06/05/2019 as 10:01

CPTRAN

Obstetra fala sobre prevenção e tratamento da gravidez tubária

Esta gravidez ocorre quando o óvulo fertilizado não chega ao útero.


Obstetra fala sobre prevenção e tratamento da gravidez tubária

Na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), unidade gerenciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), há grande preocupação com os problemas e situações que podem complicar a gestação. Um desses exemplos ocorre quando a gravidez ocorre fora do útero se fixando nas trompas. Cientificamente essa gestação é denominada ectópica e o referência técnica da MNSL, Mauro Muniz Bezerra, explica que a gestante sofre, na maioria das vezes, uma lesão nas trompas, causando uma obstrução que impede a passagem do óvulo para o útero. Essa gestação, se não tratada, pode levar a paciente a óbito.

“É preciso estar atenta a problemas como infecções pélvicas que podem danificar a trompa e causar nós ou aderências. A etimologia é bastante adversa e acontece em torno de um para cada 30 mil gestações, dependendo muito da incidência da população estudada. Em torno de 90 a 96% das gravidezes ectópicas acontecem na tubuterina, ou seja, quando a gravidez se implanta na tuba”, explica o médico.

Ele deixou claro que a gestação ectópica é uma doença bastante grave e que merece atenção “Geralmente o quadro clínico da gravidez ectópica é sinalizada com sangramentos no primeiro trimestre. A paciente apresenta sangramento acompanhado de dor abdominal e essa dor decorre, muitas vezes, do sangramento que acontece com a ruptura dessa gravidez”, observa Mauro.
Ele ressalta que essa gravidez pode ser também chamada de rota quando a trompa rompe e o sangue se encontra na cavidade abdominal e a paciente acaba tendo dor de forte intensidade levando a mulher a procurar uma emergência. A ultrassonografia também é importante para auxiliar o diagnóstico, mas na maioria dos casos, o diagnóstico é feito através do quadro clínico com a história da paciente e do exame físico.

Daniela Mota Campos, 30 anos, teve uma gravidez ectópica, popularmente conhecida como gravidez tubária, em sua primeira gestação, há sete anos. Com poucas semanas de gravidez, ela sofreu um sangramento forte e o feto foi eliminado sem precisar tirar as trompas. Na segunda gestação, já com 25 anos, nasceu sua filha que hoje está com cinco anos. Este ano ela e o marido decidiram ter mais um filho, engravidou e com nove semanas e dois dias sentiu dores fortes e incômodos nas trompas. Ela foi, então, para a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), unidade gerenciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), e a médica deu o diagnóstico temido: gravidez tubária.

“Fiz o exame, uma transvaginal, e foi detectado que estava com uma trompa rompida, com um coagulo e estava tendo sangramento interno. Não foi possível salvar a trompa esquerda, tenho a direita com 50% de chances de engravidar, agora está tudo tranquilo, o acolhimento foi bom, fui muito bem tratada, quando senti as dores. Parabéns aos obstetras e obrigada pelo atendimento de todos, Na MNSL, é muito bom, não tenho o que reclamar somente o que agradecer”, afirma Daniela.

Tratamento
O médico atenta que o tratamento pode ocorrer de duas formas: clínico ou cirúrgico. O clínico é feito através de medicações, e existem alguns pré-requisitos. “O feto deve estar sem batimentos e o saco gestacional tem que medir menos que 3,5 centímetros. Se houver esses três pré-requisitos pode-se tentar um tratamento clínico. Na maioria dos casos, infelizmente é preciso a intervenção cirúrgica porque quando a paciente é diagnosticada a trompa acaba já estando rota e ela será submetida a uma cirurgia que na maioria das vezes acaba na retirada da trompa, prejudicando a fertilidade futura da paciente”, esclareceu o especialista.

Ele deixou claro que se a gravidez já estiver em estágio avançado e a trompa já tiver sido rompida, uma cirurgia abdominal é necessária. Caso contrário, é realizado um tratamento clinico. Os fatores de risco precisam ser observados e a para gravidez ectópica estão relacionados as presenças das DST´s, que acabam provocando uma doença chamada doença inflamatória pélvica aguda que acaba causando aderências na pélvis da paciente o que pode levar a uma gravidez ectópica.

“A gestante geralmente não é acometida e a maioria dos casos não tem exames para prevenir é tudo muito imprevisível e só é diagnosticada no início da gestação. Alguns casos de gravidez ectópica, além de acontecerem nas trompas, podem ocorrer ainda em vários locais como no diafragma e no intestino. Esses são raros. Outra gestação ectópica é a que o bebê pode se implantar fora do útero. Esses casos são raros, e o bebê pode vir a óbito”, advertiu o médico.