18/02/2019 as 09:31

Medicina

Fernando Franco está sem Área Cirúrgica e Pediatria

Jilvan pontua que na unidade Zona Norte só havia um médico de plantão para atender os casos graves e um para a sala de paciente crítico.


Fernando Franco está sem  Área Cirúrgica e PediatriaFoto: Jadilson Simões

Desde o mês passado que os aracajuanos têm enfrentado dificuldade para serem atendidos no serviço de urgência e emergência da capital. É que problemas estruturais e falta de médicos levaram o Conselho Regional de Medicina do Estado de Sergipe (Cremese) a interditar as Unidades de Pronto Atendimento (Upas) Fernando Franco e Nestor Piva.

De acordo com o presidente do Cremese, o médico Jilvan Pinto Monteiro, apesar da intervenção ética realizada pelo Conselho nas duas unidades, as readequações de alguns pontos foram feitas, mas o Fernando Franco, por exemplo, permanece sem a Área Cirúrgica e Pediatria. “Temos que deixar claro para a sociedade que as interdições não têm a ver com remuneração, muito pelo contrário, nossa atuação não diz respeito a salário, mas sim na verificação das condições de trabalho dos profissionais médicos para que haja o atendimento necessário para a população”, explicou.

Jilvan pontua que na unidade Zona Norte só havia um médico de plantão para atender os casos graves e um para a sala de paciente crítico. “Desde o ano passado temos feito várias fiscalizações e temos nos deparado com situações complicadíssimas. Demos prazo para ajustes, pois o nosso objetivo não é interditar, mas fiscalizar e solicitar ao gestor que as distorções sejam corrigidas, tanto é que as duas unidades desde o semestre passado têm sido visitadas pelo Conselho”, reforça.


Nas unidades, o desabastecimento era geral, segundo explica o médico. “Nas primeiras fiscalizações foram observadas a falta de diversos insumos. Faltava medicação. Na sala de paciente crítico do Zona Norte a capacidade era de dois leitos, mas tinham quatro. A rede de oxigênio só comportava dois respiradores. Ficamos dando prazo, mas quando a situação expõe ao risco maior que o normal a única saída é a interdição, tanto para resguardar o paciente quanto o médico”.

“No Fernando Franco tem dia na semana que não tem pediatra. Se houver um paciente de tiro, não tem quem o atenda lá, o paciente com risco iminente não tem como ser atendido porque não tem equipe médica. A gente não pode concordar e nem fazer de conta que tudo está certo, as coisas continuam acontecendo. O conselho precisa fiscalizar e apontar o que está errado, se está sem atendimento, é porque não tem a estrutura de pessoal necessária, não há como permitir isso”.

Jilmar Pontua ainda que o problema de falta de profissionais não se deu por conta da carência de médicos na cidade, mas por problema administrativo. “A secretaria queria abrir o Zona Sul com apenas três clínicos. Isso significa dizer que o médico só teria apenas oito minutos e meio para acolher o paciente, conhecer sua história, examinar o paciente, medicar e liberar num plantão de 12h sem parar para comer nem ir ao banheiro. Não tem como aceitar isso, por isso todas as vezes comunicamos todas as situações ao Ministério Público Estadual que é o órgão que tem nos ajudado. Vamos continuar fiscalizando, fazendo relatórios e encaminhando a gestão e ao MPE. Conselho lamenta ter que fazer as interdições por falta de atitude dos gestores. As interdições são para proteger o exercício médico e os pacientes”, reforçou o presidente do Cremese.

SMS
Sobre os problemas citados pelo Conselho Regional de Medicina de Sergipe, o JORNAL DA CIDADE procurou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). De acordo com o órgão, a crise na Saúde de Aracaju, que culminou com a falta de médicos, teve início em janeiro, com a saída de 126 médicos autônomos da rede de urgência e emergência de Aracaju. Essa evasão impossibilitou o fechamento das escalas nas semanas subsequentes, o que tornou necessária a contratação emergencial de uma empresa para terceirizar os serviços no Nestor Piva, e readequar os servidores da rede para o Fernando Franco.


Atualmente, 43 profissionais estão lotados no Fernando Franco: 25 clínicos, 14 pediatras e quatro cirurgiões. Sobre o Nestor Piva, a contratação, bem como o quantitativo necessário para o atendimento, é de completa responsabilidade da empresa Centro Médico do Trabalhador LTDA.
Questionados quando a área de Pediatria irá voltar a funcionar, a SMS informou que depende de médicos interessados em se cadastrar para atuar como pessoa jurídica. Assim que profissionais suficientes aderirem ao processo as escalas serão recompostas e o serviço será retomado.

As escalas do setor de clínica médica do Fernando Franco foram completas com três (noite) ou quatro profissionais (manhã) por turno. Já as escalas do setor de pediatria estão incompletas aos finais de semana, motivo pelo qual os atendimentos da especialidade ainda não foram retomados, situação semelhante ao do setor cirúrgico. Atualmente, o valor da hora paga aos médicos plantonistas é de R$ 100 durante a semana e R$ 120 durante finais de semanas e feriados.


Sobre as escalas no Nestor Piva, os trâmites burocráticos de contratação são de completa responsabilidade da empresa Centro Médico do Trabalhador LTDA (incluindo número de profissionais e valores pagos por hora). À prefeitura, como contratante, cabe apenas fiscalizar a atuação da contratada para garantir que os atendimentos sejam realizados a contento.


Os serviços mais solicitados nas unidades de urgência e emergência da capital são os de baixa complexidade (ala azul), atendidos pelo setor de clínica médica, o que representa cerca de 80% da demanda total. A SMS afirma que o suporte para essa e outras áreas será ampliado assim que mais profissionais aderirem ao credenciamento de serviços médicos via PJ.

Ainda segundo a SMS, todos os apontamentos do Conselho Regional de Medicina foram solucionados, com exceção das escalas cirúrgicas e pediátricas. Ambas as solicitações serão sanadas assim que profissionais suficientes aderirem ao processo de credenciamento via PJ para recompor as escalas e posterior retomada dos serviços.