15/08/2019 as 16:21

CONECTADOS

Brasileiro prefere ter sua casa ou carro roubados a perder acesso das redes sociais, aponta pesquisa

Busca por ascensão das redes sociais é indicada como característica da sociedade atual


É muito raro alguém que não seja conectado. Compartilhar o dia a dia virou mais uma ação do dia, como escovar os dentes, jantar. No mundo virtual, a busca de likes  e reconhecimento nas redes sociais têm se tornado uma prática característica da sociedade atual.

Um estudo desenvolvido pela Kaspersky Lab na América Latina, em conjunto com a empresa de pesquisa chilena Corpa, mostra que um em cada quatro brasileiros prefere ter sua casa ou carro roubados em vez de ter suas redes sociais invadidas e perder o acesso a elas para sempre. Diante disso, o psicólogo clínico do Hapvida, Esly Nascimento de Medeiros, faz alerta sobre a busca desenfreada por reconhecimento e likes através das redes, lembrando que é preciso entender o sentido para utilização de uma rede social.

“Compartilhar um momento especial para que outros possam se inspirar, tornar notória a alegria, a emoção, sem a obrigatoriedade de ter um longo alcance de pessoas que talvez você nem conheça pode ser libertador. É natural desejar tornar pública a sua experiência, e a ausência do número de likes nos poupará do desejo de aprovação e reconhecimento. Apesar da frustração com o fim dos likes, pouco a pouco as pessoas começarão a entender o sentido de se utilizar uma rede social ou de postar uma fotografia. O importante é compreender que: quem precisa estar feliz e satisfeito com a nossa vida somos nós mesmos”, afirma o psicólogo.

Com base na pesquisa, o psicólogo destaca que na conta de rede social é possível o sujeito mostrar quem gostaria de ser integralmente ou quem acredita ser e, a partir do momento em que se tem a conta hackeada, apresenta um sentimento de invasão da sua vida e isso explica o fato de muitos preferirem ter uma casa ou carro roubados ao invés das redes sociais.

 

O psicólogo Esly Nascimento alerta ainda sobre a emissão de juízo de valor baseado em informações nas redes sociais, lembrando que não se deve deixar influenciar por opiniões alheias. Para o psicólogo, é necessário ter muita segurança e auto reconhecimento para usar as redes sociais com equilíbrio emocional.  O suicídio da blogueira que foi deixada no altar e recebeu diversas críticas por, ainda assim, ter curtido a festa que estava pronta, é um alerta para esse tipo situação.

  “Infelizmente, temos vivido tempos cruéis. De um lado existe a crueldade em julgar, apontar o dedo, condenar, estereotipar, rotular, como se ali, do outro lado da tela, não existisse um ser humano. E de outro lado existe uma vulnerabilidade emocional que nos impede de aceitar críticas como algo construtivo ou de reconhecer que a opinião e/ou julgamento alheios não nos deveria definir”, observa.