então, temos muito ainda que discutir, que cobrar, que melhorar, pois temos uma falha no SUS que não tem tratado a oncologia como algo realmente sério e grave”, finalizou Paula Saab.











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