27/08/2019 as 10:54

AUTOESTIMA

Cirurgia íntima cresce entre as jovens 

Cirurgiã explica que procedimento pode ser feito em em quatro áreas


O Brasil é o segundo país no mundo que mais faz cirurgias plásticas, perdendo apenas para os Estados Unidos. Mas quando se trata da ninfoplastias, cirurgia na região íntima feminina, as brasileiras ultrapassam as americanas, segundo levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (realizado em 2017), com o registro de 21 mil cirurgias do tipo por ano.

A médica cirurgiã plástica, Lívia Dantas, comenta que o procedimento pode ser realizado em quatro áreas: "a monte de Vênus, grandes e pequenos lábios, capuz clitoriano”. Lívia também conta que apesar do crescimento dessa modalidade cirúrgica, apenas algumas mulheres têm procurado o procedimento, que ainda é um tabu. “As mulheres ainda se sentem envergonhadas, principalmente em procurar homens para realizar esse tipo de procedimento. É preciso conversar, explicar, até que elas ganhem confiança para realizar a cirurgia”, comenta. 

A cirurgiã plástica explica que as ninfoplástias podem ser indicadas em casos de saúde ou estética. “Algumas pacientes procuram unicamente por estética (e aí muitas delas com fatores psicológicos e sexuais associados), como outras procuram por questões de saúde (infecções de repetição, assaduras, machucados recorrentes com roupas justas, etc)”, Lívia destaca que o procedimento pode ser realizado por mulheres que tiveram ou não filhos. “Quando existe uma queixa associada ao problema diagnosticado pelo médico, e o desejo da paciente em realizá-lo, não há contraindicação, desde que a paciente seja maior e responsável por si, e não tenha problema de saúde que a impeça de se submeter a procedimentos cirúrgicos como um todo”, esclarece. 

A psicóloga Márcia Lourêdo explica que esse tipo de cirurgia pode ajudar a elevar a autoestima da mulher nas relações pessoais e interpessoais. “Com certeza esta cirurgia tem benefícios da autopercepção, favorecendo a sexualidade. Muitas pacientes se queixam de baixa autoestima por conta da aparência das suas genitálias, se sentem inseguras, menos atraentes, menos femininas. No Brasil, as cirurgias mais procuradas são a lipoaspiração do monte púbico (redução de gordura na região púbica), ninfoplastia (redução ou correção dos pequenos lábios) e o rejuvenescimento interno da vagina. Essas cirurgias podem colocar fim em alguns traumas psicológicos, infecções e mesmo bullying que mulheres sofrem de parceiros sexuais”, conta.

Para a psicóloga, antes de realizar um procedimento que irá alterar uma parte do corpo é necessário alguns cuidados. “Um acompanhamento psicológico é fundamental para o sucesso de uma cirurgia plástica, tanto para controle sintomático da ansiedade, como para que a pessoa tenha consciência de que não somos somente um corpo e que sua autoestima depende também de outros fatores, como equilíbrio emocional e psicológico".