08/04/2019 as 10:48

Entrevista

Perda auditiva: como tratar e prevenir

O principal sintoma é a incapacidade de ouvir sons. Em alguns casos, cirurgia ou o uso de um aparelho auditivo podem restaurar a audição.


Perda auditiva: como tratar e prevenir

A surdez geralmente resulta de danos no nervo ou no ouvido interno. Pode ser causada por um defeito congênito, lesão, doença, certos medicamentos, exposição a ruído alto ou desgaste relacionado à idade. O principal sintoma é a incapacidade de ouvir sons.
Em alguns casos, cirurgia ou o uso de um aparelho auditivo podem restaurar a audição.

Qualquer tipo de perda de audição gera grande impacto nas habilidades comunicativas das pessoas, afetando suas capacidades sociais e de aprendizagem. E muitos são os fatores que levam à deficiência auditiva ou surdez. Daí fica a pergunta: existe uma maneira de prevenir estes problemas auditivos?

Para falar sobre surdez e perda auditiva, o Revista da Cidade entrevistou a médica Rosa Grazielle de Lima, uma das sócias da Clínica Sofclin, pioneira no serviço de pronto atendimento em otorrinolaringologia. Confira!

Revista da Cidade - Como é feito o diagnóstico de perda auditiva?
Dra. Rosa Grazielle - No caso de crianças, pais ou professores desconfiam da perda e nos adultos os pacientes necessitam aumentar o volume de equipamentos eletrônicos que antes ouviam normalmente. Com a suspeita, necessita procurar o otorrino para a realização de exames audiométricos, que incluem audiometria, otoemissões acústicas e BERA. Chegando ao diagnóstico, podemos investigar as causas e iniciar uma terapêutica direcionada.

RC - Quais são as causas mais comuns?
RG - Existem as causas congênitas ou hereditárias, que incluem doenças acometidas pela mãe durante a gestação (rubéola, sarampo, toxoplasmose, por exemplo) e as causas adquiridas, que são diversas: idade, infecções de repetição, ruídos e medicamentos.

RC - Qual o grau de perda é considerado deficiente?
RG - Em termos gerais e legais, é considerado deficiente auditivo quem tiver perda auditiva bilateral superior a 40 dB em frequência pré-definidas, porém existem algumas variações de definição de deficiência no que se refere a editais de concursos públicos.. Há controversas em relação a pacientes com perda unilateral de audição ser considerado deficiente.

RC - Quais são os tipos de perda auditiva?
RG - Existem as perdas auditivas condutivas, neurossensoriais e mistas, de graus leve, moderado, severo e profundo. Os exames audiométricos conseguem fazer essas diferenciações, junto com o exame clínico.

RC - Perdas auditivas em crianças são diferentes de perdas auditivas em adultos?
RG - São semelhantes, porém a prevalência das causas congênitas/genéticas é maior nas crianças que em adultos e a consequência do atraso da fala é maior, já que interfere no aprendizado.

RC - Quais as características das crianças com distúrbio de processamento auditivo central?
RG - São crianças que detectam o som, mas não conseguem interpretar as informações contidas nelas. Muitas vezes são taxadas como desatenciosas. Podem apresentar dificuldade de aprendizagem, de memorização e de atenção; necessidade de pedir para repetir falas, dificuldade de conversar em ambientes com muitas pessoas ao mesmo tempo e dificuldade para realizar uma sequência de tarefas que lhe foi solicitada.

RC - A partir de que idade uma pessoa pode passar por avaliação de um otorrino?
RG - A partir de qualquer idade e em qualquer sinal de suspeição. O diagnóstico precoce favorece uma intervenção também precoce, evitando as consequências de uma perda auditiva não diagnosticada.